2015

Tinha decidido que esse ano ia pular a retrospectiva  porque achei que não teria condições emocionais para reviver alguns momentos muito dolorosos que aconteceram, mas aí veio a curiosidade: fora esses momentos o que mais aconteceu?

Bem, eu comecei o ano no Rio, cheio de dor e com uma certeza: meu namoro de dois anos estava chegando ao fim. Só não esperava que doesse tanto. Com o término voltaram as crises de pânico e uma obsessão por organização assustadora. Pra compensar ganhei novos colegas de trabalho que se tornaram grandes amigos. Mergulhado no trabalho e no novo apartamento recebi visitas maravilhosas e muito amor . Um dos meus melhores amigos, o Elias posou para o NNSC e se formou, me enchendo de orgulho.

Um dia depois do meu aniversário fiz a minha primeira viagem ano, aqui do lado, para Paranapiacaba, e como amei, como amei.

Logo depois, entre blocos de pré carnaval decidi que a data em si eu iria pra Olinda, outra ideia pra lá de acertada, ao lado da Tati e da Mari conheci um monte de gente incrível, pulei, dancei, cantei. Fui feliz.

Única fantasia possível

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Depois disso provei melancia grelhada e me dediquei a minha casa. Infelizmente logo depois as crises se intensificaram e depois de alguns acontecimentos horríveis retornei para a terapia, talvez a decisão mais acertada do ano.

Foi então que perdi completamente o controle. Tive uma crise severa e acabei indo parar em um hospital psiquiátrico. Passei a tomar medicamentos e fui lutando pra sobreviver. Lembro com muita dor desse período mas também com muito amor. Do apoio que recebi da minha família e de alguns amigos, em especial da Kata, da Thais, da Ju Prestes, da Daud, do Cainho e do Bel. Muitos outras pessoas me deram suporte, mas esses posso dizer que ajudaram a salvar a minha vida.

Dessa fase me lembro ainda de todo o apoio, carinho e compreensão da Manu, minha chefe, e da Clarissa. Apesar do sacrifício que era levantar da cama, a cada abraço, cada conversa, cada conselho que elas me davam eu me curava um pouquinho mais. O trabalho me ajudou, mas elas, e todos os meus amigos do trabalho ajudaram muito mais.

Ainda me recuperando fui pro Rio novamente para celebrar a despedida de soltei da Thabata e foi uma delicia. Depois disso veio o casamento e foi tanto amor e orgulho que não cabe em palavras. A data também marcou minha reaproximação da Rafa, algo que agradeço sempre.

Imagens exclusivas #TiagoeThabata

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A partir dai fui indo, visitei Santana do Parnaíba e também me reaproximei da Carol Rosa e do Rafa. Com eles veio uma nova turma que mesmo eu não conseguindo acompanhar  muito vou ser grato para sempre por ter me acolhido tão bem. Ano que vem prometo ser mais presente.

Em junho fiz meu Open House e olha, QUE FESTA, amigos, que festa! O mês também me trouxe a Rafa Brunoro, amiga que me ganhou em instantes e que espero, fique pra sempre.

Logo depois fui pra Campos do Jordão e visitei a Carol Patrocinio, o Du e as crianças em Santo Antônio do Pinhal e me apaixonei pela cidade. Tanto que voltei meses depois e em 2016 espero voltar muito mais.

No mês seguinte, uma nova montanha russa de emoções, com acompanhamento médico parei os remédios e percebi que, definitivamente ainda precisava deles. Recebi então um diagnóstico “definitivo”. Tenho o que chamam de  transtorno de personalidade. Vão ser anos de tratamento e muita terapia, mas hoje, quase seis meses depois estou tranquilo com isso. A vida é isso.

O orgulho voltou a tomar conta de mim quando o Rapha lançou seu primeiro livro. Nessa época notei o quanto de carinho ainda tenho por amigos que estudaram comigo, em especial ele, a Cakes e a Bene.

Dos orgulhos que sinto, amigos lançando livros é um dos maiores ❤️ @raphaelprats muso

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Depois disso fui pra Vinhedo, comecei a desbravar o campo de matéria de saúde mental, algo que me orgulho muito e dediquei muito ao trabalho. Notei também o quanto o ambiente de trabalho me trouxe pessoas maravilhosas: Ricardo Donisete, Naty Eiras, Caio Menezes, Dani Nordi e a Fergs que me ouviram e me apoiaram muito, apesar da vida corrida.

Conheci também Pouso Alegre em Minas. Na data surgiu na minha vida também o Luan Rocha. pessoa que se tornaria meu maior companheiro, em todos os sentidos, e a quem sou absurdamente grato.

Logo depois, fui novamente ao Rio, dessa vez na companhia do Cainho, da Liz e da Kata e muito mais saudável e feliz. Espero que todas as próximas idas à cidade sejam tão boas.

Já bem, comecei os campeonatos de Buraco em casa, e foi só amor. Que delicia é estar com amigos, como é bom uma casa cheia, como é prazeroso um bom papo. As cartas também trouxeram de volta o Paulo, um amigo pra lá de querido.

Vem que ainda dá tempo.

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Depois da visita de alguns gringos no trabalho e muitas pautas veio a hora do descanso. Finalmente tive minhas primeiras férias em anos. Me taquei para Belo Horizonte e que grande surpresa foi encontrar tanta gente maravilhosa: Analice, John, Otávio, Aline, Larissa e Gabriel que me acolheram de forma tão calorosa que me apaixonei perdidamente pela cidade (e por eles).

Melhor BH

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Além da turma nova reencontrei o Michel, que amo e admiro loucamente. Também conheci Inhotim, sonho antigo. A visita ao gigante museu a céu aberto mudou a minha vida como nunca pensei que uma viagem pudesse mudar. Espero que no próximo ano consiga visitar novamente.

Já outubro me trouxe Alcione, a linda viralatinha que adotei e já amo muito. Foi também o mês que consegui me reencontrar com o Cidão, um puta amigo que me faz um bem danado e também a Julia Furlan, que trampa no BuzzFeed dos EUA e é uma daquelas pessoas que todo mundo precisa conhecer.

Nessa época também pintei o cabelo de cinza (e depois de rosa, depois de roxo, depois do que sabe lá Deus o que) e comecei a relatar todas as vezes que sofri homofobia. É um processo dolorido, mas necessário. Ainda não sei o que vou fazer com esse material, mas com certeza vai dar em algo. Também me reaproximei da Julia, da Caca e da Nathalinha, amigas fieis e que mesmo tendo pouco contato me cercam de amor sempre que nos encontramos.

Já na reta final do ano reformei o banheiro (e quase enlouqueci) recebi o primeiro hóspede do AirBnb que era um fofo, celebrei um Ano Novo antecipado no Guarujá com pessoas super queridas, um pré Natal com a família materna, um com a família do Cainho e fiz um piercing no nariz.

Ainda tem mais 15 dias para acabar o ano mas já tenho meus planos: em 2016 vou viajar mais ainda. Vou intensificar esse trabalho de perceber as coisas que me acontecem. Vou me cercar cada vez mais de amigos. Vou conhecer gente e vou fazer cursos para descobrir novos passatempos.

2015 foi um ano turbulento mas revisitando ele percebi o quanto cresci, o quanto passei a olhar pra mim, a procurar melhoras, a me entregar às coisas boas da vida. Espero que em 2016 venha muito mais.

São Paulo sua maravilhosa

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Vivendo com lobos

Por algum motivo que me foge agora eu aceitei ir viajar com os meus pais para Campos do Jordão. Não me entenda mal, apesar de ser uma família de gênio forte com o passar dos anos eu aprendi a conviver e até gosto de viajar junto com eles, o problema foi o destino.

Ficamos hospedados em Santo Antônio do Pinhal, uma cidade vizinha deliciosamente pacata. Mal cheguei e já fomos para Campos e um monte de sensações voltou. Aquelas pessoas com pele (falsas e originais) os carros importados, o ar de superioridade. Uma ostentação incomoda e bastante triste.

Mas ok, a comida poderia ser boa e teriam artesanatos, algo que me é muito caro nesse momento da vida, além de algumas apresentações musicais. O problema é que logo de cara me deparei com um palco estampado com logomarcas do Bradesco Prime, muitos logos, muitos mesmo, sem espaço para uma arte sequer. A atração: um coral jovem do próprio banco apresentado pelo Otaviano Costa.

Na hora que o apresentador entrou em cena minha mãe gargalhou. O motivo é basicamente que se eu tivesse um passe livre para fazer alguém sumir da terra essa pessoa seria o Otaviano Costa, mesmo sabendo que seria uma pessoa melhor se sei lá, eliminasse o Malafáia ou algum ditador africano por exemplo.

O coral foi ok, mas as piadas e a efusividade de Otaviano fizeram com que eu quisesse arrancar meus ouvidos e cozinhasse em óleo quente. Acabado o desespero fomos almoçar, depois de um conflito para chegar no restaurante acabamos em um italiano mediano. A dificuldade se deu, além da diferença de paladar, pelo excesso de música ao vivo nos restaurantes da cidade.

Sim, sou uma pessoa que vem tentado ser melhor, mas além de ostentação vazia e do Otaviano Costa eu simplesmente odeio música ao vivo em restaurantes. Gosto de comer com calma, gosto de conversar, porque atrapalhar isso com alguém gritando Ana Carolina ou Djavan? Porque estragar algo tão prazeroso como uma refeição com agudos desafinados?

Quando achei que tudo estaria perdido a Carol e o Eduardo surgiram para me salvar. De volta a Santo Antônio do Pinhal o casal de amigos que vive na cidade me presenteou com queijos, vinhos e um belíssimo papo, sem nenhum som ambiente.

De lá partimos para um espetáculo. Uma apresentação de dança da Cia Mulheres em Movimento baseado em “Mulheres que Correm com os Lobos”. Confesso que a perspectiva de uma apresentação em um espaço de nome Casa Girassol de um coletivo sustentável vegano me parecia uma cilada do nipe a Leona Cavalli gritando pelada por 10 horas no palco do Oficina, uma experiência que espero nunca mais repetir na minha vida.

Ninguém ficou pelado, porém, sim, era um espetáculo interativo e após a apresentação das cantoras, a plateia reconstruiu uma das cenas de Vasalisa – a Sabida. no momento mais de humanas que já presenciei na vida. O legal, porém, foi a falta de obrigatoriedade. Apenas eu o Eduardo não participamos mas observamos e foi lindo.

Terminada a apresentação percebi que aquele espaço não é pra mim, mas entendi o motivo pelo qual a tal turma de humanas me toca tanto. O porque eu sigo uma filosofia de vida mais esquerdista e meu incomodo com as pessoas de Campos de Jordão.

Viver é uma merda, mas existem várias formas de viver essa merda de um jeito diferente, e tenho certeza absoluta que aquelas pessoas do espetáculo sentiram muito mais, ouviram muito mais, respiraram muito mais do que a moça com a bolsa de marca que cruzei pela manhã.

O problema não é o dinheiro, não é a ostentação em si, é o desprezo com o entorno, o medo de olhar, o medo de sentir. Quem sabe um dia a gente, essa gente que olha pro lado consiga mostrar isso para quem se recusa. Com certeza esse dia vai ser muito melhor que o dia de hoje.

2014

Desde 2012 faço um exercício de fim de ano: revisito minhas redes sociais e busco relembrar tudo que aconteceu fazendo assim uma retrospectiva. É uma forma de avaliar o quanto errei, acertei, agradecer a todos que estiveram junto e planejar o que quero para o ano que vem chegando. Mesmo sem ter tido tempo de atualizar o blog não penso em fazer isso em outro espaço. Então lá vai.

2014 já começou com o pé direito. Preso no plantão resolvi fazer um festa que contou só com pessoas incríveis que me acompanharam por todo ano e que tenho muito a agradecer Carol Patrocinio e Eduardo Ribas com os filhos Lucca e Chico, Juliana Kataoka, Vinicius Ferreira, Nathália Eiras e muitos agregados queridos. Foi lindo e esse ano fico triste em passar longe dessa turma.

anonovo

A partir dai em Janeiro em meio a onda do Rolezinho e dos preconceitos cotidianos passei a organizar a vida: criei um formulários para organizar os contatos, que inclusive você pode preencher aqui, criei um tumblr pra concentrar todos os meus projetos e descobri que era possível passear pela cidade de bicicleta, algo que quero fazer mais em 2015.

O fim do mês me deu igualmente uma grande tristeza e uma grande alegria. Primeiro o suicídio do Kaique, um jovem gay que vinha sendo tratado como um assassinato homofóbico. Foi minha grande matéria investigativa, dolorida e principalmente a matéria que me ensinou a ter tato, a importância da apuração. O iGay foi um dos poucos veículo a não cravar algo que não era para ter cliques e a se debruçar na história com o respeito merecido. Mais uma grande lição que tive do Ricardo Donisete e da Paula Pacheco, dois dos meus eternos ídolos. Já a alegria veio por assistir o primeiro beijo gay do horário nobre da TV. Algo que me fez ter muita esperança e a cena inclusive continua sendo uma das minhas favoritas.

Em fevereiro veio essa matéria estouro: levei três casais gay para namorarem no centro de São Paulo e a reação foi triste, pior do que esperávamos mas a repercussão ótima me fez lembrar do porque é importante fazer o que faço. Pra balancear a tensão ganhei duas deliciosas surpresas, uma de todos os meus amigos do iG e outra organizada pelo Luiz Romano, meu eterno companheiro.

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O carnaval foi incrível curtindo muito bloco de rua em São Paulo, em especial o Tarado Ni Você e o Lambuza Lambida. Já nos projetos veio o 365 Soluções Pra Uma Vida Melhor, que apesar de lindo não foi pra frente por falta de tempo, quem sabe um dia…

Em março a maravilhosa oportunidade e passar três horas entrevistando a Laerte, um papo que me rende reflexão e orgulho até hoje e minha mudança para a Bela Vista para morar com o Luiz, o Ivan Votório e a Ana Okamoto, que me receberam muito bem e me deixaram fazer minha primeira decoração, algo que virou uma obsessão e uma paixão durante todo o ano.

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Em abril criei um pin para compartilhar as decorações  e conheci o Arthur, um jovem transexual de 13 anos que tem uma das famílias mais absurdamente bem informadas que conheci e que rendeu uma matéria inédita no país.

Maio a militância veio com tudo, teve Parada Gay, Jujubee, uma matéria incrível sobre frases que os gays ouvem no cotidiano, gravei um vídeo para o “Tudo Vai Melhorar”, a versão brasileira do “It’s get better”, a Marcha das Vadias e o começo da minha colaboração com o BuzzFeed com o post sobre o que a gente pode e não pode cobrar da Dilma.

Já junho veio com tudo pra comemora o dia dos namorados e claro, a chegada da Copa, e que Copa! Não vi nenhum jogo mas não precisou, teve muita zoeira, muita festa, muita alegria e foi ótimo porque mesmo perdendo eu entendi que é uma delicia a gente deixar de ser hater e principalmente, que você não precisa fingir que ama algo para aproveitar a vibe com a galera. Quem sabe eu não consiga levar isso pra tudo na vida!

ps: nesse mês fiz muito textão no Facebook, me orgulho de todos eles mas ainda bem que essa fase passou, prefiro papear no bar.

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Em Julho a musa Manuela Barem me chamou pra ser freela do BuzzFeed Brasil e eu vivi um período enlouquecedor de uma dupla jornada maravilhosa: ser repórter do IGay e redator do BuzzFeed Brasil.

Nesse mês rolou também a Festa da Nossa Senhora do Carmo na esquina de casa e eu me apaixonei oficialmente pelo bairro. Depois de meses conturbados morando perto da Paulista foi uma delicia descobrir que existe um lugar com preços honestos, onde a gente ve criança correndo na rua e tem fácil acesso a todos os lugares. Também teve o revival da Crew que me fez lembrar o que eu gosto na balada: das conversas, dos amigos e de conhecer novas coisas, algo que a noite não tem me oferecido mais.

Agosto foi um turbilhão de emoções com a saída do iG, o lugar que eu conheci os profissionais mais foda do mundo.

Mas como tudo se ajeita, a Manuela me contratou logo em seguida e eu passei a trabalhar ao lado da equipe mais enlouquecedoramente criativa e ética: Manu, Rafael Capanema e Clarissa Passos.

Não tem nenhum dia que eu agradeça pelo trampo novo. Trabalhar em uma empresa que pensa o mercado, novos formatos de conteúdo, a evolução, que valoriza a diversidade e seus profissionais é incrível, sem contar a possibilidade de desbravar uma infinidades de temas e o aprendizado constante (mesmo, toda hora uma lição nova, cara).

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Já setembro e outubro foi só trabalho e eleições, e claro, mais um novo projeto para 2015. Ah, também dei um pulinho no Rio de Janeiro pra fazer uma selfie com a Roberta Miranda e o Cumpadi Whashington e comemorei um ano ao lado do Luli, um ano intenso, amoroso, briguento, muito feliz e cheio de conquistas.

Novembro e Dezembro foram dois meses exaustivos, sem férias desde 2012 fui salvo pelo meu querido Rio de Janeiro, que sempre me recebe de braços mais que abertos. Foi muita bateção de perna, muito riso e muita, muita reflexão.

Não posso deixar de agradecer, além de quem foi citado aqui ao Elias Bastos, a Ju Prestes, o Vinícius Ferreira, o Alcides Lima, a Thais Orlandi, a Bianca Blefari e a Natália Zanzarini por terem acompanhado esse ano intenso e cheio de mudanças.

E que 2015 traga muito mais.

Deixemos de ser militantes que fala apenas com militantes e falemos com o mundo

Não sou contra a militância nas redes sociais, não sou contra ter uma opinião, não sou contra saudáveis debates, mas percebo que faço parte de uma militância acomodada e preguiçosa, que se preocupa mais em gritar para os pares do que mudar efetivamente algo.

Digo isso em especial me referindo aos amigos comunicologos, publicitários, redatores, relações públicas e jornalistas que estão ali, cotidianamente criticando grandes indústrias, veículos de comunicação e o governo, mas que não avançam.

Tenho pra mim que todos temos o poder de melhorar o mundo, e esse processo começa quando nós mesmos mudamos e tentamos, mesmo que timidamente, mudar o nosso entorno.

Tento diariamente criar relações que permitem trocas, aprendizado e crescimento mas, confesso que tenho uma tendência a cagar regras e ser muito enfático em minhas opiniões, muitas vezes consideradas extremas. Em contraponto, acredito no que digo e tenho consciência da minha certeza, e isso é importante, sou extremo mas aberto ao dialogo, por independente da replica (algumas vezes mais, outras menos.

E com essa percepção avanço, a passos lentíssimos. Avanço criando projetos contra o que me incomoda, avanço debatendo com que importa, avanço trabalhando diariamente em algo que acredito.

Isso não faz de mim alguém especial, ser proativo não deveria ser uma qualidade, deveria ser uma característica da nossa sociedade.

Temos que finalmente olhar o erro, pensar, e mudar. Por isso meu apelo aos comunicologos: por favor, façamos valer nossas vozes, lutemos para que os veículos, as agencias, os clientes faça o certo. Sei que na maioria das vezes o problema é muito maior, mas não concorda que ele tem que começar a ser solucionado de algum lugar?

Continuemos reclamando sim, mas com um foco: reclamamos de algo? Ok, o que posso fazer para ajudar?

É um esforço diário, que é exaustivo, mas quanto mais forem os que tentam, mais serão os que conseguem. Não nos esqueçamos disso e paremos de no fim das contas, falar para nós mesmos e falemos para o mundo, um mundo que queremos que seja melhor.

Deixemos de ser militantes que fala apenas com militantes e falemos com o mundo

Não sou contra a militância nas redes sociais, não sou contra ter uma opinião, não sou contra saudáveis debates, mas percebo que faço parte de uma militância acomodada e preguiçosa, que se preocupa mais em gritar para os pares do que mudar efetivamente algo.

Digo isso em especial me referindo aos amigos comunicologos, publicitários, redatores, relações públicas e jornalistas que estão ali, cotidianamente criticando grandes indústrias, veículos de comunicação e o governo, mas que não avançam.

Tenho pra mim que todos temos o poder de melhorar o mundo, e esse processo começa quando nós mesmos mudamos e tentamos, mesmo que timidamente, mudar o nosso entorno.

Tento diariamente criar relações que permitem trocas, aprendizado e crescimento mas, confesso que tenho uma tendência a cagar regras e ser muito enfático em minhas opiniões, muitas vezes consideradas extremas. Em contraponto, acredito no que digo e tenho consciência da minha certeza, e isso é importante, sou extremo mas aberto ao dialogo, por independente da replica (algumas vezes mais, outras menos.

E com essa percepção avanço, a passos lentíssimos. Avanço criando projetos contra o que me incomoda, avanço debatendo com que importa, avanço trabalhando diariamente em algo que acredito.

Isso não faz de mim alguém especial, ser proativo não deveria ser uma qualidade, deveria ser uma característica da nossa sociedade.

Temos que finalmente olhar o erro, pensar, e mudar. Por isso meu apelo aos comunicologos: por favor, façamos valer nossas vozes, lutemos para que os veículos, as agencias, os clientes faça o certo. Sei que na maioria das vezes o problema é muito maior, mas não concorda que ele tem que começar a ser solucionado de algum lugar?

Continuemos reclamando sim, mas com um foco: reclamamos de algo? Ok, o que posso fazer para ajudar?

É um esforço diário, que é exaustivo, mas quanto mais forem os que tentam, mais serão os que conseguem. Não nos esqueçamos disso e paremos de no fim das contas, falar para nós mesmos e falemos para o mundo, um mundo que queremos que seja melhor.

São Paulo e a cegueira coletiva

 “Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico onde vítimas de sequestro começam por identificar-se emocionalmente com os raptores, a princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação e/ou violência.

Pequenos gestos gentis por parte dos sequestradores são frequentemente amplificados porque, do ponto de vista do refém é muito difícil, senão impossível, ter uma visão clara da realidade nessas circunstâncias e conseguir mensurar o perigo real.

É importante notar que os sintomas são consequência de um stress físico e emocional extremo. O complexo e dúbio comportamento de afetividade e ódio simultâneo junto aos raptores é considerado uma estratégia de sobrevivência por parte das vítimas.

É importante observar que o processo da síndrome ocorre sem que a vítima tenha consciência disso. A mente fabrica uma estratégia ilusória para proteger a psique da vítima”.

Essa é a explicação da Wikipédia para a Síndrome de Estocolmo. Peço desculpas por não conseguir uma fonte mais segura mas os sites da OMS  – Organização Mundial da Saúde e do Conselho Federal de Psicologia não são os melhores para busca de dados.

Da mesma Wikipédia temos a informação de que o Elevado Costa e Silva, também conhecido como Minhocão, uma via elevada que liga o centro à zona oeste, contém 3,4Km e nas minhas contas, 40 metros de largura, totalizando então 0,136 Km²

O minhocão está localizado na região central da cidade que tem 27 Km². Já a cidade como um todo, tem 1.523 km².

Ou seja, a região central ocupa pouco mais de um centésimo de toda cidade, enquanto o Minhocão 1 milésimo.

Bem, acredito que nesse ponto você esteja querendo saber a onde eu quero chegar com esse amontoado de dados. Calma, te prometo que já chegamos lá.

A questão é que aos domingos e feriados o tal Elevado Costa e Silva fica “livre” para a população e volta e meia grupos realizam pequenas festas, de juninas a blocos de carnaval.

Uma vez por ano, a nossa prefeitura também realiza um grande evento chamado Virada Cultural, onde praticamente todos os 27 Km² do centro acabam ocupados por pessoas em busca das atividades culturais divididas por diversos palcos. Outras áreas também recebem o evento, porém a grande concentração é na região central.

Nessas duas ocasiões tento estar presente: minhocão “livre” e Virada Cultura e noto a alegria das pessoas em estar nas ruas, em poder caminhar tranquilamente, em ocupar um espaço que é de todo mundo.

Acho muito bom estarmos na rua mas acho que nos falta reflexão, nem o Minhocão e nem a Virada oferecem estrutura mínima de ocupação. Nenhum dos dois espaços é 100% nosso. Porque estamos tão felizes?

Ai entra a Síndrome de Estocolmo. Nos habituamos a ficar presos em bares, baladas, ruas, avenidas e em nossas próprias casas que ao ter 1 centésimo da cidade com uma programação cultural ficamos felizes. Ficamos eufóricos com um milésimo de cidade composta de asfalto quente uma vez na semana. Não é muito triste?

Segundo o site da SVMA, a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, a cidade conta com 96 parques e praças divididos entre região centro-oeste (21), leste (32), norte (15) e sul (28). Essa mesma secretaria também afirma que a cidade conta com 2,6 m² de área verde por habitante, enquanto a recomendação da OMS é de 12 m².

Ok, temos uma descentralização do verde, mas então pra que mais um shopping na Av Paulista? Pra que tantos prédios? Porque continuamos a insistir? E mais, porque a gente se recusa a ver tudo isso?

Ah, segundo o site da prefeitura, temos 260 salas em 55 cinemas, 125 museus, 164 teatros,39 centros culturais, 184 casas noturnas, 146 Bibliotecas e 53 shopping centers, portanto se você tiver DINHEIRO e quiser ficar FECHADO, arrase, são 1.026 opções, 100 vezes que as de parques e praças.

As reflexões do fim de uma vida

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Quando rolou aquele lance do universitário que se fez passar por um candidato do Enem, pipocou na minha timeline o seguinte texto (que resumo bastante)

“Se vejo um leão, ele tem juba de leão, rugi como um leão, come os animais que o leão come e pergunto: você é um leão? E ele responde sim, sou um leão. Porque desconfiar que ele não era um leão?”

Isso ficou na minha cabeça, nunca entendi porque o programa Pânico gostava de enganar as pessoas, nunca curti ações de publicidade velada. Gosto de honestidade.

Algumas vezes, sem maldade alguma como é o caso do universitário, do pânico ou dos publicitários, acabamos sendo tomado pelo emocional.

Foi o que aconteceu com o caso do Kaique. Ele foi encontrado com uma região em que quase mensalmente tomamos conhecimento de um caso de homofobia. Ele era um jovem, negro, gay, sozinho, em uma sociedade em que jovens, negros e gays são perseguidos e agredidos por serem quem são.

Ai tivemos uma policia que automaticamente classificou o caso como suicídio, veja bem, se nós automaticamente pensamos em homofobia porque eles não? Depois disso, detalhes dos familiares e amigos dizendo que ele não teria motivos para se matar, também informações sobre como estava o corpo, e uma policia lenta que não dava informações.

Com medo, revoltados e tristes nos mobilizamos, usamos o caso do Kaique para pedir a criminalização da homofobia, de novo veja bem, a criminalização de um crime!

Agora, mesmo que não concluída, sabemos que existem grandes chances de Kaique ou ter caído ou pulado do viaduto (quebrou os joelhos, não existia uma barra e sim um osso que saiu, e faltavam dois dentes e não todos, todos fatores que sugerem queda ou suicídio).

Sabemos também que ele tinha um diário e escrevia coisas tristes. Mas oras, que adolescente não tem um diário com coisas tristes escritas? Sabemos que estava bêbado, e de novo, que adolescente não fica bêbado?

Se o Kaique caiu, temos uma tragédia, um exemplo de como a vida não vale nada. Se ele foi espancado, que mundo cruel, que coisa estupida. Se ele se matou, que tristeza ninguém próximo a ele não ter conhecimento de sua depressão, independente de seus motivos.

Mas nada disso invalida o protesto pela criminalização da homofobia, uma causa necessária, nada disso invalida nossa revolta em relação a tantos outros jovens, gays, negros (e tantas outras minorias). Nada disso foi em vão.

Lembro que amigos, família e conhecidos afirmaram que ele sempre foi resolvido com sua sexualidade, tinha aceitação da sociedade e dos familiares, ou seja, é preciso cuidado em transformar isso em um caso de suicídio por falta de aceitação. Neste caso em especial não foi a questão, mesmo sabendo de tantos outros.

Na verdade não precisamos transformar a morte de Kaique em nada que não seja uma lição: uma lição de ética jornalística, de opinião pública, de conhecimento das nossa próprias emoções, de senso de justiça, e de humanidade. De como ficamos comovidos por uma tragédia, seja ela qual for (homofobia, acaso ou suicídio).

No fim das contas é só quando nos comovemos lembramos que somos humanos e começamos enfim, a mudar alguma coisa.

2013

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Depois do turbilhão de emoções que foi o ano passado minha única expectativa era: ” Se 2013 me trouxer 50% do que 2012 me trouxe de bom já estou bem feliz” e posso afirmar agora, fazendo aquela reflexão anual, que ele foi muito melhor que o esperado.

Comecei o ano perdido, mais do que nunca sem saber o que fazer, então me dediquei a escrever. Fiz posts e mais posts com guias de viagens realizadas em 2012: Brasília , Rio de Janeiro e Belém do Pará. Terras cariocas visitei mais outras duas vezes, com a promessa de se possível não passar mais de quatro meses longe (algo que pretendo cumprir em 2014) e revisitei também Curitiba, cidade que amo apesar a frieza dos moradores da cidade. De novo só Natal, que me encantou com a simplicidade e clima de interior.

Vivendo de freelas e com muito tempo ocioso comecei a pensar em alguns projetos, o primeiro deles que foi ao ar, o tumblr Tem Que Saber Até o Carnaval (que volta já já), reforçou o meu amor pela data: comecei a ir para blocos em meados de janeiro e terminei apenas em abril. Foi em um deles que me casei com a Carol Caixeta, amiga e parceira para toda hora.

Meu casamento Março veio com tudo: surgiu o Coletivo Cordel, meu projeto carinho dedicado à brasilidades que está paradinho só esperando um pouco de atenção (de 2014 também não passa) e o primeiro casamento do ano: Teté e do Felipe, coisa linda de ver. Mais pra frente fui ainda padrinho da Shau e do Jonny e me emocionei como nunca com a Preta e o Yellow. Infelizmente não estive presente, mas acompanhei passo a passo a união do Ola com a Lalai e da Ale com o Cleber. Que delicia ver tanta gente feliz, tanto casal selando amor.

Foi nesse mês também que a Lu Franca e a Bia Sant’anna me deram uma incrível oportunidade: integrar a equipe do Portal iG. Como praticamente tudo na vida tive sorte e de repente, me vi repórter exclusivamente do iGay, o recém inaugurado canal de conteúdo LGBT do portal, comandado com maestria pelo Ricardo Donisete, que me ensinou muito mais do que eu poderia esperar.

Nesse meio tempo comecei a namorar e na mesma rapidez terminei – não era pra ser. Comecei também a escrever uma coluna com a Carol no Boatismo, dos admiráveis Thiago Frias e Bianca Pattoli, chamada “Discovery Boatismo” que propunha desbravar todo tipo de boate, foram apenas sete porque de novo o tempo venceu, mas 2014 tai pra voltar com o que é bom.

Em junho, com a chegada do dia dos namorados surgiu uma vontade: juntar amigos queridos que não tinham um par, usei a fórmula do Catho Iran, grupo em que posto vagas de trabalho (que já ajudou uma galera a arranjar emprego) e criei o Date Iran, para reunir casais. Que sucesso gente, que sucesso! Em uma semana conheci pessoas maravilhosas, em meses uni incontáveis casais e falei um pouquinho sobre a emoção de se jogar para a vida aqui. Do grupo surgiu a festa, que teve lindas cinco edições no Bar Volt, incluindo uma com speed date.

date

É impensável eu falar do Date sem citar o Michell Lott, que apesar de não fazer parte do grupo foi o responsável por todas as artes e depois viria a fazer parte de um outro projeto. Hipertalentoso, o Michell é talvez a pessoa que eu mais elogiei durante o ano.

Foi em junho também que fui pra rua, fomos na verdade: diante da barbárie cometida pela Polícia Militar nas primeiras manifestações pela diminuição da tarifa de ônibus me reuni com o Pedro Jansen e criamos o Mobilizados, um grupo de apoio aos manifestantes. Não tenho como incluir aqui todos que se uniram a nós e foram absurdamente incríveis por acreditar naquilo que estávamos fazendo mas tenho que agradecer especialmente ao Jansen, que posso dizer, se tornou ali, meu irmão de coração.

Depois de quase uma quinzena de noites sem dormir, quase ser preso e gritar muito, as manifestações tomaram outro rumo, e retornei então à minha militância pelos direitos humanos e feminismo, algo que luto diariamente. Acredito em quem está na rua e sempre que possível estarei, mas foi preciso parar e olhar onde posso ajudar mais, e tenho certeza que de onde estou posso fazer muito.

20A partir da necessidade em falar sobre sexo, igualdade, padrões estéticos e muito mais, em julho tirei a roupa, sim, fiquei nu para o Nenhuma Nudez Será Castigada. Inicialmente meu, o projeto se tornou também do Michell Lott (que fez os primeiros ensaios), da Thabata Guerra (também fotografa, modelo e entusiasta) e da Juliana Kataoka (maquiadora oficial). Não tenho como agradecer a Thabata e a Kataoka pelo companheirismo, trabalho duro e incontáveis horas de conversas e risadas.

De novo muito mais gente mergulhou na ideia e o projeto segue em construção: foram 22 ensaios fotográficos e 15 textos. No total queremos somar 40 ensaios e 40 textos que integrarão a exposição, o livro e o Tumblr.

No dia do meu próprio ensaio acabei também fazendo parte do lindo projeto “Primeiro Inventário de Pessoas e Guia de Serviços“,da absurda Julia Rodrigues, também do jeito que vim ao mundo:

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O mês, assim como agosto e setembro foi praticamente dedicado ao Nenhuma Nudez Será Castigada e ao meu trabalho no iGay. Porém me trouxe também uma novidade: o Luiz Romano, um cara especial pra caralho que surgiu em meio ao Date Iran e só foi ocupando mais espaço no meu coração. Oficialmente estamos namorando desde 01 de outubro mas nosso primeiro encontro foi no dia 06 de julho na presença de Carol❤

Em setembro rolou a 2ª Edição do Bazar Lá de Casa, lá no Estudio MOP 300, que também foi espaço para sessões do Nenhuma Nudez. O dono é o lord Raphael Prats, amigo desde o colégio, continua me apoiando sempre que possível apesar das nossas vidas terem seguindo rumos completamente diferentes. Foi também o mês que me mudei e sai da casa dos meus pais: uma experiencia libertadora e saudável que tem me trazido muita felicidade (mesmo que com certos temores pela violência da cidade).

Para outubro me dei de presente uma nova edição do Criança Viada, Tumblr que eu amo e que com certeza vai ter espaço de novo em 2014, afinal ele rende risadas para um ano todo. Criei também o Iran Reader, onde disponibilizo meus livros para quem quiser (ainda estou alinhando a logística mas quero fazer super rolar).

Novembro, um mês enlouquecedor no trabalho me deixou ainda mais próximo dos amigos de firma, em especial da Clarissa Passos e da Natália Eiras, duas das figuras mais geniais que conheci na vida; E que delicia acordar todo dia e saber que vai encarar horas de risadas, stress e ter conversas interessantes (que vão das mais idiotas às mais inteligentes).

Não menos importantes nesse ano e sempre, a família que escolhi conta, além de todo mundo que povoa este post, os maravilhosos: Elias Bastos, Vinicius Ferreira, Alcides de Lima, Thais Orlandi, Carol Patrocinio, Fergs Heinz, Tatiana Cancoro e Sofia Iwatani. 

Dezembro ainda tai em aberto. Vamos ver o que o mês derradeiro me reserva, mas posso já afirmar: 2013 foi um bom ano e espero de verdade que 2014 venha para fechar esse ciclo de projetos e alegrias começado em 2012 e permita dar um pontapé para novas coisas.

Vale lembrar que além de um agradecimento a todos que fazem da minha vida algo positivo, esse post é também um exercício para tentar ao máximo guardar o que de bom aconteceu e deixar pra traz o que não era pra ser.

Mini guia de novidades culturais do Rio de Janeiro

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Passei o ultimo fim de semana no Rio de Janeiro e com o tempo mais ou menos me dediquei a desbravar alguns espaços culturais que não tinha conhecido ainda (e que portanto não tinham entrado nesses guias aqui). Por indicação do Edu Castelo acabei conhecendo o MAR – Museu de Arte do Rio e a Casa Daros:

MAR

Aos moldes do museu Rainha Sofia em Madrid, o MAR integra um prédio antigo, o Palacete Dom João VI, que foi tombado como patrimônio histórico com um moderno edifício que sedia a Escola do Olhar. Para interliga-los, foi criada uma rampa e uma impressionante cobertura que abriga um charmoso restaurante, projeto de Paulo Jacobsen, Bernardo Jacobsen e Thiago Bernardes.

A ideia do Museu e apresentar a história da cidade, particularmente não me interessei pela exposição sobre o tema, até porque notei que minha predileção é por arte moderna e contemporânea, mas a visita é valida, mesmo que só pelo espaço.

Vale dedicar um tempo para assistir as cinco performances da artista Berna Reale, “Vazio de Nós”, do Belém do Pará (a cidade hype do momento). Cru, violento e pesado, o trabalho da artista é absurdamente impactante. Fica em cartaz até 29 de dezembro.

Casa Daros

Unindo modernidade e tradição, a Casa Daros conquistou o lugar de espaço cultural preferido no Rio de Janeiro. Localizado em Botafogo, próximo ao shopping Rio Sul, a casa é um antigo colégio reformado para abrigar atividades artísticas latino americanas, mas nada que se assemelhe ao acervo do paulistano Memorial da América Latina, ou seja, nada datado ou folclórico.

O casarão neoclássico do século 19 conta com um pátio interno incrível que atualmente recebe a exposição Artoons, de Pablo Helguera, os cartons dedicados à critica da arte são além de espirituosos bastante palatáveis a todos, ficam expostos até março de 2014.

O pátio também é uma extensão do restaurante e café do museu, que com certeza se destaca entre a terrível culinária carioca (em especial o brownie com sorvete). Contrário também aos hábitos dos trabalhadores do Rio de Janeiro, o atendimento é primoroso: funcionários e monitores atentos, simpáticos e educados.

Imperdível mesmo é a exposição Lumière do argentino radicado na França Le Parc. Uma dezena de salas enormes que abrigam o lindo e comovente jogo de luzes do artista. Fica em cartaz até fevereiro de 2014.

Informações:

Museu de Arte do Rio
Praça Mauá, 5, Centro
www.museudeartedorio.org.br

Casa Daros
Rua General Severiano 159, Botafogo
www.casadaros.net

De pequenos e inofensivos comentários, vamos todos ignorando que o machismo ainda existe e tornando seus atos algo banal

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Me deparei ontem com um comentário no Facebook feito por um amigo afirmando que um ator se portava como viado, no sentido de efeminado, mais delicado e menos “machão”, o que faria com que ele não se enquadrasse como um simbolo sexual portanto não seria uma figura que despertaria interesse nas mulheres.

A pessoa que realizou o comentário não tem traços de homofobia e tampouco se mostrou machista durante os anos que nos conhecemos; porem teve uma atitude muito comum a todos nós: não consegue enxergar o peso de seus pequenos comentários.

Cada um tem sua opinião, cada um tem seu gosto, porém a generalização dessa opinião e desse gosto acarreta uma série de questões e para aponta-las vou precisar dar uma pequena volta pela questão da igualdade entre homens e mulheres, mas tudo muito breve e até sinto dizer, um pouco superficial.

Milhares de anos atrás por serem fisicamente mais fortes do que a mulher os homens passaram a se considerar e serem considerados superiores que seus pares femininos.

Séculos se passaram e no começo do século 20, com a primeira guerra mundial (1914- 1918) e a morte de milhares de espécimes masculinos, passaram elas a exercerem as funções antes dedicadas apenas a eles, incluindo o voto (1918 na Inglaterra), ato indispensável nos sistemas democráticos.

Note que isso faz apenas 95 anos, há chances de você inclusive conhecer alguém vivo com essa idade. No Brasil, esse tempo é mais curto ainda, o primeiro voto feminino foi em 1932, 81 anos atrás.

Mas tudo é processo, temos mais de 2 mil anos de uma humanidade que acreditou que a mulher era inferior ao homem contra 95 anos de direitos igualitários, falando restritamente de voto.

Avançamos e chagamos então à década de 60, onde a pílula anticoncepcional foi inventada: rompemos em tese, a última barreira para a liberdade feminina, onde a mulher deixa de se tornar fragilizada ou passível de proteção por estar gerando outra vida.

Até a pílula ser amplamente utilizada e normatizada contamos uma década, ou seja, anos 70, 43 anos atrás.

Se pensarmos superficialmente 43 anos é o suficiente para eu com 20 e poucos anos já não ter vivido uma discriminação massiva contra mulheres, 43 anos fez com que meu pai e minha mãe achassem que eu deveria saber realizar tarefas domesticas, 43 anos fez com que eu soubesse que em questões de direitos e deveres não existe distinção entre homens e mulheres.

Mas 43 anos não foi suficiente para toda a sociedade. Nesses 43 anos a publicidade se intensificou, os padrões de beleza ficaram cada vez mais rígidos e instaurou-se uma confusão:  como deve ser um homem e uma mulher, quando perdem seus papeis tão bem desenhados?

A resposta é simples: como ele e ela quiser, mas a sociedade precisa de rótulos, precisa de uma meta a se atingir portanto definiu-se que a mulher tem que ter força, garra mas deve ser principalmente “feminina”, curvilínea e bem arrumada enquanto o homem tem que ser “macho”, másculo, bruto, ainda que só superficialmente porque ele precisa ser no fundo educado, respeitoso e ter estilo.

Ao desqualificar o ator como viado e efeminado, e portando, não qualificado para os padrões estabelecidos para um simbolo sexual meu amigo justifica: mas o que tem de errado se gostar de alguém másculo, ou de alguma mulher por ser feminina? Sempre teremos artistas que serão símbolos sexuais  por essas características, afirmou ele.

Respondo então depois de toda essa volta: Não é porque “sempre teremos” ou porque “sempre tivemos” símbolos sexuais  nesse molde masculino voraz e feminino delicado que significa que ele é certo.

E vou um pouco além, inconscientemente, acredito que meu amigo repita uma falha histórica:  ao tratar o ator como viado (no sentido de efeminado)  ele afirma que aquele homem é menos homem, portanto mais mulher, portanto algo menor em relação ao homem, e menos interessante para a própria mulher.

É preciso que nos policiemos individualmente para que terminemos com os rótulos, sejam eles quais forem, principalmente se esses rótulos forem associados ao másculo e ao feminino. Hoje, 43 anos depois as mulheres ainda ganham menos, são ainda assediadas verbal e sexualmente e esse pequenos comentários estimulam que essas coisas sejam consideradas normais, eles não podem acontecer, precisamos parar de achar normal essa dualidade tão arraigada do forte e agressivo masculino e do frágil feminino, passível de coerção.

Por se tratar de um debate e não uma briga esse amigo afirmou que acha que minha posição é extrema, chata e até um policiamento do politicamente correto, mas veja bem, meus debates não são a esmo, eu busco tê-los com quem tem abertura e repertório para dialogar e se não puder faze-lo com quem está próximo, como posso querer mudar algo em larga escala?

Posso sim estar sendo extremo, e até um pouco chato, mas tendo em vista que uma questão pra mim tão clara e tão errada como o desrespeito continuo contra as mulheres me dou ao direito de fomentar debates, principalmente com quem me é caro, quem sabe com mais pessoas extremas e chatas no mundo, com questões grandes e pequenas, a gente não consiga finalmente ser igual?