Deixemos de ser militantes que fala apenas com militantes e falemos com o mundo

Não sou contra a militância nas redes sociais, não sou contra ter uma opinião, não sou contra saudáveis debates, mas percebo que faço parte de uma militância acomodada e preguiçosa, que se preocupa mais em gritar para os pares do que mudar efetivamente algo.

Digo isso em especial me referindo aos amigos comunicologos, publicitários, redatores, relações públicas e jornalistas que estão ali, cotidianamente criticando grandes indústrias, veículos de comunicação e o governo, mas que não avançam.

Tenho pra mim que todos temos o poder de melhorar o mundo, e esse processo começa quando nós mesmos mudamos e tentamos, mesmo que timidamente, mudar o nosso entorno.

Tento diariamente criar relações que permitem trocas, aprendizado e crescimento mas, confesso que tenho uma tendência a cagar regras e ser muito enfático em minhas opiniões, muitas vezes consideradas extremas. Em contraponto, acredito no que digo e tenho consciência da minha certeza, e isso é importante, sou extremo mas aberto ao dialogo, por independente da replica (algumas vezes mais, outras menos.

E com essa percepção avanço, a passos lentíssimos. Avanço criando projetos contra o que me incomoda, avanço debatendo com que importa, avanço trabalhando diariamente em algo que acredito.

Isso não faz de mim alguém especial, ser proativo não deveria ser uma qualidade, deveria ser uma característica da nossa sociedade.

Temos que finalmente olhar o erro, pensar, e mudar. Por isso meu apelo aos comunicologos: por favor, façamos valer nossas vozes, lutemos para que os veículos, as agencias, os clientes faça o certo. Sei que na maioria das vezes o problema é muito maior, mas não concorda que ele tem que começar a ser solucionado de algum lugar?

Continuemos reclamando sim, mas com um foco: reclamamos de algo? Ok, o que posso fazer para ajudar?

É um esforço diário, que é exaustivo, mas quanto mais forem os que tentam, mais serão os que conseguem. Não nos esqueçamos disso e paremos de no fim das contas, falar para nós mesmos e falemos para o mundo, um mundo que queremos que seja melhor.

Deixemos de ser militantes que fala apenas com militantes e falemos com o mundo

Não sou contra a militância nas redes sociais, não sou contra ter uma opinião, não sou contra saudáveis debates, mas percebo que faço parte de uma militância acomodada e preguiçosa, que se preocupa mais em gritar para os pares do que mudar efetivamente algo.

Digo isso em especial me referindo aos amigos comunicologos, publicitários, redatores, relações públicas e jornalistas que estão ali, cotidianamente criticando grandes indústrias, veículos de comunicação e o governo, mas que não avançam.

Tenho pra mim que todos temos o poder de melhorar o mundo, e esse processo começa quando nós mesmos mudamos e tentamos, mesmo que timidamente, mudar o nosso entorno.

Tento diariamente criar relações que permitem trocas, aprendizado e crescimento mas, confesso que tenho uma tendência a cagar regras e ser muito enfático em minhas opiniões, muitas vezes consideradas extremas. Em contraponto, acredito no que digo e tenho consciência da minha certeza, e isso é importante, sou extremo mas aberto ao dialogo, por independente da replica (algumas vezes mais, outras menos.

E com essa percepção avanço, a passos lentíssimos. Avanço criando projetos contra o que me incomoda, avanço debatendo com que importa, avanço trabalhando diariamente em algo que acredito.

Isso não faz de mim alguém especial, ser proativo não deveria ser uma qualidade, deveria ser uma característica da nossa sociedade.

Temos que finalmente olhar o erro, pensar, e mudar. Por isso meu apelo aos comunicologos: por favor, façamos valer nossas vozes, lutemos para que os veículos, as agencias, os clientes faça o certo. Sei que na maioria das vezes o problema é muito maior, mas não concorda que ele tem que começar a ser solucionado de algum lugar?

Continuemos reclamando sim, mas com um foco: reclamamos de algo? Ok, o que posso fazer para ajudar?

É um esforço diário, que é exaustivo, mas quanto mais forem os que tentam, mais serão os que conseguem. Não nos esqueçamos disso e paremos de no fim das contas, falar para nós mesmos e falemos para o mundo, um mundo que queremos que seja melhor.

São Paulo e a cegueira coletiva

 “Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico onde vítimas de sequestro começam por identificar-se emocionalmente com os raptores, a princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação e/ou violência.

Pequenos gestos gentis por parte dos sequestradores são frequentemente amplificados porque, do ponto de vista do refém é muito difícil, senão impossível, ter uma visão clara da realidade nessas circunstâncias e conseguir mensurar o perigo real.

É importante notar que os sintomas são consequência de um stress físico e emocional extremo. O complexo e dúbio comportamento de afetividade e ódio simultâneo junto aos raptores é considerado uma estratégia de sobrevivência por parte das vítimas.

É importante observar que o processo da síndrome ocorre sem que a vítima tenha consciência disso. A mente fabrica uma estratégia ilusória para proteger a psique da vítima”.

Essa é a explicação da Wikipédia para a Síndrome de Estocolmo. Peço desculpas por não conseguir uma fonte mais segura mas os sites da OMS  – Organização Mundial da Saúde e do Conselho Federal de Psicologia não são os melhores para busca de dados.

Da mesma Wikipédia temos a informação de que o Elevado Costa e Silva, também conhecido como Minhocão, uma via elevada que liga o centro à zona oeste, contém 3,4Km e nas minhas contas, 40 metros de largura, totalizando então 0,136 Km²

O minhocão está localizado na região central da cidade que tem 27 Km². Já a cidade como um todo, tem 1.523 km².

Ou seja, a região central ocupa pouco mais de um centésimo de toda cidade, enquanto o Minhocão 1 milésimo.

Bem, acredito que nesse ponto você esteja querendo saber a onde eu quero chegar com esse amontoado de dados. Calma, te prometo que já chegamos lá.

A questão é que aos domingos e feriados o tal Elevado Costa e Silva fica “livre” para a população e volta e meia grupos realizam pequenas festas, de juninas a blocos de carnaval.

Uma vez por ano, a nossa prefeitura também realiza um grande evento chamado Virada Cultural, onde praticamente todos os 27 Km² do centro acabam ocupados por pessoas em busca das atividades culturais divididas por diversos palcos. Outras áreas também recebem o evento, porém a grande concentração é na região central.

Nessas duas ocasiões tento estar presente: minhocão “livre” e Virada Cultura e noto a alegria das pessoas em estar nas ruas, em poder caminhar tranquilamente, em ocupar um espaço que é de todo mundo.

Acho muito bom estarmos na rua mas acho que nos falta reflexão, nem o Minhocão e nem a Virada oferecem estrutura mínima de ocupação. Nenhum dos dois espaços é 100% nosso. Porque estamos tão felizes?

Ai entra a Síndrome de Estocolmo. Nos habituamos a ficar presos em bares, baladas, ruas, avenidas e em nossas próprias casas que ao ter 1 centésimo da cidade com uma programação cultural ficamos felizes. Ficamos eufóricos com um milésimo de cidade composta de asfalto quente uma vez na semana. Não é muito triste?

Segundo o site da SVMA, a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, a cidade conta com 96 parques e praças divididos entre região centro-oeste (21), leste (32), norte (15) e sul (28). Essa mesma secretaria também afirma que a cidade conta com 2,6 m² de área verde por habitante, enquanto a recomendação da OMS é de 12 m².

Ok, temos uma descentralização do verde, mas então pra que mais um shopping na Av Paulista? Pra que tantos prédios? Porque continuamos a insistir? E mais, porque a gente se recusa a ver tudo isso?

Ah, segundo o site da prefeitura, temos 260 salas em 55 cinemas, 125 museus, 164 teatros,39 centros culturais, 184 casas noturnas, 146 Bibliotecas e 53 shopping centers, portanto se você tiver DINHEIRO e quiser ficar FECHADO, arrase, são 1.026 opções, 100 vezes que as de parques e praças.

As reflexões do fim de uma vida

Etiquetas

,

Quando rolou aquele lance do universitário que se fez passar por um candidato do Enem, pipocou na minha timeline o seguinte texto (que resumo bastante)

“Se vejo um leão, ele tem juba de leão, rugi como um leão, come os animais que o leão come e pergunto: você é um leão? E ele responde sim, sou um leão. Porque desconfiar que ele não era um leão?”

Isso ficou na minha cabeça, nunca entendi porque o programa Pânico gostava de enganar as pessoas, nunca curti ações de publicidade velada. Gosto de honestidade.

Algumas vezes, sem maldade alguma como é o caso do universitário, do pânico ou dos publicitários, acabamos sendo tomado pelo emocional.

Foi o que aconteceu com o caso do Kaique. Ele foi encontrado com uma região em que quase mensalmente tomamos conhecimento de um caso de homofobia. Ele era um jovem, negro, gay, sozinho, em uma sociedade em que jovens, negros e gays são perseguidos e agredidos por serem quem são.

Ai tivemos uma policia que automaticamente classificou o caso como suicídio, veja bem, se nós automaticamente pensamos em homofobia porque eles não? Depois disso, detalhes dos familiares e amigos dizendo que ele não teria motivos para se matar, também informações sobre como estava o corpo, e uma policia lenta que não dava informações.

Com medo, revoltados e tristes nos mobilizamos, usamos o caso do Kaique para pedir a criminalização da homofobia, de novo veja bem, a criminalização de um crime!

Agora, mesmo que não concluída, sabemos que existem grandes chances de Kaique ou ter caído ou pulado do viaduto (quebrou os joelhos, não existia uma barra e sim um osso que saiu, e faltavam dois dentes e não todos, todos fatores que sugerem queda ou suicídio).

Sabemos também que ele tinha um diário e escrevia coisas tristes. Mas oras, que adolescente não tem um diário com coisas tristes escritas? Sabemos que estava bêbado, e de novo, que adolescente não fica bêbado?

Se o Kaique caiu, temos uma tragédia, um exemplo de como a vida não vale nada. Se ele foi espancado, que mundo cruel, que coisa estupida. Se ele se matou, que tristeza ninguém próximo a ele não ter conhecimento de sua depressão, independente de seus motivos.

Mas nada disso invalida o protesto pela criminalização da homofobia, uma causa necessária, nada disso invalida nossa revolta em relação a tantos outros jovens, gays, negros (e tantas outras minorias). Nada disso foi em vão.

Lembro que amigos, família e conhecidos afirmaram que ele sempre foi resolvido com sua sexualidade, tinha aceitação da sociedade e dos familiares, ou seja, é preciso cuidado em transformar isso em um caso de suicídio por falta de aceitação. Neste caso em especial não foi a questão, mesmo sabendo de tantos outros.

Na verdade não precisamos transformar a morte de Kaique em nada que não seja uma lição: uma lição de ética jornalística, de opinião pública, de conhecimento das nossa próprias emoções, de senso de justiça, e de humanidade. De como ficamos comovidos por uma tragédia, seja ela qual for (homofobia, acaso ou suicídio).

No fim das contas é só quando nos comovemos lembramos que somos humanos e começamos enfim, a mudar alguma coisa.

2013

Etiquetas

,

Depois do turbilhão de emoções que foi o ano passado minha única expectativa era: ” Se 2013 me trouxer 50% do que 2012 me trouxe de bom já estou bem feliz” e posso afirmar agora, fazendo aquela reflexão anual, que ele foi muito melhor que o esperado.

Comecei o ano perdido, mais do que nunca sem saber o que fazer, então me dediquei a escrever. Fiz posts e mais posts com guias de viagens realizadas em 2012: Brasília , Rio de Janeiro e Belém do Pará. Terras cariocas visitei mais outras duas vezes, com a promessa de se possível não passar mais de quatro meses longe (algo que pretendo cumprir em 2014) e revisitei também Curitiba, cidade que amo apesar a frieza dos moradores da cidade. De novo só Natal, que me encantou com a simplicidade e clima de interior.

Vivendo de freelas e com muito tempo ocioso comecei a pensar em alguns projetos, o primeiro deles que foi ao ar, o tumblr Tem Que Saber Até o Carnaval (que volta já já), reforçou o meu amor pela data: comecei a ir para blocos em meados de janeiro e terminei apenas em abril. Foi em um deles que me casei com a Carol Caixeta, amiga e parceira para toda hora.

Meu casamento Março veio com tudo: surgiu o Coletivo Cordel, meu projeto carinho dedicado à brasilidades que está paradinho só esperando um pouco de atenção (de 2014 também não passa) e o primeiro casamento do ano: Teté e do Felipe, coisa linda de ver. Mais pra frente fui ainda padrinho da Shau e do Jonny e me emocionei como nunca com a Preta e o Yellow. Infelizmente não estive presente, mas acompanhei passo a passo a união do Ola com a Lalai e da Ale com o Cleber. Que delicia ver tanta gente feliz, tanto casal selando amor.

Foi nesse mês também que a Lu Franca e a Bia Sant’anna me deram uma incrível oportunidade: integrar a equipe do Portal iG. Como praticamente tudo na vida tive sorte e de repente, me vi repórter exclusivamente do iGay, o recém inaugurado canal de conteúdo LGBT do portal, comandado com maestria pelo Ricardo Donisete, que me ensinou muito mais do que eu poderia esperar.

Nesse meio tempo comecei a namorar e na mesma rapidez terminei – não era pra ser. Comecei também a escrever uma coluna com a Carol no Boatismo, dos admiráveis Thiago Frias e Bianca Pattoli, chamada “Discovery Boatismo” que propunha desbravar todo tipo de boate, foram apenas sete porque de novo o tempo venceu, mas 2014 tai pra voltar com o que é bom.

Em junho, com a chegada do dia dos namorados surgiu uma vontade: juntar amigos queridos que não tinham um par, usei a fórmula do Catho Iran, grupo em que posto vagas de trabalho (que já ajudou uma galera a arranjar emprego) e criei o Date Iran, para reunir casais. Que sucesso gente, que sucesso! Em uma semana conheci pessoas maravilhosas, em meses uni incontáveis casais e falei um pouquinho sobre a emoção de se jogar para a vida aqui. Do grupo surgiu a festa, que teve lindas cinco edições no Bar Volt, incluindo uma com speed date.

date

É impensável eu falar do Date sem citar o Michell Lott, que apesar de não fazer parte do grupo foi o responsável por todas as artes e depois viria a fazer parte de um outro projeto. Hipertalentoso, o Michell é talvez a pessoa que eu mais elogiei durante o ano.

Foi em junho também que fui pra rua, fomos na verdade: diante da barbárie cometida pela Polícia Militar nas primeiras manifestações pela diminuição da tarifa de ônibus me reuni com o Pedro Jansen e criamos o Mobilizados, um grupo de apoio aos manifestantes. Não tenho como incluir aqui todos que se uniram a nós e foram absurdamente incríveis por acreditar naquilo que estávamos fazendo mas tenho que agradecer especialmente ao Jansen, que posso dizer, se tornou ali, meu irmão de coração.

Depois de quase uma quinzena de noites sem dormir, quase ser preso e gritar muito, as manifestações tomaram outro rumo, e retornei então à minha militância pelos direitos humanos e feminismo, algo que luto diariamente. Acredito em quem está na rua e sempre que possível estarei, mas foi preciso parar e olhar onde posso ajudar mais, e tenho certeza que de onde estou posso fazer muito.

20A partir da necessidade em falar sobre sexo, igualdade, padrões estéticos e muito mais, em julho tirei a roupa, sim, fiquei nu para o Nenhuma Nudez Será Castigada. Inicialmente meu, o projeto se tornou também do Michell Lott (que fez os primeiros ensaios), da Thabata Guerra (também fotografa, modelo e entusiasta) e da Juliana Kataoka (maquiadora oficial). Não tenho como agradecer a Thabata e a Kataoka pelo companheirismo, trabalho duro e incontáveis horas de conversas e risadas.

De novo muito mais gente mergulhou na ideia e o projeto segue em construção: foram 22 ensaios fotográficos e 15 textos. No total queremos somar 40 ensaios e 40 textos que integrarão a exposição, o livro e o Tumblr.

No dia do meu próprio ensaio acabei também fazendo parte do lindo projeto “Primeiro Inventário de Pessoas e Guia de Serviços“,da absurda Julia Rodrigues, também do jeito que vim ao mundo:

nnsc

O mês, assim como agosto e setembro foi praticamente dedicado ao Nenhuma Nudez Será Castigada e ao meu trabalho no iGay. Porém me trouxe também uma novidade: o Luiz Romano, um cara especial pra caralho que surgiu em meio ao Date Iran e só foi ocupando mais espaço no meu coração. Oficialmente estamos namorando desde 01 de outubro mas nosso primeiro encontro foi no dia 06 de julho na presença de Carol <3

Em setembro rolou a 2ª Edição do Bazar Lá de Casa, lá no Estudio MOP 300, que também foi espaço para sessões do Nenhuma Nudez. O dono é o lord Raphael Prats, amigo desde o colégio, continua me apoiando sempre que possível apesar das nossas vidas terem seguindo rumos completamente diferentes. Foi também o mês que me mudei e sai da casa dos meus pais: uma experiencia libertadora e saudável que tem me trazido muita felicidade (mesmo que com certos temores pela violência da cidade).

Para outubro me dei de presente uma nova edição do Criança Viada, Tumblr que eu amo e que com certeza vai ter espaço de novo em 2014, afinal ele rende risadas para um ano todo. Criei também o Iran Reader, onde disponibilizo meus livros para quem quiser (ainda estou alinhando a logística mas quero fazer super rolar).

Novembro, um mês enlouquecedor no trabalho me deixou ainda mais próximo dos amigos de firma, em especial da Clarissa Passos e da Natália Eiras, duas das figuras mais geniais que conheci na vida; E que delicia acordar todo dia e saber que vai encarar horas de risadas, stress e ter conversas interessantes (que vão das mais idiotas às mais inteligentes).

Não menos importantes nesse ano e sempre, a família que escolhi conta, além de todo mundo que povoa este post, os maravilhosos: Elias Bastos, Vinicius Ferreira, Alcides de Lima, Thais Orlandi, Carol Patrocinio, Fergs Heinz, Tatiana Cancoro e Sofia Iwatani. 

Dezembro ainda tai em aberto. Vamos ver o que o mês derradeiro me reserva, mas posso já afirmar: 2013 foi um bom ano e espero de verdade que 2014 venha para fechar esse ciclo de projetos e alegrias começado em 2012 e permita dar um pontapé para novas coisas.

Vale lembrar que além de um agradecimento a todos que fazem da minha vida algo positivo, esse post é também um exercício para tentar ao máximo guardar o que de bom aconteceu e deixar pra traz o que não era pra ser.

Mini guia de novidades culturais do Rio de Janeiro

Etiquetas

, , ,

Passei o ultimo fim de semana no Rio de Janeiro e com o tempo mais ou menos me dediquei a desbravar alguns espaços culturais que não tinha conhecido ainda (e que portanto não tinham entrado nesses guias aqui). Por indicação do Edu Castelo acabei conhecendo o MAR – Museu de Arte do Rio e a Casa Daros:

MAR

Aos moldes do museu Rainha Sofia em Madrid, o MAR integra um prédio antigo, o Palacete Dom João VI, que foi tombado como patrimônio histórico com um moderno edifício que sedia a Escola do Olhar. Para interliga-los, foi criada uma rampa e uma impressionante cobertura que abriga um charmoso restaurante, projeto de Paulo Jacobsen, Bernardo Jacobsen e Thiago Bernardes.

A ideia do Museu e apresentar a história da cidade, particularmente não me interessei pela exposição sobre o tema, até porque notei que minha predileção é por arte moderna e contemporânea, mas a visita é valida, mesmo que só pelo espaço.

Vale dedicar um tempo para assistir as cinco performances da artista Berna Reale, “Vazio de Nós”, do Belém do Pará (a cidade hype do momento). Cru, violento e pesado, o trabalho da artista é absurdamente impactante. Fica em cartaz até 29 de dezembro.

Casa Daros

Unindo modernidade e tradição, a Casa Daros conquistou o lugar de espaço cultural preferido no Rio de Janeiro. Localizado em Botafogo, próximo ao shopping Rio Sul, a casa é um antigo colégio reformado para abrigar atividades artísticas latino americanas, mas nada que se assemelhe ao acervo do paulistano Memorial da América Latina, ou seja, nada datado ou folclórico.

O casarão neoclássico do século 19 conta com um pátio interno incrível que atualmente recebe a exposição Artoons, de Pablo Helguera, os cartons dedicados à critica da arte são além de espirituosos bastante palatáveis a todos, ficam expostos até março de 2014.

O pátio também é uma extensão do restaurante e café do museu, que com certeza se destaca entre a terrível culinária carioca (em especial o brownie com sorvete). Contrário também aos hábitos dos trabalhadores do Rio de Janeiro, o atendimento é primoroso: funcionários e monitores atentos, simpáticos e educados.

Imperdível mesmo é a exposição Lumière do argentino radicado na França Le Parc. Uma dezena de salas enormes que abrigam o lindo e comovente jogo de luzes do artista. Fica em cartaz até fevereiro de 2014.

Informações:

Museu de Arte do Rio
Praça Mauá, 5, Centro
www.museudeartedorio.org.br

Casa Daros
Rua General Severiano 159, Botafogo
www.casadaros.net

De pequenos e inofensivos comentários, vamos todos ignorando que o machismo ainda existe e tornando seus atos algo banal

Etiquetas

, , ,

Me deparei ontem com um comentário no Facebook feito por um amigo afirmando que um ator se portava como viado, no sentido de efeminado, mais delicado e menos “machão”, o que faria com que ele não se enquadrasse como um simbolo sexual portanto não seria uma figura que despertaria interesse nas mulheres.

A pessoa que realizou o comentário não tem traços de homofobia e tampouco se mostrou machista durante os anos que nos conhecemos; porem teve uma atitude muito comum a todos nós: não consegue enxergar o peso de seus pequenos comentários.

Cada um tem sua opinião, cada um tem seu gosto, porém a generalização dessa opinião e desse gosto acarreta uma série de questões e para aponta-las vou precisar dar uma pequena volta pela questão da igualdade entre homens e mulheres, mas tudo muito breve e até sinto dizer, um pouco superficial.

Milhares de anos atrás por serem fisicamente mais fortes do que a mulher os homens passaram a se considerar e serem considerados superiores que seus pares femininos.

Séculos se passaram e no começo do século 20, com a primeira guerra mundial (1914- 1918) e a morte de milhares de espécimes masculinos, passaram elas a exercerem as funções antes dedicadas apenas a eles, incluindo o voto (1918 na Inglaterra), ato indispensável nos sistemas democráticos.

Note que isso faz apenas 95 anos, há chances de você inclusive conhecer alguém vivo com essa idade. No Brasil, esse tempo é mais curto ainda, o primeiro voto feminino foi em 1932, 81 anos atrás.

Mas tudo é processo, temos mais de 2 mil anos de uma humanidade que acreditou que a mulher era inferior ao homem contra 95 anos de direitos igualitários, falando restritamente de voto.

Avançamos e chagamos então à década de 60, onde a pílula anticoncepcional foi inventada: rompemos em tese, a última barreira para a liberdade feminina, onde a mulher deixa de se tornar fragilizada ou passível de proteção por estar gerando outra vida.

Até a pílula ser amplamente utilizada e normatizada contamos uma década, ou seja, anos 70, 43 anos atrás.

Se pensarmos superficialmente 43 anos é o suficiente para eu com 20 e poucos anos já não ter vivido uma discriminação massiva contra mulheres, 43 anos fez com que meu pai e minha mãe achassem que eu deveria saber realizar tarefas domesticas, 43 anos fez com que eu soubesse que em questões de direitos e deveres não existe distinção entre homens e mulheres.

Mas 43 anos não foi suficiente para toda a sociedade. Nesses 43 anos a publicidade se intensificou, os padrões de beleza ficaram cada vez mais rígidos e instaurou-se uma confusão:  como deve ser um homem e uma mulher, quando perdem seus papeis tão bem desenhados?

A resposta é simples: como ele e ela quiser, mas a sociedade precisa de rótulos, precisa de uma meta a se atingir portanto definiu-se que a mulher tem que ter força, garra mas deve ser principalmente “feminina”, curvilínea e bem arrumada enquanto o homem tem que ser “macho”, másculo, bruto, ainda que só superficialmente porque ele precisa ser no fundo educado, respeitoso e ter estilo.

Ao desqualificar o ator como viado e efeminado, e portando, não qualificado para os padrões estabelecidos para um simbolo sexual meu amigo justifica: mas o que tem de errado se gostar de alguém másculo, ou de alguma mulher por ser feminina? Sempre teremos artistas que serão símbolos sexuais  por essas características, afirmou ele.

Respondo então depois de toda essa volta: Não é porque “sempre teremos” ou porque “sempre tivemos” símbolos sexuais  nesse molde masculino voraz e feminino delicado que significa que ele é certo.

E vou um pouco além, inconscientemente, acredito que meu amigo repita uma falha histórica:  ao tratar o ator como viado (no sentido de efeminado)  ele afirma que aquele homem é menos homem, portanto mais mulher, portanto algo menor em relação ao homem, e menos interessante para a própria mulher.

É preciso que nos policiemos individualmente para que terminemos com os rótulos, sejam eles quais forem, principalmente se esses rótulos forem associados ao másculo e ao feminino. Hoje, 43 anos depois as mulheres ainda ganham menos, são ainda assediadas verbal e sexualmente e esse pequenos comentários estimulam que essas coisas sejam consideradas normais, eles não podem acontecer, precisamos parar de achar normal essa dualidade tão arraigada do forte e agressivo masculino e do frágil feminino, passível de coerção.

Por se tratar de um debate e não uma briga esse amigo afirmou que acha que minha posição é extrema, chata e até um policiamento do politicamente correto, mas veja bem, meus debates não são a esmo, eu busco tê-los com quem tem abertura e repertório para dialogar e se não puder faze-lo com quem está próximo, como posso querer mudar algo em larga escala?

Posso sim estar sendo extremo, e até um pouco chato, mas tendo em vista que uma questão pra mim tão clara e tão errada como o desrespeito continuo contra as mulheres me dou ao direito de fomentar debates, principalmente com quem me é caro, quem sabe com mais pessoas extremas e chatas no mundo, com questões grandes e pequenas, a gente não consiga finalmente ser igual?

O terrorismo do quartinho

Ontem enquanto esperava para passar minhas compras em um mercado no centro da cidade presenciei mais um triste momento do que somos: um homem, cerca de 30 anos, bastante alcoolizado, talvez drogado, lutava para passar seu cartão e pagar sua própria compra.

O “fiscal” como é chamado o segurança do local o pressionava enquanto a fila crescia, depois de uma discussão de quase 10 minutos o homem agrediu o funcionário. Ai tudo começou: a correria, a luta, o sangue.

Depois de conseguir com a ajuda de dois colegas segurar o homem , o fiscal bradava, “você vai pro quartinho e sabe o que vai te acontecer”. O desespero do homem cresceu, e eu impotente liguei para a policia. Assim como o homem, eu sabia que a partir dali se iniciaria uma sessão de “correção”, de vingança, de violência extrema.

Por algum motivo que desconheço, enquanto eu telefonava o fiscal desistiu da coça e levou o homem para a calçada onde eu estava.

Com ambos mais calmos, pedi que o fiscal soltasse o homem e me falasse quanto era a conta dele, expliquei que me responsabilizaria por levar o homem ao hospital e depois à delegacia para que ele assumisse a agressão que havia cometido.

O fiscal nervoso me explicava que não era pelo dinheiro, era pela folga, era pelo soco que levara.

Ora, se você é fiscal, segurança, ou policial, sua função é assegurar, é fazer com que o ambiente esteja protegido e não educar alguém, e não agredir alguém.

Entendo que não são profissões bem remuneradas, que não são profissões fáceis mas deveriam em tese ser exercida por profissionais bem treinados, calmos, e humanos.

O homem fugiu poucos segundos antes da policia chegar ao ser atacado por mendigos que “protegiam” o mercado, a pauladas, literalmente – mais justiceiros da violência.

Demorei para escrever esse texto, reavaliei se fiz o certo e no fim das contas e mesmo insatisfeito sei que fiz o que me cabia fazer: chamei as autoridades, ,tentei solucionar o problema, controlei como pude a violência e principalmente, notei quantas vezes me vi diante da situação do terrorismo do quartinho e nada fiz.

Violência gera violência e enquanto a gente não colocar em xeque o uso dela, nada vai melhorar. Não fui corajoso, não fui heroico e não sou melhor do que ninguém, mas posso hoje afirmar que depois de muito exercício tenho olhado as situações com uma humanidade que falta no mundo. Se você puder fazer o mesmo fico feliz.

A proposito, 6 reais era a quantia que o homem havia gasto.

Pra ser o defunto mais rico do cemitério?

Essa expressão sempre me marcou e de certa forma sempre concordei, minha relação com dinheiro é complexa, como acredito, seja a de todo mundo.

Com o passar dos anos percebi que quero sim dinheiro, mas não o suficiente fazer o que for preciso ganha-lo. Minha moral e ética se fortaleceram, minha militância tomou corpo e principalmente a minha relação com o trabalho se mostrou fora dos padrões.

Tenho apenas 24 anos e estou encarando minha 5ª profissão, tais mudanças me permitiram conhecer mundos incríveis, viver coisas fodas e principalmente me fez ser eu mesmo.

Durante a adolescência e pós adolescência me peguei temeroso muitas vezes, vindo de uma família tradicional, com parentes que passaram a vida em uma única corporação e entendi desde cedo que eu não caberia naquela estrutura.

Precisava, portanto encontrar uma profissão, A profissão, aquela que iria me fazer feliz, bem sucedido e claro, rico. Ledo engano, não encontrei uma, mas cinco profissões que amo mesmo nenhuma delas dando dinheiro.

Poderia me conformar, poderia inclusive aceitar a máxima do “pra que dinheiro, pra ser o defunto mais rico do cemitério?” e ir levando a vida. Mas ai eu não seria eu.

Eu, Iran, quero viver intensamente essas cinco e as próximas cinco profissões (e as tantas outras que posso ter), mesmo que tome 10, 12 horas do meu dia, desde que me de prazer, e quero que a união delas me de dinheiro para que eu possa ter não só mil profissões, como mil obras de artes, mil carimbos no passaporte, mil projetos incríveis que mudem o mundo, para que eu tenha mil tudo.

Mas Iran, “quem muito quer nada tem”, bobagem, eu sei o suficiente para ser bom em tudo que eu faço, não ótimo, não um “especialista” mas amo isso, porque no fim das contas pra que? Para ser o especialista mais sabido do cemitério?

Geni foi minha primeira prostituta, Geni é você

Eu tinha coisa de 10 anos quando meu pai cantarolou pela primeira vez: “Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa pra cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni”, e ao contrário do que se espera, no lugar do choque me encantei. Imediatamente perguntei quem era a Geni.

A resposta, tipica de meu pai: “uma prostituta que todo mundo bate mas mesmo assim dá pra um cara pra salvar todo mundo, nessa hora todo mundo trata ela bem, mas depois voltam a bater” simples assim, sem nenhuma grande explicação, afinal meu pai é de poucas palavras e sempre me deixou tirar minhas próprias conclusões.

Com os anos conheci muitas Genis, conversei com as incansáveis meninas da Fernando de Albuquerque, estudei com outras na faculdade, dancei junto nas pistas e me encantei todas as vezes, como daquela primeira vez que ouvi o trecho da Ópera do Malandro.

Conheci também o feminismo, as feministas, ouvi meninas, mulheres, senhoras, me apaixonei pela figura da mulher e vejo que conheço delas muito pouco ainda.

Ai concluo, a Geni não é só a prostituta, a Geni é você.

O mundo está errado, e posso afirmar com toda certeza: enquanto Geni e o Zepelim não for só uma musica que representa um passado triste nada vai melhorar.

Ps: lindíssima interpretação de Leticia Sabatella

Geni e o Zepelim from Fernando Alves Pinto on Vimeo.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.