“O autor recomenda a leitura desta narrativa das duas às seis horas, comungando-se da lenta passagem entre a sombra e a luz, que se tornará leve e melancólica no começo da manhã, quando a história atinge o momento de repouso e humildade. Ou leia-se das quatorze às 18 horas, nesse instante em que as personagens ficam repletas de solidão, silêncio e sabedoria.”

Foi por conta desta introdução que comprei o livro “a minha alma é irmã de deus” (tudo assim no minúsculo mesmo) do Raimundo Carrero.

Já pelas primeiras páginas as criticas da contra capa se mostraram certeiras, Carrero é dono de uma prosa tão vigorosa quanto lírica conforme afirma Juliana Krapp do JB. Me chamou atenção também a afirmativa de que o autor trata da sociedade agrária  que convive em meio ao coronelismo (a realidade brasileira, principalmente no nordeste do país), me coloquei imediatamente a pensar quem na nossa literatura descreve o Brasil? Nos Estados Unidos temos autores contemporâneos que esmiúçam a sociedade: J.D. Salinger, William Falkner, Richard Yates e Jack Kerouac para citarmos os clássicos modernos. Mas e aqui? quem melhor nos transporta para os livros?

Machado de Assis, Graciliano Ramos assim como Aluisio de Azevedo em seu cortiço me vieram a cabeça imediatamente, mas e atualmente? Paulo Coelho com sua literatura sofrível (mas por vezes legível) que não é, Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector retratam uma melancolia universal portando estão fora, Erico Veríssimo sempre me encanta e chega muito próximo, mas seus romances são históricos e épicos, muito distantes de hoje.

Escolho portanto dois autores muito distintos na escrita e na temática mas eficientes no cotidiano, seja ele banal ou fantástico, o primeiro é Chico Buarque de Holanda que se mostrou primoroso no secular “O Leite derramado” de escrita forte, hábitos brasileiríssimos, emoções intensas de um senhor confuso, no oposto esta Claudia Tajes com uma biografia despojada que entende a mulher corriqueira, afoita por relacionamentos e amores, totalmente neuróticas, do jeito que amamos!  

Lembremos que essas são indicações de um jovem leitor, viciado em cultura pop e que classifica o bom de uma maneira menos acadêmica, mas e vocês, quem tem lido? Quem te representa?

@irangiusti

  

Social mídia, hiperativo e que resolveu assumir a coluna de literatura devido aos 3 livros consumidos por semana no perrengue da CPTM !