Hoje, como em muitos outros dos meus dias passei algumas horas em frente ao computador. Facebook e Twitter logado choveram posts e twittes políticos, arrisco dizer que 80% do conteúdo gerado foi sobre o tema, o que me deu muito que refletir.

Inúmeros amigos e conhecidos se posicionaram e me chamou atenção que não entendi ou acreditei em nenhum deles.

Eram posts despidos de conteúdo, qualidade. Apenas birra de criança!

Desde o começo da campanha optei por não escrever nada sobre o tema; primeiro por que não queria minha caixa de e-mail ou redes sociais inundadas por propaganda eleitoral, segundo porque acho que política deve ter profundidade, o que é impossível em 140 caracteres.

Eu sou, por influencia familiar, simpatizante do PSDB. Mas não temo ou odeio o PT. Votei no Serra para presidente e no Alckmin para governador. Ambos fizeram boas gestões anteriormente (não perfeitas, me incomoda muito a aprovação da progressão continuada pelo partido no governo Covas por exemplo). E para senador fui no mesmo caminho da escolha por partido.

Porém tivemos dois senadores, e no segundo voto fui de Marta Suplicy, como pessoa eu a detesto, é a perua rica e plastificada que eu desprezo, mas é também uma sexóloga que não se prende a barreiras religiosas (o que me fez soar frio em pensar na Marina como presidente) e tem um foco muito grande nas políticas educacionais e de transporte público, tópicos essenciais para mim.

E por fim os candidatos a deputados federal e estadual, pra mim os votos mais importantes dessa eleição. São os cargos de maior proximidade de nós, são acima dos vereadores o mais perto que estamos da política e portanto deveriam ter sido o de maior reflexão.

Para federal votei com o maior prazer do mundo no Alexandre Youssef , que cometeu alguns deslizes durante a campanha mas é uma pessoa inteligentíssima de discurso coerente. Conheço seu trabalho há anos e é acessível como deveriam ser todos os candidatos. Fiquei muito triste em ver que apenas 20 mil pessoas também vejam isso.

 Já estadual escolhi Salete Campari. Comentei com poucos amigos que votaria nela (e nos outros candidatos também, pelo simples fato de que são poucos amigos que tem base para conversar sobre política) e todos riram e pensaram que eu estava brincando. Ora, se eu sou gay, quero políticas públicas que defendam meus direitos, nada mais lógico do que um deputado estadual gay, e dentre os candidatos gays ela apresentou as melhores propostas. Simples assim.

A e sim eu realmente li as propostas de todos os candidatos que pensei em votar.

Todo esse longo texto serviu pra eu colocar para fora um pouquinho do que eu estou sentindo: orgulho de saber a importância que tem meu voto a ponto de não sair desperdiçando ele, orgulho de ter votado com base e reflexão. Orgulho saber que cada um que colocou uma foto da Dilma a chamando de terrorista é um ignorante (e lembre –se nem votei nela). E medo, bastante medo não por estar sendo representado pelo Tiririca, e sim pelo fato de que semana que vem todo mundo que está envergonhadíssimo pelo falo dele ter sido eleito nem sequer vai ser lembrar disso.

 Eu acredito na política, e quero com o passar dos anos fazer mais por ela e com ela. Hoje não tenho forças, não quero ser demagogo então me limito a um post, se pelo menos uma pessoa tiver uma reflexão por causa dele já está de bom tamanho, é assim que começa. =D

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