Faleceu sábado o escritor gaúcho Moacyr Scliar. E quem é esse mesmo?

Bom, pra mim o Sclier é um lindo, que eu tive o prazer de descobrir ao acaso.

Sempre tive o hábito de frequentar sebos e bibliotecas e nunca tive muito saco para criticas, então minha bagagem literária vem de “achados” nesses lugares e foi assim que descobri o Scliar.

Com 14 anos li O centauro no Jardim. Ele foi o meu primeiro contato com a literatura fantástica (termo babaca que aprendi na faculdade). O livro é basicamente uma mistura de fábula adulta com sutis colocações existencialistas.  Deveria cair no vestibular no lugar daquela merda de Sagarana.

Aos 17 uma professora me indicou A mulher que escreveu a Biblia da ótima e econômica coleção Companhia de Bolso. E de novo senti aquele prazer de descoberta. Com uma narrativa impecável o autor retrata o inicio da civilização cristã machista e escrota.

Moacyr não fala difícil, não se apega a demagogia boba, ou verossimilhança. Ele era livre e tudo isso era retratado nas suas páginas.

Ano passado na Bienal do livro de São Paulo tive a oportunidade de cobrir uma mesa em que ele participou e me encantei com sua educação e simplicidade.

Tenho saudade da época que não vivi em que escritores não eram blogueiros prepotentes como a Santiago Nazarian a Clarah Averbuck ou o Fabricio Carpinjar (que fique claro, gosto muito) mas carregam de forma muito forte essa estrutura egoica da web.

Gentileza gera gentileza (outra frase cliche babaca) mas que deveria ser mais levada a sério.

Moacyr era um lord, um mestre na construção de textos e um filosofo em trajes de médico que merece ser descoberto por muitas novas gerações.

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