Já falei da minha relação estreita com os livros em um post aqui no blog.

Fico completamente abismado com a habilidade com que alguns autores falam o que eu sinto, melhor do que eu mesmo na maioria das vezes.

E também tem a energia.

Não sei como chamar, se é destino, se é sorte, se é probabilidade. Só sei que hoje me deparo com o seguinte trecho de uma carta do Caio Fernando Abreu que faz parte do livro Para sempre seu Caio F. da Paula Dip:

Querida mãe, querido pai: não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos – quase 40 – anos. Devo estar acostumado… Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como “eu gosto de você”. Gosto de mim . Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, eu sou um escritor. Uma pessoas que escreve sobre a vida- como quem olha de uma janela – mas não consegue vivê-la.

Pena que não sou um escritor, e nem quero ser, mas acho que estou caminhando para o mesmo destino de Caio. Não é arrogancia, não é drama. É um alerta pra que eu encontre algo, esse algo que para Caio foi a escrita.

Quem sabe que com esse algo eu finalmente consiga voltar a sentir alguma coisa.


 

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