Nos últimos dias 3 posts me fizeram refletir muito. O primeiro da Rosana Herman para o youpix que fala sobre a liberdade soberba da web. O segundo escrito por Felipe Neto para o Brasil 247 é sobre a falta de limites dos jovens em relação a si mesmos e o último um desabafo da Janaina Rosa sobre os blogs de moda das chamadas It Girls.

Aparentemente os textos não tem nada a ver um com o outro, mas se lermos com cuidado e propusermos uma reflexão, todos falam sobre um problema perigoso e que vem sendo tratado com desprezo pela maioria: limites.

Ao escrever este post tomei cuidado para não parecer uma figura Ditatorial. Não se engane: não estou ditando regras, apenas avaliando o que eu considero certo e errado sobre a tão falada liberdade.

No trecho final do texto Rosana diz “Vira e mexe vemos alguém descendo a lenha em outro alguém alegando que a pessoa não tem ‘credenciais’ para falar sobre esse ou aquele tema. Ba-le-la. Todo mundo pode fazer o que bem entender na Internet, contanto que esteja dentro da legalidade” Acho justo, mas cadê a legalidade? É simples falar “escreva, faça, julgue” sabendo que a legislação para a internet, principalmente no Brasil, é quase nula.

Blogueiros e blogueiras divertidíssimos como a Alesie do TDUD, o Daniel Carvalho do Katylene, e a Bic Muller do Morri de Sunga Branca, são exemplos perfeitos da falta de limite: Com seu humor ácido descrevem cada qual a sua maneira a vida das celebridades, mas ao sofrerem algum tipo de impedimento (ação legal ou a tão ironizada responsabilidade jurídica) ficam incomodados e se dizem vitima de censura.

Ah e ai de quem passar dos limites com eles. Bic e Alesie principalmente são as primeiras a entrarem em brigas via twitter e vivem criticando os “caga regras” mas quando o calo aperta estão lá elas “cagando regra”.

Posto isso vamos ao Felipe Neto, particularmente morro de preguiça dele, acho chato, fala de mais e entendo os vídeos dele como uma hemorragia verborrágica. Talvez eu não esteja pronto para o meio pelo qual ele discursa, não tenho paciência para longos vídeos, acho que funciona muito bem para o público dele: jovens mais novos do que eu que já nasceram na era digital e assimilam de melhor forma imagens e sons. Sou da velha e boa escrita, ela é mais permissiva pro meu raciocínio “lento”.

Mas eis que li o que Felipe escreveu, um texto honesto, cheio de hipocrisias mas também cheio de verdades. Minha geração emburreceu, isso é nítido, nos tornamos cada vez mais alienados e pensamos cada vez mais que podemos fazer tudo, viver intensamente. Olha lá a Rosana e Internet aparecendo. Com o mesmo descaso que tratamos nossas vidas e somos inconseqüentes ao pegar um carro alcoolizado entramos na internet e fazemos e falamos o que queremos. E quem está no outro carro? E quem está lendo o que você escreve? E quem está sendo ofendido, humilhado e ridicularizado por aquela piada? E se fosse você?

Ai a Janaina entra na roda. Com uma maturidade surpreendente a blogueira e sinto dizer It Girl desabafa: “Vamos conversar mais sobre o que a gente pensa e menos sobre o que a gente veste, tá?”Mas Jana voltando ali no seu blog, cadê o que você pensa? Vejo o que você veste, o que quer vestir, mas só isso.

Pelo post já é possível ver que ela tem uma ótima capacidade de expressão, mas nesses anos que acompanho seu blog e seus projetos paralelos pouco vi opiniões.

A Jana é o exemplo do que acontece hoje na Internet. Ela aponta o dedo para o outro mas não reflete sobre suas próprias atitudes. Quantos tão criticados looks do dia já perdi as contas de quantos vi dela em seu antigo blog, o Casa da Narcisa ou em revistas. O mesmo aconteceu com a Kika Brandão e a Lívia Facirolli que desabafaram em seus twitters, mas vivem de postar seu cotidiano. O que as fazem diferente das It Girls socialites? Que fique claro, gosto do trabalho da Jana, da Kika, da Lívia, as sigo no Twitter e acompanho seus projetos, não gosto das tals It Girls, mas com qual direito elas podem criticar atitudes que são tão semelhantes as suas.

Os meninos do Neonicos twittaram o post da Janaina em apoio, mas o blog deles é um blog de… tendências, que faz banner, que quer estar credenciado para as semanas de moda. Um dos carros chefes do Sem Peletó do Caio Capriolli é o Look do Leitor, tem também seus looks e desejos, isso faz dele um Itboy? Isso faz ele ser melhor ou pior que os Neonicos?

Vocês entendem onde eu quero chegar? Podemos pregar a liberdade, da vida, da Internet, mas estamos olhando para nossos próprios limites? Em alguns trechos dos 3 posts que eu citei é possível identificar uma mea culpa, um “eu fiz ou faço mas acho errado” mas tá ali tão discreto, que aos olhos da público fica até difícil perceber.

Vamos sim discutir, debater, vamos escrever, fazer vídeos, fóruns. Falta isso gente: falta dialogo. Em quantas palestras você já não foi e ouviu “A, mas isso é um assunto muito complexo, que deve ser debatido com calma, em outra hora” mas oras a gente não está aqui para debater? Então fica também minha dica aos organizadores de eventos de diálogos sobre a web como Eric Messa e Bia Granja (que tenta dar voz ao povo da web mas acabou se perdendo ao dar voz a muita gente sem ter o que falar) ou de moda como Alexandra Farah e o Paulo Borges,  por favor menos palestrantes e debatedores e mais tempo e conteúdo pra ver se a gente consegue enfim conversar sobre o que a gente pensa como disse a Jana e evoluir um pouquinho mais.

Update

A Kika acabou lendo esse texto ai de cima e fez algumas colocações via twitter que eu achei super legal e pedi autorização para postar aqui!

Quero me ater primeiramente a um erro meu:

@kikabrandao diz […] o que eu estou falando. pelo seu texto, eu e livia somos blogueiras e it girls que reclamam e fazem igual.

Desculpe se ficou essa impressão,  eu só queria exemplificar com pessoas da minha timeline que fazem tweets com o opiniões tão fortes e as vezes realizam atividades semelhantes a que criticam. Mas com o texto com a compilação do tweets a baixo a Kika deixou claro que ela tem uma posição e opinião, e sabe seus limites na web:

Blogs existem há anos, mas quem está dando essa dimensão são as pessoas. Porque os blogs de gastronomia e viagem não estão hypados? Porque blogueira de gastronomia não está rica de jabá? O mercado de moda/leitores/marketing criou o monstro que é ser blogueira. O que divide é a integridade, no meu blog, por exemplo, nunca existiu um post pago, e olha que recebo muitos emails oferecendo. Recrimino quem faz, não dá pra ter credibilidade assim. Você pode ser “it girl” usando roupa da Renner, é atitude e não label.

O que eu acho é o seguinte: as pessoas criam blog de moda somente para ter os benefícios, sem conteúdo criativo, a essência do blog de moda is gone, todo mundo só posta lançamento/jabá/post pago/google reader, mas a gente que coloca um freio, né? e diz “não é legal post pago”, “isso é jabá”. Ética não é para todos!

Ainda temos poucas filhas de deus com criatividade para explorar o tema, mas blogueira de moda falando de activia? It girl banalizou, tudo e qualquer coisa já nasce it. boring!

Fiquei feliz de verdade, olha como em 140 dá pra se ter uma opinião tão clara, pena que são poucos que se dispõem a responder com tanta sinceridade e tantos tweets e principalmente se dispõe a debater né?