Não gente, viado não é o gay afetado, bicha não é o gay passivo, guei não é a versão brazuca pra gay!

Pode sim, ser isso tudo que eu citei, mas na verdade isso são apenas variações linguisticas para homossexual. E posso contar? Se usadas em um contexto errado ou uma entonação equivocada vai ser ofensivo. Não adianta falar que queria dizer que estava zoado o gay afetado, afinal o gay afetado não tem porque ser desrespeitado. Não justifica !

O mesmo vale para negro: negão, neguinho, preto, de cor, nego.

Me deparei com uma frase mais ou menos assim outro dia no twitter “No Brasil é assim 100% Gay (orgulho) 100% ht (homofobia) 100% negro (ativismo) 100% branco (neonazista)”. Gente que porra de pensamento é esse?

O jornalista esportivo Rica Perrone escreveu um dos textos mais equivocados dos últimos anos sobre o assunto, não vou nem reproduzir tamanha asneira, mas segue mais ou menos a mesma linha do tweet acima.

Vamos lá amigo do twitter anonimo e caro Rica Perrone:

Você hetero nunca teve que falar para a sua mãe e seu pai que eles teriam que repensar tudo o que sonharam pra você mesmo tentando explicar que você pode sim ter um futuro, uma familia se você quiser, você nunca teve que se preocupar em não conseguir um trabalho porque sua voz é fina mesmo sabendo que é um puta profissional, você nunca teve que ter medo de apanhar no meio da rua só porque esta com uma roupa diferente mesmo estando em um lugar que suas roupas não são consideradas estranhas. Você meu amigo não precisa afirmar que é hetero, você faz parte da maioria, uma maioria que dentro do possível se respeita.

Agora você amigo branco: Você nunca foi parado pela policia simplesmente por ser branco, você nunca foi medido em uma entrevista de emprego, você nunca deixou de ser atendido em algum lugar por ser branco. De novo: Você é parte da maioria. Quando falamos das cotas a justificativa é simples: Negros estão geralmente em uma posição social desprivilegiada portanto vamos coloca-los nas universidades, quebrando assim o ciclo que associa negros a pessoas pobres e perigosas.

Eu discordo da cota, acho que é uma medida preguiçosa, educação tem que ser para todo mundo, simples assim, mas como o governo não consegue uma solução para a educação vai tentando medidas como as cotas, que são generalistas e geram mais preconceito.

Pode fazer piada de viado? Pode. Pode fazer piada de preto? Pode. Pode fazer piada de loira, portugues? Pode. Mas saiba com quem e onde fazer essas piadas.

O mesmo vale para as terminologias: Chamar a mãe do juiz de puta.Pode, mesmo se a mãe do juiz for puta ninguem tá associando a pobre mãe a prostituição, que por sinal não é demérito. Linguisticamente “filho da puta” já ultrapassou o significado de prostituição, é um termo para ofender mas que vamos combinar não ofende ninguém. O mesmo vale para o “tomar no cu” que olha, deveria ser uma ofensa para mim que tomo no cu, mas não associo uma coisa a outra. O tomar no cu ultrapassou a prática de sexo anal. Ambos xingamentos são desabafos que dentro do esporte e da vida acabam sendo validos!

Agora uma torcida toda chamar o jogador gay de viado ou bicha, ou o jogador negro de macaco não pode, porque isso é ofensa.

Eu com os anos passei a não me importar e comecei a esclarecer meus amigos heteros, já ouvi muito viadinho pra lá, bicha pra cá. Já tive muitos amigos que apanharam e ouvi muitos “gostaria de não ser gay” .

Você amigo hetero já pensou algo como: Gostaria de não ser hetero? Gostaria de não amar? Gostaria de não ter prazer?

Ao fazer piadas consecutivas, comentários desnecessarios você está fazendo alguem se sentir mal pelo que é, e principalmente faz com que eu tenha que me afirmar gay para ter respeito assim como as mulheres tiveram que se afirmar mulher para que você homem, hetero e branco a respeitasse.

Então vamos refletir antes de falar e principalmente ao entrar em discussões sobre preconceito e homofobia, porque todo mundo acaba perdendo a razão, como Rica perdeu, como os gays que o criticaram perderam.

Ah e obrigado Twitter, por esse show de intolerância e asneiras!