Dia desses um conhecido da família viajou para a China, minha irmã e minha prima junto a algumas tias trataram de encomendar suas bolsas falsie da Lui Vuitton. Eu com a minha delicadeza habitual falei “Ai sério, como vocês são cafona, acho ridículo coisa falseta”. Minha tia Rita (minha maior inspiração humorística familiar) tratou de responder “Mas no terminal Lapa todo mundo usa Lui Vuitton”.

Complementando a conversa minha irmã tratou de falar “Pior você que compra coisa usada em brechó”. Mas espera, o que tem uma coisa a ver com a outra? Ai eu explico: Nesse mesmo dia eu estava com uma blusa do Mickey que comprei no Bluxo, amo essa blusa exatamente por ser antiga, com carinha de anos 80, mas para minha prima isso não faz sentido e afirmou categoricamente “Ai é legalzinha, mas eu preferia uma nova”.

Oras, eu até poderia ter uma nova, minha irmã, essa mesma da bolsa falsificada foi a poucos meses para a Disney e poderia ter trazido uma blusa do Mickey de lá, mas não ia ter graça!

Foi ai que eu pensei: ambos os atos são pura e simplesmente uma busca por representatividade. Eu pelo estilo anos 80 e 90 que tanto me agrada, elas pela sensação de poder que um monograma LV pode dar.

A diferença entre eu e elas é o valor que dou a minhas peças: para mim cada blusa, cada acessório, cada tecido me representa conforme a imagem que eu construo de mim, elas ao contrario buscam o status que a marca trás para imagem que elas querem construir. Dá para entender essa tênue linha?

Indo mais a fundo eu posso afirmar que o meu guarda-roupa é reflexo do que sou: na adolescência era composto por bonés, peças sem corte ou estrutura, com a ida para a faculdade acabou ficando mais chamativo, com mini peças e cores berrantes, em uma espécie de auto afirmação de identidade sexual e hoje se tornou um mix de peças de marca (as que eu gosto e acredito na qualidade), roupas de brecho (as mais estilosas e compradas com mais paciência e determinação) e principalmente itens confortáveis e com bons cortes para o meu corpo.

Os monogramas não me agradam, sejam eles originais ou falsos. O que me importa é a beleza e qualidade das peças, a tal LV por exemplo nunca me chamou atenção, até Marc Jacobs pedir para Stephen Sprouse grafita-las (alá os anos 80 me agradando).

Mas e o falsie Iran, porque essa birra toda vocês podem me perguntar! Bom o falsificado para mim nada mais é do que um indulto ao que eu acho errado: preços abusivos em um item e principalmente a mitificação deste item. Você compraria um chocolate Lindite no lugar de um Lindt? Provavelmente não, pois você compra o Lindt porque ele é gostoso e não porque ele é chique. O mesmo vale para aquele creme, aquela maquiagem, aquele remédio, aquele livro.

Temos que pensar duas coisas: 1) Esse negocio de valor agregado a uma marca é realmente plausível? Quando e como nós iremos parar de alimentar essa indústria das marcas e realmente pagar o valor real de algo? 2) Vale a pena mesmo comprar um item pelo status? E principalmente, vale a pena comprar esse item falsificado, que não paga impostos, que alimenta uma indústria escusa por conta desse falso status?

Não vou ser falso e dizer que não gostaria de ter dinheiro para comprar muitas coisas, mas posso ser sincero ao afirmar que eu gostaria na verdade que tudo o que eu quisesse comprar tivesse de fato seu preço real.

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