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Há um ano e meio quando resolvi fazer um TCC sobre um produtor de conteúdo LGBT me deparei com uma situação “saia justa” a Julia, minha companheira de trabalho quase pulou fora com uma justificativa super plausível: “Mas Iran eu não conheço o mundo gay, na verdade eu quase não conheço nenhum gay fora você, como vou fazer um trabalho de comunicação com eles e para eles?”. Com essa eu respondi “Mas Ju, você acha que eu conheço? Eu faço parte de uma parcela tão pequena de gays que não posso me julgar um conhecedor”. A partir daí fomos juntos desvendando esse público tão complexo e rico que é a comunidade gay, e olha, não nos deparamos com nem 1% do que poderíamos encontrar.

O gosto pela coisa ficou: a linguagem, a riqueza psicológica e como já disse, a complexidade do grupo me encantou. O mestrado que vem por ai no próximo ano deve caminhar por esse meio, principalmente para semiologia e o comportamento dos guetos.

E é sobre isso que eu quero escrever hoje, a intolerância dos guetos. Se fosse para me descrever como um tipo de gay acho que não saberia como faze-lo: Afeminado? Não afetado? Urso? Barbie? Fashionista? Pão com ovo? Enrustido? Não me encaixo em nenhum desses grupos, da mesma forma que pareço não me encaixar em nenhuma balada permeada majoritariamente por algum desses nichos que fazem questão de serem fechados e bairristas.

Mas eis que surgiu em 10 de setembo de 2009 aBalada Mixta, uma festa que começou pequeninha e quinzenal na Fun House (gueto indie de São Paulo) e hoje lota o imponente Estúdio M uma vez por mês. Não fui na primeira, a do misterioso teaser da Lady Gaga, mas já na segundona eu estava lá e foi amor a primeira vista – perdi uma outra porque estava doente  a as duas edições do RJ (quase certeza que foram só 2) porque obviamente não rolava ir para outra cidade, mas nesse 1 ano e 8 meses seguintes estive lá, em todas as edições, levando amigos, tomando bons drinks, encarando perrengue de black out e ar condicionado quebrado.

Porque tudo isso? Bom, porque a Mixta é como o nome já diz, mista. Ela conseguiu o que nenhuma outra festa vinha conseguindo fazer nos últimos anos: Mais do que juntar gays e heteros (em proporções muito discrepantes admito) uniu a comunidade gay: Riquinhos, alternativos, passivas, ativas, barbies e ursos entonam os hits do momento e os clássicos mais que pop.

Com a mudança de casa o trio composto pelo Pedro Back, Pomada e Daniel Carvalho tratou de convidar Michel Love e Alisson Gothz figuras icônicas da noite paulistana que surgiram forte no final da década de 90 para assumir o lugar da fofíssima Daniela Buarque . Essa troca pode para muitos não significar muita coisa, mas acho que merece respeito, Alisson começou junto com a Trash 80, uma festa hoje sem rumo e que já deveria ter fechado as portas, Michel era hostess da festa Grind da Loca que completou domingo 13 anos. Ambas não trazem só alegria e bafo, elas trazem história, elas representam uma cultura que preza pela indiferença da própria história.

Acho que todos nós gays, deveríamos nos dedicar um pouco mais a entender as conquistas das gerações anteriores, tão recentes, e que facilitaram tanto nossas vidas.

A Balada Mixta representa uma nova geração, a que respeita todos, que diverte, que une, e que lembra de quem fez tudo isso ser possível (ou que tenta fazer lembrar). Pedro vive a twittar Flamengo RESPECT, e eu só acho que ele só deveria twittar Mixta RESPECT.

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