A cada dia eu fico mais orgulhoso desse blog, apesar da baixa visitação eu gosto da ideia de pessoas que eu admiro tanto lendo o que eu tenho para falar, opinando, fazendo com que eu reflita mais e mais, e dando material para fazer novos posts.

Foi assim com o texto sobre a Balada Mixta, onde postei a seguinte frase:

“a Trash 80’s, uma festa hoje sem rumo e que já deveria ter fechado as portas”

A partir daí vieram dois comentários de peso. O 1º do Eneas  Neto, responsável pela Trash:

“Belo texto sobre a ótica de inclusão que a Mixta faz tão bem à nova geração. Uma pena citar a Trash da maneira que fez num texto e (TCC) que pretende tratar de respeito à diversidade. Visões distorcidas só excluem. Seria legal conhecer e entender porque centenas de pessoas encontram na Trash, independente de seu repertório debochado, uma forma de expressar a celebração à diversidade há tantos anos.”

Em seguida teve da Lalai, figura influente  na web e produtora da Postit e da Crew.

“Concordo com o Eneas nesse caso. Para mim festa que se perdeu, é festa que não tem público. Pelo que sei, a Trash é uma das festas de SP com a melhor história de sucesso. Se não fechou as portas, é porque ainda é rentável justamente porque tem um público master. Quando algum promoter fala “nao quero que mjnha festa vire uma Trash”, é pq nao sabe o que está fazendo. É o tipo de sucesso e retorno que todos almejam. Transformar uma festa num empreendimento como a Trash virou, é de tirar o chapéu e para poucos. Fechar as portas é que seria uma imensa burrice”.

Na segunda-feira o tema continuou rendendo, a Lalai inclusive levantou um ponto muito interessante:

Foi a festa que perdeu o rumo, o público que mudou, ou você que não curte mais?

Bom, segui pensando,  acho que tudo isso um pouco. A Trash é um modelo de negócio de sucesso, e isso é indiscutível, não tiro e nunca vou tirar o mérito da empresa (sim, pra mim a Trash já deixou de ser uma festa, e deve ser tratada como uma empresa, e muito boa por sinal) e conheço inclusive algumas pessoas que trabalham ou trabalharam lá.

Mas veja bem, quando disse que perdeu o rumo e deveria ter fechado foi por alguns motivos simples, e talvez egoístas: não sei o que esperar mais da Trash. Quando vou no Caravaggio preciso ver a porta para ver como vai estar o público, acho isso complicado, preguei a tolerância na Mixta, mas é inegável a necessidade de saber com quem estarei e o que esperar da festa, existem dias em que a Trash tem muita gente velha, às vezes muito jovem, às vezes muito feia, às vezes muito bonitas, às vezes muito produzidas. Me entende? Obviamente uma festa não pode barrar convidados, mas como público acabo ficando com o pé atrás.

Ai temos a “Super Trash”, ideia bacana, que propõe levar a Trash para outra casa (o Vegas no caso) e rejuvenescer a festa. Mas  temos o problema da execução: com uma produção impecável, a última que fui  tinha por tema o Burlesque  em função do lançamento do filme protagonizado pela Cher e Cristina Aguilera. Maquiador, banner, clima, tudo ok, mas eis que na pickup sobe o blogueiro pop, que faz sucesso com o público adolescente seguido de um DJ habitual da Trash que tocou “Anastacia” e deixou a pista parada, não porque era ruim, e sim porque o público de 17, 18 anos não conhecia a canção.

Ou seja, onde estava o Trash 80’s da Super Trash? Não tava, porque o público não queria. Ok, a Trash é uma marca, então, que tal pensar em algo como Super Trash POP e deixar de lado DJs e mailling habitués da casa e pensar em um novo rumo para o novo braço?

Acho complicado julgar quando um empreendedorismo de sucesso deve se retirar ou reinventar, e para ser claro cito o caso da série Os Normais: sucesso estrondoso na TV, com um 1º filme incrível e bem realizado seguido de um 2º filme sofrido e preguiçoso. Ambas as películas foram sucesso de bilheteria, mas o segundo precisava ter sido realmente filmado? Quando é a hora de parar, será que enquanto tem público é sinal que existe uma boa coisa acontecendo?

A meu ver o que falta hoje na Trash é o empreendedorismo em si, a festa segue no mesmo espaço, com a mesma estrutura e a mesma proposta e na tentativa de algo novo, como a Super Trash, pecou na execução e falta de planejamento concreto. Acho que me precipitei ao falar em fechamento, mas firmo o pé ao falar da reinvenção da festa, sempre tendo um foco que fique claro. A Mixta, por exemplo, ampliou, foi para uma casa maior, se preocupa com a curadoria dos seus DJs e o Gambiarra (que não gosto mais, essa sim porque enjoei) fez algo bem interessante ao manter sua domingueira alternativa e tendo suas  gigantes festas mensais na The Week e outras cidades, para o grande público que quer consumir as brasilidades da festa.

Temos que ter cuidado com a máxima do “time que esta ganhando não se mexe”, ela pode ser lucrativa, mas será que faz bem?