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Existe no canal pago GNT, um programa chamado Saia Justa, nele um grupo de mulheres debatem temas diversos (nessa nova temporada, pipocam também alguns homens) e quase nunca chegam a uma conclusão. Cerca de 2 anos atrás, um embate entre Betty Lago e Maite Proença ficou na minha cabeça;

Enquanto Maite contava uma experiência em uma praia brasileira e colocava a mulher segura de seu corpo, de suas gordurinhas como  felizes, em um patamar mais elevado, sendo admiráveis, Betty era enfática em dizer que gordurinha não deve ser motivo de orgulho e nem a cafonice.

Pela primeira vez não soube como opinar: e isso ficou muito claro na balada de ontem. Fui, pela primeira vez na Ursosound ,uma festa no centro de São Paulo, dominada pelos chamados Ursos (gays de barrigas proeminentes e muitos pelos pelo corpo) que como qualquer outra cultura possui linguagem própria e uma série de classificações. Não foi a primeira vez de convivio com o grupo, já fui em bares, e tenho alguns amigos ursos, mas a balada foi novidade.

Para começar, foi incrível não ser a maior pessoa da balada (grande parte dos meus amigos e conhecidos são magérrimos mauricinhos ou fashionistas), e depois, o interessantissimo  processo de flerte: é praticamente uma festa da carne, tudo é mais direto, os olhares matadores e nenhum julgamento.

Existe também o orgulho e auto estima defendida por Maite, ali eles são livres, dançam, tiram sua camisa exibindo as vastos pelos das costas e pingam de tanto dançar.

Em contraponto temos o choque estético: Estou acima do peso, tenho pelos e poderia ser considerado um urso, mas não sou orgulhoso do meu corpo, não acho o estéticamente agradável, tenho pavor de pelos em locais alternativos como costas, pescoço e bicepes por exemplo. Também prezo acima de tudo o estilo: e tudo o que a moda tem de essencial para mim parece ter de banal para a comunidade ursina: trajes sociais cafonas, bones, correntes de prata, lenço palestino, regatas com cachecol. Ou seja todo um mar de horrores.

Por ser um grupo relativamente pequeno não tem como segmentar ainda mais, o que leva a festa a ter um público de 18 a 80 anos, sem uma uniformidade estética e difícil de ser atingida pela música por exemplo.

Fiquei muito tempo me perguntando: Mas será que eles vem aqui por que gostam dessa imagem, tem tesão, ou porque o que resta pra eles é isso? O gordinho, na sociedade da magreza, teria que se juntar a gordinhos para sobreviver? Não sei, vale refletir.

Eu certamente não me empolguei, sai sem pegar ninguém (os poucos interessantes dariam trabalho e exigiriam um aproach meu, o que raramente acontece).  A música também não faz valer a visita: a única tentativa de sair do set rádio Fm foi  Dancing On My Own da Rbyn recebida de forma fria pelo público ávido por Lady Gaga. Mas vale como experiência antropológica, e achar uns parrudinhos magia que certamente não daria bola no dia a dia.

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