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Logo no primeiro semestre da faculdade tive um trabalho daqueles de quebrar a cabeça, as matérias eram História da Arte I e Análise da Imagem I.

O tema era complexo, e não sei definir nas palavras exatas, mas era algo como: “ Pegar um aspecto negativo da sociedade e tirar algo positivo sem descaracterizar a negatividade ou positiva-lo” isso através de uma performance.

Pois é!

Enfim, sei que depois de debates e mais debates eu e meu grupo, composto das ainda amigas Thabata, Raissa e Bia resolvemos pegar a vulgaridade feminina e usa-la como um fator para a emancipação da mulher. A performance foi simples e bem executada, coube a Thabata ser a mulher vulgar e até hoje devo a ela não ter pego DP de Análise da Imagem (eu tinha tirado 0,75 na primeira prova, e precisava de um sonoro 10 que foi conquistado hahaha).

Desde então minha cabeça que já era mais “aberta” por assim dizer, foi se despindo ainda mais de preconceitos.

E toda essa história, serve para dar suporte a minha admiração por uma figura vulgar e estigmatizada: Valesca Popozuda.

Eu poderia fazer um tratado sobre a emancipação feminina, sobre o papel da mulher no morro, sobre a linguagem “suja” como fator determinante na sociedade moderna. Mas isso é um blog despretensioso, e não quero ir tão longe, só quero falar de Valesquinha.

Valesca Popozuda tem 30 anos, um filho com quem tira votos inusitadas na Disney para o site EGO e é vocalista de um grupo de funk carioca chamado “Gaiola das Popozudas”, fundado há 8 anos que ficou relativamente conhecido com o funk Agora eu sou solteira

Ela também posou para a Playboy, com um retrato do então presidente Lula e a bandeira do Brasil, sendo recorde de venda da edição especial. Foi assunto ao colocar mais um litro de silicone em sua já avantajada poupança e ao sair pintada de banana no ultimo carnaval.

Eu admiro Valesca porque ela é o oposto do que eu menos admiro: do retrocesso sexual, dos preconceitos e dos “valores tradicionais”. A funkeira não deve entender o papel que desempenha, da afronta que causa ao cantar “quero te dar, dá, dá, dá”;

Valesca ou seus “produtores, não sei, também se apropriam do popular: Na época da novela Paginas da Vida em que a música tema do casal principal era  I Want To Know What Love Is da Mariah Carey, pegou a melodia e tratou de lançar “Quero te dar” sem a menor preocupação com direitos autorais. Recentemente, se inspirou no longa Bruna Surfistinha e se apropriou do bordão “Hoje eu não vou dar, eu vou destribuir” para a nova música .

Não entro aqui no mérito de educação, beleza ou bom gosto. Infelizmente não conheço Valesca, para saber se é educada, sincera ou fofa, acredito que sim, ela sabe rir de si mesmo, e isso foi comprovado no ultimo VMB em que subiu ao palco com Marcelo Adnet para cantar a versão culta e inteligente de seu hit.

Quanto a beleza e bom gosto, ali onde ela é parâmetro de estilo acredito que esteja no caminho certo, e assumindo o seu corpo e vozerão vai muito mais longe do que qualquer itgirl que eu conheço.

E como diriam alguns amigos, Valesca é a Clarice Lispector de nosso tempo, o que pode ser brincadeira, ou não, tudo depende de como você encara o que ouve, ou le.

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