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Luis Felipe Pondé é um dos meus poucos ídolos, talvez pela sua escrita solta e irônica, pela sua voz critica e debochada em um mundo enfadonho e politicamente correto, ou simplesmente por pessoalmente ter desempenhado um papel crucial na minha vida.

A cerca de um ano e meio atrás, realizei a icônica saída do armário para minha progenitora, grande problema da minha vida, que vem sendo até hoje trabalhadaem terapia. Comonão poderia deixar de ser foi um grande drama, na época houve uma necessidade intensa de me desprender dela (por ambas as partes) inclusive financeiramente.

Estudei na FAAP, uma faculdade de gente muito rica, sempre com bolsa de estudo, porém com 60% de desconto minha mensalidade ainda ultrapassava os 4 digitos e tive de assumir integralmente o pagamento das faturas. Ai fui falar com o Pondé, coordenador de humanidades, e um dos melhores professores que tive. Em 4 anos, foi um dos únicos que me fez pensar realmente.

Em algumas reuniões traçamos o que deveria ser feito para que eu tivesse um aumento da bolsa, e principalmente foram dados conselhos, Pondé tratou meus dilemas com naturalidade e sem a menor pena, me fez entender que todos temos situações difíceis, e minha sexualidade era apenas um fator da minha vida, e não deveria pautar minhas crises e relações.

Sempre o defendi, acho que ele é classe média criticando classe média (apesar de ser de classe bem alta, algo que o sangue judeu talvez impeça de admitir) e não vejo nada de errado, acho que eu gay , sou a melhor pessoa para criticar gays, assim como eu gordo, sou o melhor para criticar os gordos e eu social mídia, sou o melhor para criticar social mídia e assim por diante. Isso chama-se senso critico, pensar fora do padrão e do que foi estabelecido para você e por você.

Porém na ultima segunda-feira, dia 11 de junho, Pondé cruzou uma tênue linha da indelicadeza, com o texto retratando a mulher como objeto sexual, retrocedeu anos em pensamentos e lutas feministas, foi indelicado e ignorante. Acho que tinha razão em muito do que falou; quantos de nós em bares e telefonemas não falamos: “mulher é foda, curte homem safado né?” ou, “claro que ele só se fode, ela pisa nele e trata que nem um cachorrinho e ele deixa”. Porém faltou tato, o filosofo se blindou nos títulos de doutor para ser um machista mesquinho. Fez como os “humoristas” do CQC que vomitam intempéries sob a desculpa da comédia.

Pondé segue sendo meu ídolo, mas com esse texto infeliz me fez lembrar que até os ídolos são imperfeitos, e bastante indelicados, diga-se de passagem.

Caso não tenha visto o link no texto, o texto na integra está aqui