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Rolou ontem na novela das 20h da rede Globo, Insensato Coração a cena em que Eduardo assume sua homossexualidade para mãe. (se perdeu, a cena tá aqui).

Se você não acompanha a novela, vou dar uma contextualizada rápida: Sueli, a mãe, é dona de um quiosque na praia conhecido por ser um point gay. Toda cabeça aberta, é uma fofa e super respeitosa, até a situação chegar na  casa dela. Quando o filho conta que está namorando um amigo da família, vem o discurso cheio de frases que infelizmente são cliches nessas situações :

” Te dei a maior liberdade para fazer suas burradas”, “Ele se aproveitou de você”, “Você está proibido de ver ele”, “Você está sendo influenciado” e “Filho meu gay, não admito”.

No meu caso tive 3 grandes situações que envolveram saídas de armário (odeio o termo, assim como se assumir, mas é o que temos para definir a situação).  A primeira aconteceu por volta dos 14, 15 anos, fui pego no flagra quando meus pais encontraram as boa e velha revista G. Na época neguei, era só curiosidade, e todo esse bla bla bla,  mas a magoa e tristeza dos meus pais me marcou muito.

Em seguida com uns 18 pra 19 anos tive uma grande briga com meu pai, por um motivo que nem me lembro e a homossexualidade veio a tona.  Dessa vez foi mais tranquilo, ele que não tinha caido na desculpa dos 14 anos tratou de se adaptar a situação e fez um discurso lindo, deixando claro as limitações dele e o quanto estava se esforçando para lidar bem com o fato.

Aos 20, mais de um ano e meio depois, foi a fase final, e a mais difícil: Contar para minha mãe. 1º tinha o meu pai que sabia que ela não estava preparada, e meu grande medo era que ao me assumir pra ela danificasse de alguma forma o relacionamento deles. Não aconteceu, por muito esforço de todas as partes. Ninguém foi pacifico, ninguém foi delicado com os sentimentos, mas é assim que as coisas funcionam na minha família, então eu não poderia esperar nada  muito diferente.

Demorou muito para eu entender meus pais, eles fizeram tantos planos, tinham tantas expectativas e sempre me protegeram tanto e de repente estou eu ali, mostrando o quanto eu sou diferente e o quanto eles teriam de se adaptar a minha vida dali pra frente.

Como na novela, a primeira reação é a raiva, em todo relacionamento e situações difíceis é assim, mas o tempo trata de ajudar, e se não ajuda, faz você lidar melhor com isso ou arranja uma forma de te afastar.

Eu optei por adiar, as vezes acho que foi uma reação errada e covarde; a liberdade e o bem estar de não ter que esconder nada dos outros é ótimo, mas ao mesmo tempo é preciso uma maturidade e uma certeza que só a idade traz, minha recomendação é sempre: converse com alguém que te entenda e principalmente se entenda e lembre-se que seus pais são de outra geração, foram criados de formas diferentes e conviver em família é um processo de aprendizado de mão dupla.

Achei incrível e bastante realista a forma como Gilberto Braga tratou o momento, agora vamos ver como vai ser o resto do processo 🙂

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