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Minha família sempre teve o hábito de jogar cartas. As mais velhas (em sua maioria mulheres) jogam buraco, um carteado lento que exige atenção nos movimentos dos adversários, memória, e quando roubado é através de pequenos truques no embaralho e na distribuição das cartas.

Os homens e jovens por sua vez são afeitos ao truco, jogo simples, barulhento e que exige muita prática nas trambicagens. Ali o roubo é consentido e incentivado, sinais são combinados e as rodadas furiosas.

Nunca me dei bem no truco, e nem com o amor.

O amor jovem é um jogo de truco, onde são necessários muitos sinais e as cartas passam rápido, podem ser escondidas e muitas vezes minimamente sinalizadas.

O amor maduro em contrapartida é elegante, as cartas são trocadas com cautela, pode ser sujo, mas prefiro entende-lo como acontece na minha família, sendo jogado limpo.

Me resta saber apenas se algum dia terei sorte e prática para o longo jogo que é o amor das rodadas de buraco.

Por hora me dedico apenas a paciência, que encontra também no seu nome original um irônico e verdadeiro significado: solitarie

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