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Durante a infância pobre eu era a pessoa mais econômica e produtiva financeiramente que o mundo já conheceu, o que me levou a ser um adulto descontrolado e com o nome sujo no spc desde que comecei a trabalhar a 7 anos.

Um fator muito importante na infância pobre era o VR, vulgo vale refeição ou Ticket. Na época ainda não existia essa palhaçada de cartão e era tudo no papel, e meus pais no começo do mês chegavam com um talãozinho divino e levavam a gente pra comer pizza.

O maravilhoso do VR de papel é que uma vez a cada duas semanas, mais ou menos, eu tinha o meu próprio VR. Ele na verdade era metade do valor diário que minha mãe tinha pra almoçar, ou seja 7,50 dos estratosféricos 15 conto.

Como eu estudava na Lapa, conhecia absolutamente todos os locais que poderiam me ajudar a ter uma confortável vida burguesa, o que incluía os camelos que compravam: VR, passe escolar, vale transporte empresarial, entre outros. Tudo ali na 12 de outubro, uma mini 25 de março da zona Oeste.

Um VR de R$7,50 era vendido a R$ 7,00 (a lá a lição de juros e lucros na infância pobre) o que me deixava praticamente um milionário e com a quantia:

– Almoçava 3 salgados grandes (no geral coxinha e bauru, esfiha era um pouco mais caro) e tomava um suco de maquina, escolhido pela cor, afinal o gosto sempre foi um mistério. Tudo isso por 2 reais.

– Ia ao cinema no shopping West Plaza, que custava algo entre 3 e 4 reais a meia entrada.

– Com o troco do cinema, passava na lojas americanas e no esquema da vaquinha comprava uns petiscos para a sessão, geralmente biscoito de polvilho e bolacha Bono de doce de leite (única extravagância que eu tive na infânciapobre: bolacha bono)

Ou seja, o que gastamos hoje com uma água e um pão de queijo fazia o meu dia a coisa mais emocionante e movimentada. Saudades da infância pobre nessas horas viu.

Esse post é baseado no maravilhoso Tumblr da Juliana Kataoka  que me autorizou a roubar o tema