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Confirmou: minha vida esta voltando aos trilhos e um dos sinais é a forma como tenho conseguido administrar meu tempo e voltar a frequentar o teatro.

Sempre amei cinema e ao escolher uma profissão cogitei seriamente a 7ª arte mas acabei tomando outro rumo que me fez muito bem e com o tempo me aproximei do teatro.

É no teatro que mais me emociono, sempre falo pra todo mundo que quer passar vergonha é só ver uma peça dramática, saio passando mal ahhaha.

Essa semana fiz jornada dupla, então o post vai ser longo afinal ambas as opções merecem destaque:

Hedwig e o Centímetro enfurecido

Luther é um afeminado rapaz alemão, que vivera no lado socialista do país até se apaixonar por um oficial que promete a travessia para o capitalismo desde que realize uma cirurgia de mudança de sexo.

A operação não sai como esperado e Lhuter se vê preso em um corpo estranho que conta com um órgão sexual de 1 centímetroque dá nome a montagem, a partir dai assume o nome de Hedwig e passa a se apresentar em bares como uma rock star.

Em paralelo, Hedwig persegue um famoso cantor do qual espera créditos pelo sucesso.

A história que já foi filmada em 2001 ganhou uma brilhante montagem brasileira. A personagem principal é representada simultaneamente por Pierre Baitelli e Felipe Carvalido, enquanto seu marido ganha vida pelas mão de Eline Porto.

Música, cenografia e adaptação de texto são impecáveis. Felipe está muito bem e Eline, essencial para a montagem demora a ganhar respeito, culpa do Zorra total que nos deu Julinho Play para comparar com qualquer personagem masculino interpretado por uma mulher.

Mas o show é de Pierre, lindo em todas as suas facetas (além da transexual interpreta também um recatado adolescente e o tal rock star em alguns momentos). Com uma voz que já chamara minha atenção em O despertar da Primavera. O ator está completamente a vontade no papel, crível e cativante a cada frase.

A opção por apresentar uma figura tão complexa quando Hedwig por meio de dois atores só enriqueceu a montagem. Um jogo instigante de cena ajudado pelas vozes do trio ficam perfeitamente encaixado nos acordes e sons de Pedro Nogueira, Fabrizio Iorio, Melvin Ribeiro e Diego Andrade que compõe a banda.

Tudo gira em torno da vida daquela coisa, nem homem nem mulher, vitima da vida, de um erro médico e do amor. Sempre penso o quanto é difícil para um transexual viver em um corpo que não é seu e a peça vem cavar um pouquinho mais essa angustia.

Contramão

Semana passada me deparei com uma indicação do blog Artview : a leitura do mais novo texto do carioca Luciano Mazza, que confesso nada conheço. O chamariz era a temática, a história de dois jovens agredidos com lâmpadas na Av. Paulista. Infelizmente o texto foi construído em cima de clichês. Primeiramente ao transformar os agressores em fundamentalistas, segundo pela forma linear que é composta a montagem e por fim, pela construção de alguns diálogos.

Veja bem, reconheço que existam grupos neo nazistas que odeiam gays, assim como negros, nordestinos e as minorias em geral, mas hoje não são eles que dominam, é a intolerância, rapazes e meninas heterossexuais são extremamente hostis e eles na maioria das vezes são os que nos agridem. Falo por experiência, alem das chacotas esporádicas de playboys já tive dois casos, um de um segurança que me ameaçou em uma balada hetero e de uma senhora que espantada com uma conversa que estava tendo com uma amiga se levantou e saiu proferindo barbaridades.

Em relação a estrutura é um gosto pessoal, senti falta de movimento, de surpresas e de emoção e os textos por vezes pareciam sair de livros água com açúcar, um pouco culpa da literatura gay tão pobre.

Mas temos os atores, ah os atores: a começar pelo casal protagonista: Thiago De Rogatis  e Fabio Lucindo. Enquanto o primeiro consegue em 15 minutos de leitura conquistar a platéia com seu charme o segundo torna humano e próximo uma figura tão recriminada que é o gay afeminado e aparentemente passivo. Fabio inclusive está em cartaz com a já tão falada por aqui Música para cortar os pulsos onde representa o papel que era do Kaue Teloli.

Dos coadjuvantes não tem como deixar de falar do Gustavo Haddad, interpretando um dos agressores menor de idade, com poucas falas Gustavo passa tudo o que se espera do delicado papel, acredito que Hoje é dia de Amor tenha sido pra ele uma grande experiência, afinal um monologo nu no Satyros faz de qualquer ator um profissional melhor. Tem também Haroldo Ferrari que está na peça Doze homens e uma sentença no Tucarena que assisti semana passada, e em abas montagens transita entre o drama e a comédia com uma rapidez que a tempos não via

Mas assim como em Hedwig temos um destaque, que aqui vem duplo, ou dupla se preferir: Debora Duboc e Rosaly Papadopol, ambas sinceras, emotivas e extremamente maternais. Foram praticamente as únicas que se movimentaram nas cadeiras, Rosaly chegou a interagir com o suposto filho e Debora chorou em um de seus discursos emocionados. Ambas não possuem nem de longe o reconhecimento que merecem e acredito que o caminho é torna – las as protagonistas, quem sabe não seja a perspectiva que fugirá do cliche.

Crontramão faz parte do projeto Letras em Cena do Masp que todas as segundas abre as portas do seu auditório para leitura de textos variados, de montagens clássica a novas peças que nem ganharam os palcos como é o caso de Crontramão.

Recomendo firmemente o click em cada um dos links que permeiam esse texto pois vão direcioná-los a ótimas oportunidades e a acessar o trabalho de atores incríveis e que merecem reconhecimento.

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