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Pelo menos duas vezes por semana pego um ônibus ou trem lotado, e olha, só quem já pegou um trem sentido Francisco Morato as 18h sabe o que é desespero, mas (sim, sempre tem um mas) as coisas já foram piores.

Além de uma infância pobre eu era meio pau no cu e tive uma infância rebelde. Até 8 ou 9 anos não saia de casa de chinelo, camiseta amassada ou cabelo despenteado, hoje 14 anos depois quem me conhece sabe o quanto eu mudeis e pra quem não conhece é meio simples: amo roupa de brechó, já fui barrado na boate pq colei de havaianas e não sei o que é ferro de passar roupa.

Dentre as mudanças, teve o que eu chamo de o grande erro da infância pobre que foi querer vazar da perua da Tia Zaíra. Em minha defesa eu tinha 12 anos e perdia a programação televisiva do almoço vibe Chaves e os desenhos da Cultura porque o Tio Renato (filho de Tia Zaíra que dirigia a van, afinal Tia Zaíra era uma empreendedora e nome da marca e só ficava botando ordem no puteiro) deixava o meu condomínio por ultimo sendo que ficava a 5 minutos do colégio, vulgo 2 pontos de ônibus.

Obviamente eu me sentia muito adulto, porque né: cozinhava minha própria comida, era o 1º lobinho da alcateia no escoteiro (e depois monitor da minha tropa tá!) então não fazia sentido eu não poder voltar sozinho pra casa, até planilha montei com os custos / benefícios.

Daí foi só ladeira abaixo: do bumba parti pro trem que se hoje, como disse é desespero, 10 anos atrás era pânico. Pra começar não existia esse negocio de segurança, o vagão andava de porta aberta e geral ia pendurada, literalmente. A trilha era composta de passos no teto, porque sempre tinha um babaca que surfava e do truco – a Ana Laura fica inconformada toda vez que eu conto que nego joga truco no trem lotado, mas é uma realidade e eu nunca afeito ao jogo participava passando as cartas (por motivos de leis da física nem sempre era possível a galera da partida ficar perto então a gente dava um help e passava as cartas né) ou cortando o monte.

Agora com absoluta certeza a maior tristeza da infância pobre era o fumo. Quando um pouco maior e fumante todo mundo me perguntava: mas porra você fuma e não curte o cigarro no trem? Gente deixa eu esclarecer: uma coisa é 3 Marlboro Light no dia outra são 50 minutos de Derby em um espaço com 10 vezes mais pessoas do que cabe. Isso porque eu não to contando do ultimo e primeiro vagão que tinha maconha ou aquela coisa que o povo fumava com cheiro de merda de cavalo.

Infelizmente esse processo como falei no começo ainda faz parte da minha realidade, mas tudo bem, afinal as coisas melhoraram, só sinto falta da galera, porque né, infância pobre que é infância pobre tinha lugar marcado no bumba🙂

Esse post é baseado no maravilhoso Tumblr da Juliana Kataoka  que me autorizou a roubar o tema