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Sempre fiquei intrigado pelos destinos do metrô, não digo as funcionalidade técnicas e coisas do tipo. Que fiquei claro não sou uma dessas pessoas que colocou os pés em uma estação européia aos 20 e poucos anos, pelo contrário, desde que me conheço por gente me movo pela cidade através dos trilhos.

É um encantamento, uma melancolia mesmo.

Um amiga, de fortes tendências suicidas uma vez me disse: é muito difícil pegar metrô e não ter uma vontade de me jogar nos trilhos.

Existe algo de hipnótico naquelas linhas. Não, nunca senti vontade de me jogar, pelo contrário, tendo a ficar reflexivo, sentindo aquele vento frio com odor de nada tocando meu rosto.

Talvez seja a incongruência dessa coisa mecânica em meio a algo tão orgânico que é a terra, como se a natureza transpusesse o concreto.

É um amor de pequeno porte que sinto: honesto, tímido e irracional, por algo que me ativa os pensamentos. Vai entender.

Ah, e a amiga? Bom, ela nunca se arriscou entre os ferros, optou sabiamente pelos psicotrópicos. Felizmente nunca tive de recolher a eles, ou infelizmente, pois gostaria muito de expurgar essa magoa que sinto a tantos anos com pílulas e tratamento mas só me resta escrever.