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“Eu, tenho orgulho da minha cor, do meu cabelo e do meu nariz, sou assim e sou feliz, índio, caboclo, cafuço, criolo” com essa linda frase Criolo encerra Sucrilhos, faixa do álbum Nó na orelha e foi com essa frase que começo esse triste texto.

Nesses últimos dias de Rio de Janeiro minha admiração pelo negro aumentou, apesar de nunca ter tido um relacionamento afetivo com um afro – descendente para sermos politicamente coretos (como se isso fosse correto né?) sempre senti atração, mas isso não vem ao caso o que importa aqui é que o corpo negro é lindo, seja o deles, seja o delas, mesmo tendo conhecido Monalisa, uma morena lindíssima que no auge da bebedeira reclamava de seus cachos em um contraponto as madeixas lisas da minha amiga oriental (que mal sabia ela ser produto de um alisamento).

Ai temos o primeiro ponto que me fez escrever esse post: a falta de referencias que negros tem de beleza: identificação mesmo, que dificulta que Monalisa se enxergue tão linda quanto é. Posto isso temos a falta de referências para que eu, rapaz branco, não seja preconceituoso.

Sim, sou preconceituoso, aqui poderia ser mais ainda se não tivesse cuidado com a minha escrita e citasse apenas o clássico e pavoroso “até tenho amigos negros” Não, não é até, é simplesmente tenho amigos negros, alguns melhores amigos inclusive e minha madrinha de crisma que eu mesmo escolhi ao contrário da de catequese, mas são eles minoria, porque dentro do meu grupo social eles são minoria, simples assim.

Mas até ai onde está o preconceito? O preconceito esta no meu temor ao ter dois ou três negros caminhando rapidamente atrás de mim ou entrando com cara marrenta no ônibus, obviamente se fossem brancos marrentos eu também teria medo, mas com certeza não automaticamente como se fossem negros.

Em uma conversa com a Fergs (uma das muita que tivemos durante o carnaval envolvendo questão de gênero, raça, sexualidade etc) perguntei: um dia esse ato horrível, apesar que inconsciente vai desaparecer? A resposta dela que estudou aprofundadamente o tema foi enfática: não.

Chegamos portanto ao consenso que estou no caminho correto; admito essa minha infuncionalidade, resquício da sociedade escravocrata e desigual onde associei inconscientemente a figura do negro a violência e trabalho para que ela me afete cada vez menos, defendo as medidas afirmativas como cotas para que tenhamos cada vez menos disparidade social entrelaçada a questões éticas e poder um dia passar para frente seja na educação de um filho, sobrinho ou outros, os valores de igualdade que tanto prezo; o que será feito com o mesmo cuidado e exercício diário que faço para diminuir essa coisa que me incomoda tanto chamada preconceito.

Todo esse processo é dificílimo, principalmente o de se admitir isso, meus valores, minhas crenças são completamente contra isso e é difícil pensar que faço parte dessa cultura horrenda. É triste e muito, se perceber algo que abomina tanto, mas o importante é não deixar esse mal vencer e ser disseminado para as novas gerações. Enquanto isso escrevo um texto que espero ser entendido por todos e compartilhado, pois carece de um debate infelizmente hoje ignorado de um comportamento e reproduzido por grande parte da sociedade.

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