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Depois do texto sobre preconceito que postei na quarta segui com o assunto na cabeça, o tema tão complexo tem sido tema de mestrados, doutorados e outros tantos trabalhos acadêmicos por um motivo certo?

Em contra partida ao posicionamento enfático da Fergs que disse que eu dificilmente me livraria desse preconceito o Alcides, um dos meus melhores amigos (e negro, o que repito não faria diferença se não estivesse aqui abordando um tema que o afeta diretamente) disse “No fundo acho que isso pode sim mudar, acredito na evolução mental, no controle dos nossos pensamentos e acho que assumir que pode ser sempre assim é muito triste e cômodo principalmente pra quem está do lado de quem aponta o dedo, até porque ninguém nasce pensando assim.” e fiquei com isso na cabeça.

Será que temos aqui uma verdade absoluta? Obviamente que não e a prova disso foi a minha relação com o mundo gay.

Há exatos 10 anos atrás tive minha primeira relação com a homossexualidade, no caso a percepção de que me sentia mais atraído pela figura masculina do que pela feminina em um filme pornográfico, dai para o click na sessão gay foi um pulo e 4 anos depois, após muita culpa e negação a revelação para os primeiros amigos.

Na época com 17 anos o discurso foi baseado em uma bissexualidade inexistente e uma máxima: “não serei aquele gay afeminado, sou gay gosto de homens“, uma dessas besteiras adolescentes. Até então não tinha nenhuma referencia gay, nem na escola, na familia, na tv, no bairro, em lugar algum, meus únicos dois conhecidos gays eram amigos que se transformaram drasticamente exatamente nessas figuras consideradas por mim caricatas e afeminadas após assumirem.

Acho que cada um é cada um e não cabe a mim julgar como foi o processo de aceitação ou firmação desses amigos. Pra mim foi a base da conversa, do passo a passo, e hoje percebo que talvez eles tenham sido mais corajosos e enfrentaram com plumas uma fase bastante complexa.

Eu sempre fui contra qualquer extremismo, e isso ainda pauta a minha vida, não vejo porque abandonar hábitos heteronormativos e me fechar no gueto gay que é tão ou mais preconceituoso que o não gueto e aprendi com os anos a conviver e me sentir confortável com todas as facetas do universo gay, sejam os gays muito afeminados, os ursos (gordinhos e peludos), as barbies (marombados e fãs do eletronico) passando por drags e transsexuais chegando até as lesbicas e os bissexuais entre outros tantos mesmo não vendo o mesmo acontecer coma maioria dos amigos que como disse são bastante preconceituoso.

Se consegui isso com o mundo gay porque não conseguiria com o restante do mundo envolvendo questões etnicas? Simples, como falei lá em cima não tinha referencias gays apenas uma questão religiosa e familiar que entende o homossexualismo como algo errado mas sem muitas explicações e a partir do desentrelaçamento com essa religião e valores familiares criei minhas referencias.

Entendo, portanto que quanto maior a minha convivência com negros menos resquícios desse preconceito terei, a grande questão é: estudei com apenas uma negra durante a faculdade, trabalhei com apenas um negro, o Alcides do começo do texto por sinal, em sete anos de labuta, é muito pouco, tá muito errado, é uma questão muito maior, não depende apenas de mim certo?

Não sei, é difcil, novamente me pego preso naquela situação que não quero culpar o outro, a sociedade ou a história apesar deles terem sua parcela de culpa, e infelizmente não percebo nenhum outro culpado que possa ser preso e finalmente me libertar do temido preconceito racial.