Hoje no trem me peguei bisbilhotando. Um senhor de aproximadamente 70 anos escrevia uma carta, no título: PRESTAÇÃO DE CONTAS, onde explicava algo a um tal senhor Valter.

Mesmo com um título tão particular não me contive; seu rosto triste me trouxe lagrima aos olhos e as grandes letras de forma indicavam um semi – analfabetismo que de alguma forma gritavam para serem lidas após tanto esforço feito.

Na carta que leu e releu muitas vezes no trajeto explicava que durante o carnaval comprara apetrechos mil para algo que não entendi muito bem, se queixou do judiciário acredito que justificando um dinheiro não recebido e explicou que pagaria não só um aluguel, como dois, somando a quantia de 270 reais.

Por fim explicou a quantidade de cadeados que usa para trancar o tal quarto e se dispôs a deixar copias das chaves por um período determinado e explanou que o risco de incêndio era nulo; não fumante e sem o hábito de acender fósforos no ambiente, não corria esse risco segundo suas próprias palavras.

Enquanto escrevia esse texto imaginei tantas historias provenientes desse momento que durou cerca de apenas 10 minutos que me martirizei por não ser escritor para poder desdobrá-las no papel.

A última e mais marcante frase lida Quanto a minha maneira de ser será para mim um eterno mistério, não que alguém tenha muito sucesso em responder tal questão.

Advertisements