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Tenho nos últimos anos feito um esforço para diferenciar comentários ácidos e humor negro de maldade. Na maioria das vezes é a mesma coisa, e o que diferencia é apenas o volume, o meio e com quem são feitos estes comentários.

Para algumas pessoas ainda falta muito, para outras, as que me conhecem a muitos anos a evolução foi nítida. Porém existem certas coisas que nunca deixarei de criticar e sim, maldizer e nessa semana surgiu uma dessas coisas: um curso sobre sexualidade feminina na web ministrado na Perestroika.

Antes de qualquer coisa vamos ao lado bom; o tema bastante interessante e dois palestrantes conceituados: Marcia Tiburi e Nelson Motta falando sobre temas que dominam mas acaba por ai.

Ai é só ladeira a baixo, o nome do curso: Bitch, oi? Um curso sobre papel da mulher chamado Vadia? A apresentação do curso: um pdf com imagens hiper sexualizadas e objetificadas aos moldes da Trip, revista que defende com unhas e dentes o feminismo e a descriminalização da maconha mas estampa garotas semi nuas e redige uma edição especial contra o tabaco. Vai entender?

Ainda sobre o pdf não vou nem comentar os erros crassos de português, até porque aqui tenho teto de vidro mas não posso deixar passar a apresentação dos professores, para começar a coordenadora do curso estampa uma foto sua apenas de sutiã (?) e no descritivo da palestrante sobre sexo tântrico se não me engano lê-se: ex vj da MTV e atriz global, pêra se pra saber falar sobre sexo tântrico tem que ser ex vj e global quero o Zeca Camargo, mais experientes e domina as artes indianas como bem já conferimos no youtube.

Por fim temos o Casal sem Vergonha que até hoje não consigo entender, visivelmente eles dominam as plataformas em que trabalham, a linguagem e até o seu público, porém são hoje os produtores das maiores asneiras da internet brasileira: os textos do portal são tão sexistas quanto anúncios publicitários da década de 50 e as listas absurdas que vão de “como saber de ela é bi” a “20 dicas para pegar mulher sendo feio” deixam as vergonhosas matérias da Nova merecedoras do Pulitzer.

Sou a favor da liberdade de expressão e de opiniões diversas mas nunca do desserviço: pra que produzir um conteúdo tão pobre? Que remete a preconceitos e estereótipos? Entendo que o casal sem vergonha quer se posicionar como um veiculo e cavucar audiência mas esse é o custo que esta disposto a pagar?

Passei a tempos do idílico conceito de qualidade suprema ate porque o que considero qualidade pode ser considerado lixo por outros mas certas coisas como esse conteúdo sexista e irresponsável é inadmissível e não me venha com “há público para isso” porque há também público para pessoas que batem em negros, nordestinos e gays, há público para os que torturam animais e assim em diante.

Esperar esse tipo de comportamento de grandes emissoras de televisão e publicações impressas já é sofrido, mas sabemos que é uma briga de Davi e Golias que não estamos ainda prontos, agora esperar isso no quintal de casa, de colegas de profissão é no mínimo triste.

E ao casal sem vergonha um pedido: sejam coerentes, ouçam e leiam suas próprias palavras Hipóteses a parte, acho incrível a capacidade das pessoas de querer definir a sexualidade do outro baseada em certos comportamentos.” Que é parte de um dos raros bons textos publicados no portal.