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Meu conhecimento em dança pode educadamente ser considerado superficial. Fora um ou dois espetáculos na infância e algumas apresentações de Ballet de uma amiga de colégio nunca tive hábito de frequentar esse tipo de espetáculo.

Não digo que foi falta de oportunidade, apenas desorganização para programar uma ida mesmo. Ai assisti no cinema Pina que valeu por basicamente tudo que perdi até hoje e principalmente, para me incentivar a ver o máximo que conseguir daqui em diante.

Mesmo dominando pouco o tema sabia da mitologia que envolvia a monossilábica Pina Bausch, uma daquelas generalidades como saber que Mikhail Baryshnikov é tão genioso quanto perfeccionista.

O documentário em questão é na verdade a costura de trechos dos espetáculos da coreógrafa pontuados por brevíssimos depoimentos dos bailarinos da companhia sobre Pina.

Pelo que entendi os espetáculos eram colaborativos onde o papel principal da coreógrafa era extrair a alma de cada bailarino. Não tenho o que falar das locações absurdamente lindas e muito menos dos enquadramentos e montagem do filme e por isso gostaria de compartilhar minhas impressões sobre a dança principalmente.

Foi inevitável não pensar na relação juventude x velhice, em quanto os mais jovens desempenham performances malemolentes e ágeis os mais velhos primam por algo indescritível, mesmo visivelmente mais rígidos são capazes de emocionar e prender seu olhar como nenhum dos mais jovens consegue, percebi então que nada sei sobre a dança. Não sei ainda, se no meio, o jovem é também cultuado como na maioria das áreas; Acredito que não, afinal até eu, tão leigo, notei que isso seria um absurdo.

Outro ponto relativamente manjado e aqui muito evidente é a habilidade que cada bailarino tem em representar emoções tão forte através do corpo, Pina é este grande nome da dança contemporânea por um motivo: claramente incentivava a externalização: passos rígidos, repetidos exaustivamente até a respiração pesar e o transpirar dos corpos, que muitas vezes lutam contra elementos da natureza: terra, água, rochas e assim por diante, nos deixando a beira do desespero.

Por fim a sexualidade, em especial a homossexualidade; em uma das apresentações um homem clama pelo amante, em outras duas cenas distintas dois rapazes coreografam com roupas femininas. O segundo, em uma androgenia que não lhe pertence; De rosto másculo dança com uma delicadeza e feminilidade tocante.

Pina é composto de corpos e rostos que tão bem apresentados já são familiar ao fim da sessão, deixando a impressão de que a coreógrafa teve, nada mais que o êxito de dar uma forma a alma.

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