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Neste sábado desci para fumar um cigarro no meio da tarde. Na área comum do prédio me deparei com um grupo de oito crianças entre sete e dez anos mais ou menos, eram cinco meninas e três meninos e não pude deixar de notar que praticamente todos andavam em seus skates pretos.

Depois disso me atentei as roupas, camisetas, shorts ou calças, todos em uma variação de preto, cinza, branco e azul, nada de cores, nada de rosa para as meninas e azul para meninos, nada de saia, vestidos ou babados, fiquei feliz.

A alegria estava no divertimento e nem a ausência de cores quentes a impedia. A partir dai resolvi escrever este post, mas ainda faltava algo, veio então o agradável casamento: horas depois assisti a peça Vermelho no recém inaugurado teatro Geo, protagonizada por Antônio e Bruno Fagundes o espetáculo retrata a relação do pintor Mark Rothko e seu pupilo.

Entre as muitas questões abordadas na trama estão as cores, em especial o vermelho que nomeia a peça, o branco e o preto. Ali, assim como na minha reflexão da tarde, as cores significam muito mais que do que um simples pigmento: é história, emoção, representatividade.

Em diálogos cheios de referencia a dupla consegue dar forma a essa representatividade presente das cores: são artistas encenando um complexo texto sobre um mais complexo artista.

Não é um texto fácil, assim como minha reflexão vespertina, é complexa, mas não infundada e principalmente não desesperançosa: na mesma tarde, logo no ultimo trago chegou um homem vestindo uma camisa pólo rosa. Na hora me lembrei do drama que foi quando comprei a minha primeira peça na cor, exatos nove anos atrás.

Comemorei então essas pequenas conquistas: crianças livres de maniqueísmo com sua ausência de cores, a liberdade da masculinidade rosa e por fim a beleza e profundidade de uma vermelha montagem teatral.