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Sou um gay à moda antiga: gosto das coisas diretas, não faço questão de compromisso e passo longe das cobranças. Isso quer dizer que gays a moda antiga são promíscuos? Sempre acompanhei essa máxima com curiosidade, ouvida da boca de heteros e homossexuais “relacionamentos gays são carnais e baseados em sexo por isso não dão certo”, “porque meus namorados sempre me traem”, “ele é bem gay, sai com todo mundo” e assim em diante.

Para mim a promiscuidade está relacionada a pobreza de espírito e não ao sexo, ser promiscuo é não respeitar o outro. O sexo? O flerte? A atração pelo terceiro? Tudo isso é pele, é libido, é vontade. Não promiscuidade.

Ai te conto: o gay hoje não é nem promiscuidade e nem libido: o gay hoje é … uma mulher à moda antiga.

O sexo continua sendo uma pauta mais aberta e importante? Continua. A pegação mais forte e fervida? Sim. Eles buscam somente isso? Não. 50% dos gays que conheço estão em relacionamentos estáveis, aos moldes do casamento monogâmico heteronormativo, com direito ao julgamento a vida solteira inclusive. Buscam segurança, direitos e a família patriarcal, mesmo que com duas figuras paternas.

Já presenciei situações de casais que não transam a meses, amigos que disseram não gostar de sexo e que se ficassem apenas na preliminar sempre, já estariam felizes e outros tantos como já disse, satisfeitos com a monogamia.

As amigas em contrapartida são cada vez mais independentes, gostam e praticam sexo com múltiplos parceiros e estão completamente satisfeitas com isso. Mas ai temos a questão da idade, quanto mais velhas vão ficando retornam ao status de mulher a moda antiga: depois dos 40 Samanthas são raras, Chalorlotes a maioria.

E o homem hetero como fica nisso tudo? O homem hetero está perdido em meio ao fuzue: na busca pelos seus lugares as mulheres avançaram na questão da sexualidade mas não firmaram posição, os gays se firmam a padrões mais envelhecidos mais comum a sociedade: fica difícil encontrar uma companheira e mais difícil ainda ser machão e não gostar de viados quando eles estão tão próximos.

Ai vem eu, nada especial mas extremamente confuso: não quero o heteronormativo e sou tratado como espécie em extinção ao tentar me relacionar sem cobranças, sem ciúmes, sem medos. Me identifico com as novas mulheres que só querem ouvir um “vem potranca chega ai, vou te dar uma ideia chega ai” e acham o rústico extremamente sexy, pena que não se fazem gays rústicos que passam cantadas dignas de um funk (se existem nunca cruzei com um).

Ai de novo escrevo, escrevo sobre esse emaranhado de comportamentos enquanto no fundo espero alguém, a diferença é que eu não quero que venha como um gay atual que é a mulher à moda antiga e muito menos mulheres, que, bom, vão ser sempre mulheres e só por isso já não são meu tipo.