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“Você se expõe de mais” me disse o amigo que me entende como poucos. Concordei mas não pude deixar de pensar quais as consequências disso e seu papel na minha vida.

Desde sempre fui o confidente do outro, passei e passo ainda horas ouvindo historias, angustias, felicidades e principalmente segredos. O mundo percebe em mim uma paciência que nunca soube ter e já fui ouvido de incontáveis doloridos términos de relacionamentos amorosos, rompimentos familiares, tentativas de suicídio e até dois ou três estupros, tema delicadíssimo e em geral pouco compartilhado inclusive com quem se tem muita intimidade.

A máxima vale para a felicidade e parando para pensar já perdi as contas de quantos primeiros telefonas recebi de estou namorando, vou casar, comprei uma casa, passei na vaga de emprego, vou morar fora. E planos? Sou rei dos planos; metade dos amigos vem compartilha-los porque sabem que mesmo discordando vou apoiar tentando ajudar a encontrar uma solução.

Não cito tantos exemplos para dizer o quanto sou legal, Deus sabe que estou longe de ser uma pessoa fácil mas conto para explicar essa habilidade de terapeuta informal que é minha. Essa mesma habilidade danificou e danifica ainda alguns relacionamentos: “não quero perder um amigo, o confidente, o que nao julga e que ajuda” e talvez por isso mesmo a minha super exposição de sentimentos, quem sabe sendo sincero o medo vá embora? Nunca deu certo, mas nao sei fazer de outra forma. Até encontrar alguém que saiba lidar.

Por outro lado esse desprendimento dos segredos e dos sentimentos pode fazer com que o outro se sinta confortável em compartilhar o íntimo, quem sabe?

Um outro amigo insiste que nada disso é completamente verídico, qualquer coisa que digo ouço: “mas é isso mesmo que quer dizer?” Ou “Já ouvi esse mesmo discurso de tanta gente que nao acredito muito”. Não sei de sou diferente dessas tantas pessoas mas prefiro acreditar que sim, afinal algo de ruim elas fizeram pra o tal amigo, do contrário essa desconfiança das verdades não seria tamanha.

Vivemos na busca da plenitude e para isso abusamos dos maniqueísmos para as vias de fato, uma pena, o conforto da exposição, da verdade e da confiança nos faria tão melhor, vide o Caio, amigo da primeira frase que me aconselhou a voltar a escrever. Segundo ele me ajuda, e bom, tinha razão: termino esse post com alguns cigarros a mais fumados e um um peso a menos no ombro.

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