Jantei ontem com um amigo e papo vai papo vem ouvi um “desculpa, mas brechó, drink barato e não saber o que quer da vida é muito 17 anos e não é pra mim”. Complementando falou: “passou dos 25 anos é obrigação ser ou aparentar ser rico”. Na hora fiquei meio assim, não seria muito pedantismo? Ou pior, uma indireta: sou ultra brechozeiro e pior, tenho idolatria por uma boa pinga e a eterna Catuaba e não tive problemas em falar isso pra ele, como resposta: você é um trabalho em andamento.

Ai fiquei com isso na cabeça, sou uma trabalho em andamento para que? Para me tornar algo que não admiro? Mas espera, não admiro mesmo?

Não sei direito o que quero mas trabalho para saber, pronto, pelo menos esse ponto foi esclarecido. Em relação as bebidas: acho que nada vai substituir meu gosto por bebidas mais populares mas é inegável que hoje dou mais valor a uma boa cerveja e que raramente consigo tomar um rótulo popular, não porque é popular, mas porque é ruim. Isso é natural, em geral o que é bom é caro. Isso é triste, mas não temos como lutar, o processo de produção de algo bom em geral é caro.

Ai temos as roupas: sou ultra a favor do brechó e do hi-lo, não porque é moda agora mas porque é o que posso fazer para me vestir bem porém não tenho dúvidas de que pagaria pequenas fortunas por peças de marca. Também é inegável que se tivesse dinheiro não iria até lojas populares buscar bons looks: o dinheiro ou a riqueza citada permite o conforto de você ser avisado quando uma peça bacana chega, o atendimento educado é acompanhado de um café ou bebida. A experiência do consumo de luxo é algo surreal e delicioso e isso está na maioria das vezes atrelado a marca.

Raras são as pequenas lojas ou grandes magazines que conseguem produzir um produto bom com atendimento impecável, isso exige recursos e por isso da confusão da maioria das pessoas, inclusive deste amigo. O que ele quer é um bom produto, um bom atendimento, a liberdade de fazer o que quiser, coisas que em geral só o dinheiro proporciona.

E assim como este amigo eu quero isso: a grande diferença é que busquei durante minha vida o meio termo, a percepção de que o menos é mais e que nem toda a felicidade está na aparência. A grande diferença é que pra mim a frase “passou dos 25 anos é obrigação ser ou aparentar ser rico”.  Deve ser “todos devem querer e poder ser rico o quanto antes, se for apenas para aparentar nem queira”.

Essas diferenças não torna um melhor que o outro, e por isso somos amigos: temos diferenças, e pequenas semelhanças e principalmente não temos medo de admitir algumas convicções consideradas hoje politicamente incorretas.

Será a busca pela riqueza a ascensão da classe C tão alardeada e comemorada no país? Posso estar sendo muito polido por se tratar de um amigo mas tenho pra mim que não, na época do programa Mulheres Ricas fui um dos poucos a não me incomodar com os esbanjo das socialites paulistanas: elas consomem o que querem e como querem e de novo, não é o que todos queremos? Vale parar com o julgamento: ser pobre nao é defeito da mesma forma que ser rico não é qualidade mas que quando se tem dinheiro tudo é mais fácil é.