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Sei que clinicamente eu não tenho problemas, não tenho sintomas físicos de depressão crônica e há tempos me livrei da síndrome do pânico que me acompanhou na infância, mas quando peso, vejo que sou muito mais infeliz do que feliz.

Meu grande problema é não ver alternativas pra minha infelicidade:

não me vejo uma pessoa naturalista, vivendo no campo ou em uma praia, não me vejo sendo hippie, não vejo a beleza da simplicidade – não quero isso pra mim.

Também não me vejo sendo religioso, encontrando sentido da vida na fé como grande parte do mundo faz.

Na busca da resposta para essa infelicidade me deparei com alguns estudiosos. Lipovetiski explica essa sensação como parte de algo que chama de sociedade da decepção. Outros tantos filósofos, antropólogos, psicanalistas, tem suas versões e tento em vão encontrar nessa literatura técnica uma saída. Pena que assim como o processo terapêutico só existem diagnósticos e não soluções.

Tenho também problemas com as pessoas, a sociedade como um todo – é tanta maldade, violência, preconceito, ignorância e sinto que estão todos ok com isso.

Maldade gera mais maldade, violência mais violência, preconceito mais preconceito.

Sai de um emprego que amo, de um ambiente maravilhoso e de companheiros de trabalhos admiráveis porque parei de ver sentido em trabalhar para essa sociedade vazia – foi triste o quanto em dois anos me decepcionei com um meio que eu tanto acreditava no caso a social mídia.

Percebi que estava simplesmente no olho de um espaço em que as pessoas evidenciam sua maldade, sua violência, preconceito e ignorância principalmente por conta do anonimato.

O mesmo acompanha minha vida afetiva, familiar e social: apesar de muitos amigos queridos e boas pessoas no meu entorno percebo uma tendência a insinceridade, um medo crônico de se falar a verdade e de se permitir sentir e viver em plenitude – É como se eu conhecesse apenas uma porcentagem das pessoas enquanto grande parte sabe quem sou 100%

Nunca tive problemas em me entregar – a relações, ao trabalho, a minha família e não faria diferente se pudesse – Porem noto agora que nem isso foi suficiente para ser feliz, uma pena.

Para finalizar lembro que sou parte dessa sociedade, que sei que tenho em mim essas insinceridades, essa violência, esses preconceitos e nem de longe me acho melhor que alguém, mas tenho plena certeza que estou naquela pequena parcela do mundo que olha, pra dentro, pra fora e admite que tem problemas ao invés de ir pelo caminho rápido do ataque tão comum hoje em dia.