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São os 7 minutos primeiros minutos da série que supostamente definem The Newsroom – um discurso extremamente acusatório aos EUA feito por um respeitado (e chapa branca) jornalista da TV a cabo norte – americana.

Em minha opinião uma cena emblemática, com todas as características que marcam o trabalho do  produtor Aaron Sorkin e sua queda por memoráveis discursos, vide Jack Nicholson recitando You Can’t Handle the Truth no filme Questão de Honra.

Aaron é um dos mais idealistas e arrogantes produtor e escritor dos últimos anos: responsável pelas 7 impecáveis temporadas do drama The West Wing ambientado no setor de comunicação da Casa Branca e da prematuramente cancelada Studio 60 on the Sunset Strip (que infelizmente tocou na ferida da censura pós 11 de setembro muito cedo) e filmes como A rede Social e O homem que mudou o jogo.

A critica tem acusado o produtor de sexista e prepotente, Lucia Guimarães em um ótimo texto para o Caderno 2 critica a forma que apresenta as figuras femininas, os maniqueísmos contraditórios da trama e por fim o que chama desprezo geracional. Já Pedro Beck, uma das minhas maiores referencias para séries no país twittou “não se enganem: ‘newsroom’ é uma porcaria. piloto até vai, ainda que forçado. mas os demais episódios é ladeira abaixo – td muito exagerado” e complementou “é uma série machista, as mulheres são diminuidas, há uma reciclagem de outros produtos do sorkin e trata o telespectador como idiota. Não ajuda o fato da defesa nacional ter vindo da “jornalista” Patrícia Kogut

Entendo cada ponto citado por Lucia e Pedro mas não consigo deixar de concordar com Sorkin, minha geração é burra, o Pedro inclusive não cansa de twittar as más escolhas dos espectadores em relação a séries por exemplo e basta ter uma conversa com meia dúzia de pessoas entre 20 e 30 anos que é possível perceber que inteligência deixou de ser algo almejado.

Lucia aborda o caso da Sarah Nicole Prickett (Aaron a chamou de “garota da internet” em uma entrevista) sem saber que alguns episódios depois o criador pediria desculpas através da personagem Sloan Sabbit (que chamada de garota por Charlie Skinner volta a ter seu nome após admitir seus erros e principalmente firmar suas convicções).

Não concordo plenamente com a postura arrogante dos personagens principais: Will McAvoy e Charlie Skinner, ambos reflexos de Sorkin, mas percebo que na verdade não são aqueles 7 minutos iniciais e os discursos prepotentes dos rapazes que fazem The Newsroom e sim a fragilidade e idealismo de Mackenzie MacHale a personagem interpretada por Emily Mortimer que consegue de forma delicada nos apresentar uma mulher atual: decidida, competente, simpática, sexy mas confusa emocionalmente como grande parte das mulheres pós feminismo. Mackenzie como todos tem seu momento discurso, e não poderia ter sido mais correta em trazer Dom Quixote a cena, onde deixa claro: ela é o herói ali, e os rapazes, bem, os rapazes são os burros.

Apresentar mulheres imaturas emocionalmente não é diminuí-las, é sim mostrar um sintoma da nossa sociedade onde a mulher não se encontrou por completo ainda.

Por fim temos a questão de utilizar acontecimentos reais no pano de fundo para expurgar a descrença no jornalismo e ao mesmo tempo critica-lo como a tempos não acontecia. Se não me engano no terceiro episódio McAvoy pede desculpas ao público por não fazer o que se esperava de um bom profissional da área – uma situação impossível e irreal mas linda de se ver, mesmo que dramaturgicamente e Sorkin tem absolutamente todo o meu respeito por tentar, mesmo que idilicamente, mostrar como poderíamos ser, como deveríamos ser, como espero ser como pessoa e como profissional.

Nos últimos dias ouvi o quão idealista sou, e The Newsroom veio a calhar – uma série sobre figuras perdidas, inteligentes, arrogantes, sinceras, emocionalmente instáveis e acima de tudo idealistas e que acreditam estar fazendo o melhor pra si e para o mundo – e percebo, escrevo esse texto por identificação, pena que na realidade é tudo um pouco mais complicado né?