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Sete meses atrás declarei minha admiração a música, história e amores escrevendo sobre o documentário As Canções, delicado e profundo entrou pra lista de melhores que já vi. Por conhecidência o Perri há poucos dias me recomendou o também documentário Vou rifar meu coração” da diretora Ana Rieper que segue a mesma formula. 

Como documentarista Ana peca: é bastante superficial na apresentação de seus personagens reais, perde bons ganchos e parece mais preocupada em liga-los por meio das canções que intitula-se bregas. Já como diretora mostra potencial, cria momentos belíssimos e busca formatos alternativos – a cena de abertura já garante algumas lágrimas para os corações partidos e a sequencia que ilustra o pôster de divulgação inclusive se abstrai do relato do casal, a imagem é suficiente por si só.

Nos créditos percebi porque o Perri me recomendou o filme, sabe que sou fã de coisas “bregas” e principalmente de tudo ligado ao tecnobrega, eletrobrega, arrocha, calypso assim como grande parte das canções e artístas românticos da MPB e de certa forma tudo isso está presente em Vou rifar meu coração mesmo que de forma breve.

Agnaldo Timóteo se mostra um tanto arrogante e senil mas é responsável pelos momentos críticos do documentário: esclarece que o gênero romântico é considerado brega por se tratar de algo oriundo das camadas mais pobres e tem razão – vocalmente é superior a Roberto Carlos e Chico Buarque de Holanda por exemplo e suas letras não ficam atrás mas nem isso o colocou no patamar dos elitizados cantores, discurso reforçado pelo também cantor Rodrigo Mel.

Além de Agnaldo, ícones populares como Amado Batista, Lindomar Castilho, Nelson Ned e até o finado Wando dão seus depoimentos, sendo este último responsável pelos melhores conselhos e maior representação do que é realmente romantismo.

Na minha formação musical essas figuras estiveram muito presentes: durante infância e pré adolescência nos longos períodos que viajava com toda minha família não faltam CDs caseiros que formavam a mais “brega” das coletâneas e notei porque da minha predileção por grandes dramas que se mostraram evidentes na identificação com várias histórias do documentário e incontáveis lágrimas.

Vou rifar meu coração está longe de ser nota máxima mas vale ser visto pela tentativa de valorizar o popular, o real e o romântico, pena que não tocou siga seu rumo, de longe minha música preferida: