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Li a poucos dias a dissertação “O Código de honra: como ocorreram as revoluções morais.” que tem por finalidade apresentar momentos históricos em que a honra exerceu um papel fundamental para comportamento de determinadas sociedades. Não sei bem porque acabei com o livro em mãos, afinal o conceito de honra é algo incomum pra mim.

No escrito do autor Kwame Anthony Appiah conheci um pouco sobre os duelos e o processo abolicionista inglês, a cultura nipônica dos pés atados e a morte por honra do Paquistão. Na conclusão do livro, Kwame buscando aproximar o debate dos leitores apresenta o caso do soldado norte americano que denunciou as torturas em Guatamo alguns anos atrás e nem assim consegui encontrar familiaridade com o tema.

Entendo por honra o status positivo alcançado mediante o cumprimento de um comportamento definido por ações e ideais estabelecidos pelo coletivo, sempre algo moral (afinal o moral é o correto e o amoral o incorreto) ou seja, uma sociedade define o que é moral , ao ser moralmente correto o individuo se estabelece como um sujeito honrado. O livro envereda por conceito de honra involuntária como é a falsa honra aristocrática que vou pular pois não acredito.

Minha falta de familiaridade com o tema se dá por dois motivos: primeiramente não temos no país uma relação forte com o sistema militar como acontece no EUA por exemplo – um individuo morrer pela nação não é algo tão admirável e incentivado pela nossa sociedade e tenho certo orgulho disso – não acredito em guerra, não acredito em violência, acho estúpido alguém considerar isso honrável. Em segundo lugar temos o a cultura nacional do desonrado “jeitinho brasileiro”, conjunto de práticas ilegais como pequenas contravenções e favores ilícitos, tão duramente criticado mas amplamente disseminado.

Me perguntei então onde então está a honra brasileira e tive resposta no processo eleitoral paulista, em especial na relação da população a candidatura do candidato José Serra. Eleito em 2005 renunciou ao cargo na prefeitura nos deixando de herança o retrogrado Gilberto Kassab para se candidatadar ao cargo de governador do estado e quando eleito repetiu a dose abandonando o posto em 2010 para tentar a presidência, desta vez perdendo para Dilma e selando assim sua desonra.

Vivemos um processo complicadíssimo na política mundial assim como na brasileira, onde a população está convencida da falta de moralidade dos candidatos e políticos exercentes dos cargos públicos, uma pena tendo em vista que necessitamos reformas e não abandono. O descaso do povo se tornou algo inconsequente comprovado com a vitória de candidatos como Eneas e Tiririca e agora com a possível chegada ao poder do fascista Celso Russomano mas temos uma luz, e essa luz se dá na relação desta mesma população com o candidato José Serra.

Mesmo inconsequente e desacreditada a população está demonstrando de certa forma que carece de honra na hora de escolher um candidato: ao descumprir o básico de um representante que seria, bem, completar seu mandato e propostas Serra imediatamente se mostra alguém amoral e consequentemente desonrado.

Espero que esse mesmo senso ético, moral e honrado que traz dores de cabeça ao comitê eleitoral de Serra reflita também nos outros candidatos e depois na cobrança dos representantes eleitos.

Infelizmente mesmo satisfeito com essa reação popular me sinto aterrorizado com a alternativa ao Serra, nada que falar sobre Celso Russomano será novidade, o tumblr Fora Russomano tem feito um bom trabalho ao reunir textos e charges sobre o candidato e Haddad, bem, Haddad foi ministro da educação nos últimos anos e basta ver a situação dela no país que já se pode temer por uma possível chegada dele no poder.

Estamos em uma sinuca de bico, sem candidatos, então basta torcer pelo menos pior e principalmente tentar encontrar algo bom na situação, no meu caso percebi que existe sim honra na nossa sociedade agora é ajudar para que ela seja bem direcionada.

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