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Fui hoje ao Festival Existe amor em SP e foi lindo, um dia ensolarado, uma quantidade expressiva de pessoas interessadas em curtir a cidade e uma boa dose de música de qualidade.

Os organizadores acredito estão satisfeitos, eu, consumidor do festival idem mas não posso esquecer do propósito: o festival era um ato político, e em partes foi, mas faltou rosa, cor que daria o tom e lembraria a importância do respeito, da igualdade, da necessidade que temos de ocupar a cidade. Vi pouco rosa apesar da linda foto que do @juniorsemeghini que selecionei pra ilustrar o post, uma pena.

Percebo uma certa carência de atividades do tipo, e quando acontecem estou lá: foram muitos shows abertos na linda platéia externa do Auditório Ibirapuera, muitas edições do Bourbon Street Festival (ambas iniciativas privadas). Ocupação do minhocão: estava lá, show no parque da independência também e me arrisquei até em algumas edições da Virada Cultural (essa, iniciativa da prefeitura). Na mesma linha dedico boa parte do meu tempo nos eventos organizados pelo pessoal da Trackers e a baratíssima programação do SESC e SESI e não consigo deixar de notar que no festival hoje tivemos uma inocência característica de dois eventos que citei aqui: as festas no minhocão e os eventos da tracker, a falta de estrutura básica.

Entendo que é lindo fazer evento grátis, acessível mas faltou limpeza, faltou banheiro, faltou segurança (por parte do evento), em suma, faltou qualquer tentativa de oferecer conforto básico.

Não é frescura, nunca senti muita falta dos itens acima: sempre carreguei meu lixinho, se preciso ir ao banheiro já fico de olho em locais possíveis cerca do local e evito levar muito dinheiro ou mexer no celular para não ser roubado mas é assim que queremos que seja um ato conjunto e público: oferece-se uma atração e que cada um que se vire?

Penso que essas pessoas deveriam estar mais dedicadas em abrir um canal de comunicação com a secretaria da cultura, usar a criatividade e seus contatos para gerar atividades de qualidade com estrutura básica. Sinto também falta de debate – fizemos um ato político mas não debatemos, não sentamos em uma mesa aberta pro conversar o que estávamos defendendo, porque estávamos ali, usando nossas camisetas rosas?

Será que apenas reunir um número elevado de pessoas, deixando pra traz garrafinhas plásticas, bitucas de cigarro e resquícios de tinta passou alguma mensagem? Acredito que o máximo que mostramos é que gostamos do dia, gostamos de qualidade e que queremos cada vez mais ocupar as ruas porém a estrondosa virada cultural já não mostra isso?

Fiquei felicíssimo com o evento assim como fiquei com todos os outros que citei acima, mas precisamos de um olhar mais critico, de um olhar mais amplo, um olhar que não seja puramente de um grupo de jovens e adultos que não gosta do pai cricri: precisamos propor soluções, perceber que o poder público que trabalha por nós e cobrar isso dele, sempre ajudando, e quem sabe, porque não, se juntando a ele.

O que não falta é gente disposta a fazer festa, a disseminar cultura, mas falta dialogo, com as sub prefeituras, com a secretaria da cultura, com a secretaria do verde e meio ambiente, com a Sp Turis, com a CET e até com o tão idiado Cads. E porque meninos e meninas de rosa falta esse dialogo?

Sei que estou pedindo de mais, que estou fazendo pouco apenas escrevendo este post, mas acho que estou um passo adiante: primeiramente por dar continuidade ou gerando um debate complementar ao ato e principalmente pela vontade cada vez mais crescente de querer fazer algo pelo coletivo e por ainda acreditar que é possível percebermos a esfera publica como a  organizadora do bem da nossa sociedade e não como um inimigo.

Façamos valer nossas camisetas rosas!