Hoje já é quinta-feira, e eu já tenho quase 30. Acabou a brincadeira e aumentou em mim a pressa de ser tudo o que eu queria e ter mais tempo pra me exercer.

Tenho sonhos adolescentes, mas as costas doem, sou jovem pra ser velha, e velha pra ser jovem. Tenho discos de 87 e de 2009.

Hoje já é quinta-feira, e há pouco tinha quase 20. Tantos planos eu fazia e achava que em 10 anos viveria uma vida e não me faltaria tanto pra ver.

Tempo falta, e me faz tanta falta, preciso de um tempo maior que a vida que eu não tenho toda pela frente e do tamanho do que a alma sente.

Dou valor ao que a alma sente, mas já curti Bon Jovi. Já é quase meia-noite, quase sexta-feira e me falta tanto ainda.

Os cinco parágrafos acima são na verdade uma música da cantora Sandy chamada “Aquela dos 30”, não conhecia e surgiu em uma conversa terapêutica que tive com a Vic, uma amiga querida que como eu, passa pela situação descrita pela ex cantora mirim.

Nem eu e nem a Vic gostamos muito da Sandy, e particularmente acho a música chata, um arranjo bobo mas é inegável que em poucas linhas descreveu o incomodo diário da geração que vai dos 20 e poucos aos 30 e muitos.

Costumo exemplificar da seguinte forma: saio a noite cerca de 3 vezes por semana, as vezes mais, as vezes menos mas acho que nos últimos 5 anos não aconteceu de passar mais de 6 dias sem ir para uma balada ou bar. 80% das vezes que saio me pergunto porque sai, aquelas filas incomodas, aquela bebida cara, aquelas pessoas desinteressantes, porém se não saio fico entediado, sentindo falta de conversar com amigos, tomar uma cerveja gelada e de dançar até cansar.

Em suma, se saio quero estar em casa, se fico em casa quero sair. Em programas como jantares ou reunião na casa de amigos logo o telefone começa a tocar, o chat do face a bombar e caso não tenhamos a continuação da noite nas pistas de dança fica a sensação de que perdi algo.

Analisando por cima poderíamos dizer que sou superficial, que quero aparecer ou poderíamos dizer até que vou para balada para arranjar boy, o que não é o caso, se acontece é consequência, poderíamos também dizer que sou carente de companhia, ledo engano tendo em vista que lido muito bem com solidão e aprecio imensamente programas individuais (inclusive baladas) e por fim poderíamos pensar que a disposição ou indisposição para a noite se dá por eu ser uma pessoa noturna, o que é verídico porem tal fato não impede meus programas diários, são raros os dias de sol que deixo passar, os preencho com visitas a parques, feiras, restaurantes, praças e etc.

Em uma investigação comum a mim e ao Cainho, figura recorrente aqui no blog e na minha vida ele sinalizou que me falta um namorado, uma companhia que queira fazer programas caseiros mas confesso que dificilmente me contentaria com uma noite vendo filmes ou assistindo séries, isso já aconteceu na minha adolescência, passou, sem contar que não sou de grudes, meus namoros e romances sempre foram permeados de balada, de programação intensa, deixo o fondue com jazz para os 50 anos.

Lembro de um texto da Lalai para revista do youpix que ela se declarava uma viciada em informação, recentemente no programa saia justa a jornalista Monica Waldvogel disse o mesmo e associei isso ao meu tédio caseiro: estaria eu perdendo algo ao não ir para o bar ou balada, estaria eu perdendo um boy incrível, um acontecimento engraçado, uma conversa imperdível. Será que é isso?

Indo um pouco mais além temos a questão tecnológica, sábado a noite evito smarthphone e redes sociais: aquela amiga que saiu e não te chamou tá na festa animada, os conhecidos de pista semanal em um bar novo e o arroba divertido tirando fotos incríveis com aquele seu ex peguete. Não deixa de ser uma sensação de perda mas é também uma inveja por aquilo estar acontecendo e você não está presente.

Não tenho quase 30, pelo contrário estou bem perto dos 20, mas isso não importa porque noto nos amigos que já alcançaram e até passaram algum tempo das 3 dezenas e a sensação é similar. Por isso digo que esse embate vai dos 20 aos 40.

Como lidar com esse embate é pelo menos pra mim um mistério, caso alguém conheça uma direção para soluciona-lo agradeço, mas de qualquer forma fica aqui uma explanação para o dilema, que acredito seja mais comum do que pensamos.

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