Hoje minhas redes sociais foram infestadas por incontáveis manifestações relativas ao novo ataque homofóbico na Henrique Schaumann em São Paulo, inegavelmente um crime pavoroso e que deve ser punido fortemente.

Tal ato traz a tona novamente a questão de uma legislação que criminaliza atos cometidos em função de homofobia e outros tantos debates mas noto que a própria comunidade LGBT não olha pra si, para os seus mais hediondos preconceitos.

Nenhum tipo de preconceito ou violência é bom, não estou minimizando em momento algum o crime cometido pelos dois rapazes mas acho que nesse momento, como em tantos outros vale uma reflexão mais aprofundada do tema.

Para começar faço uma mea culpa, porque no primeiro ponto que abordo fui imaturo e realizei tal prática, no caso: me fechei em um gueto homossexual.

Tenho uma infinidade de amigos heterossexuais, mas é inegável que minha vida nos últimos 2 anos tem se restringido bastante a atividades em que gays são predominantes: apesar do meu gosto peculiar que engloba pagode, axé e sertanejo confesso que deixei de ir em baladas e bares do gênero por alguns motivos: primeiramente por uma questão financeira, baladas heterossexuais tendem a cobrar um valor maior de homens para entrada. Tal ato era reproduzido em espaços gays que cobravam mais de mulheres, uma besteira enorme que ainda bem tem deixado de existir.

Ainda falando em baladas heteros, é bastante comum a curiosidade do outro, fora o olhar homofóbico que raramente deixa de existir temos a desinformação: anos atrás uma das minhas melhores amigas em um bar confessou achar um absurdo a novela Insensato Coração apresentar um núcleo gay, tal fato para ela incentivava os jovens a se tornarem gay, dias atrás uma amiga confessou ter adorado ir até a The week com conhecidos mas não deixou de frisar que a turma apesar de gay  era composta de “homens” com barba, sem trejeitos. Ambas as situações me trouxeram uma tristeza muito grande e histórias como essas ser repetem constantemente e acaba se tornando muito mais confortável estar entre os amigos gays.

Mas nem tudo são flores entre os gays, 80% dos amigos e conhecidos gays são extremamente preconceituosos com o diferente, não gostam dos afeminados, não gostam dos gordos, não gostam das lésbicas, e não estou falando apenas de gostar sexualmente, afinal tesão é tesão mas sim no não gostar em termos de sentir vergonha, de ironizar, de minimizar o outro. Grande exemplo são os termos “bicha pão com ovo” ou “bicha poc poc”, os primeiros gays de uma condição social mais baixa e senso estético popular e os segundos gays afeminados e mais bagunceiros por assim dizer.

Temos portanto uma situação bastante sintomática e triste: uma comunidade que se fecha cada vez mais em si mesmo ao invés de se expandir, de conversar, de educar o que o considera anormal se agrupa violentamente numa covardia coletiva que de é também composta de seres humanos que sentem necessidade de ser superior ao outro, e talvez por anos de repressão até encontrar seu nicho faz questão de se sobrepor e minimizar o diferente dentro daquele seu nicho.

Critiquemos os rapazes heterossexuais homofóbicos, mas tenhamos mais paciência com os pequenos preconceitos, conversemos para que se resolvam, estejamos em todos os lugares, falando com todo tipo de gente e não presos em um gueto e quando estivermos no nosso local de proteção, acolhamos o outro com todas as suas diferenças e semelhanças.

Quem sabe em 2013 não é mesmo?