Notei hoje que não dou pra gestos delicados. Quem me conhece deve ter pensado: mas só agora? Pois bem, só agora.

Inicialmente percebi no folhear do livro, tive uma professora no colégio que dizia que livro bom era livro sujo, riscado, com orelha, é sinal que você teve contato com ele; levei isso pra vida e nunca mais soube o que é ter um livro em bom estado.

Depois tentei tirar a blusa, me amassei todo, fiquei preso na gola, um verdadeiro boneco de posto em plena estação Barra Funda, cena que me é já familiar, acho que nunca consegui realiza-la sem estardalhaço.

Passei então a refletir minhas relações interpessoais: sou profundamente preocupado com o outro, extremamente atento e me orgulho da minha proatividade e capacidade de confortar ou pelo menos estar presente, mas sempre de forma rude.

A Ludmila Maia quando descobriu que sou formado em RP automaticamente passou a me chamar de relações péssimas, e que belo termo: sou realmente péssimo quando meus atos carecem qualquer tipo de civilidade, sou desbocado, debochado, mal humorado e um tanto carente, característica essa que mais me incomoda e que combato com indelicadezas.

Quis então escrever esse texto sobre meus defeitos graças a uma dedicatória que encontrei em um certo “Morte em Veneza” Porque lugar de magoa é no livro. Não escrevo livros, mas tenho um blog, talvez essa seja uma tentativa de deixar os defeitos nas páginas.

Notei por fim que apesar de indelicado carrego as lições que me são dadas mas que volta e meia preciso sentar e escreve-las para recorda-las.