Sempre tive uma afinidade muito grande com idosos, desde pequeno era comum me ver na mesa de carteado com as tias mais velhas por exemplo.

Meus avós faleceram muito cedo, a maioria na casa dos 70 anos, o único que tive contato por mais tempo foi meu avô materno, um senhor português austero, calado e bastante distante emocionalmente.

Não me recordo de praticamente nenhuma conversa com ele, apesar de termos vivido no mesmo teto por certa de 13 anos, onde pelo menos 5 ele careceu de muitos cuidados.

Em meio a esse processo de cuidar aprendi de curativos a trocar fraudas passando por um treinamento intensivo de identificar sintomas médicos e saber ler prontuários médicos complexos.

Tais experiências me fizeram estabelecer uma relação saudável com idosos, raramente tenho pena, sei que a vida tratou de fortalece-los apesar do corpo não fazer o mesmo e que isso faz parte.

Passei então a refletir o quanto sinto falta de conversar e viver um pouco da vida dessas pessoas que passaram por tanto e principalmente me vi tomado por um medo gigante: não sei se saberei ser velho.

Vivemos em uma sociedade que cada vez mais despreza o passado, que vive numa constante busca de juventude e realizações e fica a dúvida profunda de: saberemos nós contemplar a velhice?

Tenho algumas décadas para aprender a lidar com esse medo, mas como sou eu já começo desde já a matutar.

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