Coisa de 4 anos atrás me veio uma vontade de conhecer Belém do Pará, grande parte pela musicalidade do local não minto, uma das poucas coisas que tinha certa proximidade. Por conta do mesmo trabalho que me levou a Brasília e ao Rio de Janeiro (entre outras cidades) acabei desembarcando por lá em meados de outubro e foi amor a primeira vista.

Algo de muito especial acontece em Belém, não sei se é a simpatia ou simplicidade excessiva em meio ao clima quente e úmido ou se é o contraponto a minha vida extremamente urbana e dura, só sei que estar em Belém é ser dominado pela alegria.

Monto esse mini guia da mesma forma que venho estruturando meus outros textos: de forma rápida e prática, um singelo presente para os amigos que vão se aventurar pelo Brasil.

Seja paciente

Chegar em Belém não é a coisa mais prática do mundo, raramente é possível encontrar passagens que vão direto até a cidade e ninguém curte muito escala né? A maioria dos voos param em Brasília e as vezes uma ida ou volta demora até 8 horas (minha volta pra São Paulo contou com uma conexão e uma escala, somando quase 7 horas de transito) então prepare um bom livro, algumas revistas ou um tablet / smarthphone recheado de filmes e séries.

Ao pisar na cidade já se sabe o que esperar: um calor sufocante, molhado e intenso, mas prometo que com o passar das horas você se acostuma: carros, hotéis,lojas e pontos turísticos em geral contam com ar condicionado potente, o que ajuda bastante.

A quantidade de insetos é bizarra também então fora o protetor solar full time vale uma boa camada de repelente.

Hospedagem

Belém é relativamente pequena e conforto e luxo são palavras desconhecidas, portanto não espere nada de mais dos escassos hotéis da cidade, indispensável mesmo é só o ar condicionado então fique atento na hora de fazer sua reserva.

Como se locomover

Transporte na cidade é uma aventura a parte, regulamentação de transito não existe e é comum ver carros na contra mão, motocicletas carregando famílias inteiras ou bicicletas transitando em meio aos veículos. Por sorte os taxistas locais são extremamente simpáticos e eficientes, logo de cara já puxam papo e oferecem visitas guiadas pela cidade: Seu Mário, por exemplo perambulou pra lá e pra cá com a gente (fui com dois amigos) por dois dias e cobrou R$ 60,00 com direito a esperar nos ponto turísticos por horas ou buscar quando ligávamos. Se encarar o falatório todo não deixe de ligar pra ele e marcar pelo menos uma corrida [(91)8800-6007].

Não usei mas aparentemente os ônibus quebram um galho e se for passar mais tempo alugar um carro é uma ótima opção para visitar as praias de água doce que ficam próximas da cidade, mas lembre-se em Belém todo cuidado no transito é pouco

Taxi do Seu Mario

Taxi do Seu Mario

Passeie, e passeie muito.

Toda cidade tem suas obrigatoriedades e não poderia ser diferente em Belém, uma cidade extremamente pobre, mas uma pobreza de simplicidade, aparentemente pouco violenta ao contrário da pobreza paulistana ou carioca que é bruta, amedrontadora. Não estou enaltecendo condições de vida precárias ou dizendo que na cidade é 100% segura mas me senti muito acolhido por suas construções simplerrimas,  pessoas tranquilas, simpáticas e sem luxos permite o caminhar como de uma cidadezinha interiorana (sensação que só tive posteriormente em Natal).

Em contraponto é visível o esforço público em manter e/ou recuperar seus pontos turísticos, assim como a valorização da cultura local: pratos típicos presente em praticamente todos cardápios da cidade assim como a musicalidade constante.

Para começar a visita vá a nova orla da cidade, orgulho dos paraenses lota aos finais de semana com atividades esportivas, musicais e muita farra. De dia de semana é bem parada mas vale uma passada, o projeto apesar de ainda em construção é bem lindo.

Nova Orla de Belém

Nova Orla de Belém

Um dos pontos preferidos da cidade é com certeza o Mangal das Garças, parque beira lago com um dos paisagismos mais lindos que vi na vida. O espaço conta com museu, restaurante, deck para o lago passando pelo manguezal, borboletário e mirante, sem contar as plantas e animais soltos pelo local ( garças, patos, lagartos, entre outros) .

Mangal das garças visto de cima

Mangal das garças visto de cima

A entrada no manguezal é grátis porém reserve algo em torno de 30 reais (no máximo, chutando bem pra cima) para visitar o borboletário, museu e o mirante, vale super a pena.

Instalação artística no Mangal das Garças

Instalação artística no Mangal das Garças

De lá vá para a cidade velha, composta de forte, igrejas, ruelas e mercadores de rua o centro é uma atração a parte:

Forte do Castelo ou Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo do Presépio de Belém, (Forte do Presépio) é como o nome já  diz um forte, com sinalização, segurança, placas históricas e instalações o forte é uma delicia de se visitar, ali perto fica também ancorado um navio de guerra aberto ao público.

Instalação do Forte do Castelo

Instalação do Forte do Castelo

Dentre as muitas igrejas se destaca a Catedral Metropolitana de Belém, internamente está bastante prejudicada mas a imponente fachada é linda de ver, fica bem próxima ao forte cercada de praças e ruelas.

Caminhando mais um tanto você estará na maior feira de rua do Brasil, chamada Feira do Ver o peso: são barracas e mais barracas de frutas, peixes, comidas e bugingangas em geral, por lá é possível perder umas boas duas horas, a gente na correria infelizmente viu só de longe.

Feira do ver o peso por @descolex

Feira do ver o peso por @descolex

Pra finalizar não deixe de ir na Estação das Docas, antigo porto virou o grande centro comercial e cultural de Belém, com direito a cinema, pequenas exposições, lojas típicas e bons restaurantes. Aguarde até o por do sol, uma experiencia única.

Estação das docas, ponto obrigatório da cidade.

Estação das docas, ponto obrigatório da cidade.

A maioria dos restaurantes do local oferece as opções a la carte ou buffet livre a uma média de 40 reais, por lá vale comer os pratos tipicos como o  Tacacá (um caldo fino de mandioca + tucupi, caldo de cor amarelada e goma de tapioca, camarão seco e jambu, bem saboroso),  Pato-no-tucupi (o mesmo líquido de cor amarela extraído da raiz da mandioca brava, e  jambu, erva típica da região, de lamber os beiços), Maniçoba (também conhecida como feijoada paraense feito com folhas da mandioca moída e cozida, carne de porco, carne bovina e outros ingredientes defumados e salgados, bem amargo e para os de paladar forte) e o Filet de Filhote (peixe de água doce extremamente leve e gostoso).

Para sobremesa tem sempre alguma opção com cupuaçu, fruta rançosa e sem muito gosto, açai, que é bem diferente do industrializado, bastante amargo e com uma textura mais aguada, servida em geral com mel ou uma farinha grossa. Para os mais conservadores como eu a sorveteria Cairu oferece uma variedade gigante de sabores, a maioria local, é bem complicado escolher tendo em vista que você não conhece nenhum daqueles nomes mas vale o desbravar.

Do local saem também barcos de passeio para os mais animados.

Tacacá por @descolex

Tacacá por @descolex

Para quem vai em Outubro, especialmente no dia 14, rola a festa do Cirio de Nazaré (infelizmente não fui na data) e vi apenas uma exposição sobre o tema que me emocionou bastante, chegando inclusive entrar na minha lista de destino nas próximas viagens. Para saber mais só clicar aqui 

Tem mais um dia e quer pegar praia?

Como falei lá em cima, a melhor opção para pegar praia em Belém é alugando um carro, se não me engano a mais próxima fica a cerca de uma hora da cidade, lembrando que praia por ali é de água doce!

Caio Braz e Glauco Sabino no Paraiso do Mosqueiro, praia da região.

Caio Braz e Glauco Sabino no Paraiso do Mosqueiro, praia da região.

Infelizmente não fui a praia e nem aproveitei a fervida noite da cidade, mas não deixe de perguntar as opções para seu taxista ou o pessoal do hotel, lembre-se eles são os melhores guias que você pode encontrar.

Sentiu falta de algo? Só comentar que complemento aqui e claro, tenha uma boa viagem 🙂

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