Quando tomei conhecimento dos livros da série “Jogos Vorazes” dei pouca atenção, mesmo sendo leitor assíduo de livros adolescentes não entendi como aquela história poderia ser bem desenvolvida, mas como muitas vezes acontece, me surpreendi.

Meses depois começou a pipocar nas minhas redes sociais ótimas críticas em relação ao filme e resolvi vê-lo, curti e muito. Na história, o mundo passou por uma transformação em que o que restou foi um Estados Unidos dividido em 13 colônias, dominada por uma Capital opressora após o extermínio da 13ª. Para relembrar seu poder sobre as 12 colônias restantes, essa capital criou os jogos que dão nome à série.

Nos jogos vorazes, cada colônia é obrigada a enviar 2 jovens de 13 à 18 anos, para uma batalha televisionada. De lá, só sairá um vencedor, sim, o livro retrata uma sociedade que assiste o massacre de 22 jovens até o momento em que a protagonista, Katniss, inicia involuntariamente uma revolução.

Paro por aqui porque realmente acho a série de livros uma boa pedida de leitura e mesmo que você não se anime, pode pelo menos assistir aos filmes da franquia.

Quando Hollywood comprou os direitos do livro e o transformou em filmes não esperava que de certa forma estivesse também ajudando em uma revolução ao selecionar a atriz Jennifer Lawrence para interpretar a protagonista.

Jennifer, que havia concorrido ao Oscar pelo papel em “Inverno da Alma” (ótimo filme por sinal) e “X Men – Primeira Classe” no papel de Mística, interpretou com vontade o papel de Katniss e ganhou no ano seguinte um Oscar por “O Lado Bom da Vida”.

E foi neste Oscar que passei a dar atenção à atriz, Lawrence, linda em um vestido Dior tropeçou ao subir ao palco para receber a estatueta, fez uma singela piada e foi para sala de imprensa. Ao chegar por lá ouviu de um dos repórteres brincadeiras sobre o deslize e em resposta mostrou o dedo do meio.

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Para muitos aquilo foi considerado um ato deselegante, para outros apenas uma brincadeira, para mim foi um ato de rebeldia, a garota, afinal Jennifer tem apenas 22 anos, mostrou que não é preciso aguentar tudo com um sorriso no rosto, que não é preciso abaixar a cabeça para quem não te respeita. Foi um tombo em um dos maiores momentos de sua carreira, era preciso ainda ouvir piadas por parte de profissionais que dependem de você para exercer sua função?

Algum tempo depois, a Jana Rosa notou que a atriz tem o braço gordo, sim, Jennifer, magérrima, tem o “tchauzinho” que 99% da população, principalmente feminina reclama, e ao invés de tampar com mangas ou recorrer a processos cirúrgicos os exibe em lindos vestidos tomara que caia. Ponto para ela.

Ai tivemos o baile de gala do MET. Jennifer que é bastante fã de Sarah Jessica Parker resolveu brincar com o arranjo de cabelo da atriz, a imagem rendeu um maravilhoso GIF onde Lena Dunham (a suposta voz da nossa geração) e  Marion Cotillard começam a rir da cena. Assim como as atrizes, eu ri.

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O baile de gala do MET é considerado o evento do ano, onde celebridades da música, cinema, TV e moda se encontram em seus vestidos caríssimos para verem e serem vistos e grande parte das vezes é apenas isso que acontece, raramente em premiações ou eventos desse porte é possível ver figuras espontâneas, que quebram com a “santificação” do luxo e do mundo das celebridades.

Em “A Sociedade do Espetáculo” o filosofo e diretor de cinema Guy Debord fala sobre o termo cunhado para definir a sociedade que nos rege, ali espetáculo está relacionado a questões mercantis, filosóficas e também de imagem e é um termo certeiro para nossa atual situação.

“O espetáculo é o capital em tal grau de acumulação que se torna imagem” com essa colocação Debord define, pelo menos pra mim, o processo do que é Hollywood, as indústrias do cinema, moda e arte, tão evidente na cultura norte americana e também na nossa.

Ter dinheiro e ser famoso é praticamente o anseio de todos, ostentar isso tudo é o tornar imagem referido por Debord e esta ostentação vem com um preço: para uma atriz hollywoodiana, é ser impecável, bela, bem vestida, comportada, se tornando assim uma figura santificada (que além de reverenciada é pura) e Jennifer, com seus pequenos delitos rompe com isso e consequentemente passa uma mensagem para a geração que acompanha seu trabalho, que se espelha nessas figuras santificadas.

Meus agradecimentos a menina Jennifer e um sincero pedido de muitos mais dedos do meio.

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