Em uma manifestação na semana passada, duas mulheres quebraram imagens santas para criticar a visita do Papa ao Brasil e a igreja católica como um todo.

Imediatamente criticas e mais criticas: as vadias perderam a mão diziam (as duas faziam parte da Marcha das Vadias, movimento feminista que luta por direitos das mulheres). Horas depois longos textos falando sobre falta de respeito, de como elas ultrapassaram a linha tênue do protesto e afins.

Durante as manifestações do Movimento Passe Livre em São Paulo, me opus fortemente à depredação de prédios públicos pelo fato de não ver como aquilo ajudaria: lutávamos por voz, lutávamos por mudança e pagaríamos um preço.

Poderíamos nos ferir, sermos preso porque afinal estávamos cometendo um crime e geraríamos um custo para os contribuintes (nós mesmo) e mais, não ajudaria em nada para um possível dialogo.

Porém aqui a coisa muda e muda porque uma estatua santa é o ícone de uma religião opressora, desigual, assassina, que contribuiu enormemente para chegarmos nesse mundo que vivemos hoje. Ok, poderíamos dizer o mesmo dos prédios, mas…

A santa é gesso, um gesso que você pagou, um gesso que você faz o que quiser com ele, inclusive quebra em público para mostrar para o mundo que o que ele representa é o mal e não o bem como te condicionaram a acreditar.

A igreja católica não é o bem, não é acolhimento, não é amor. A igreja católica me fez viver em um lugar obscuro, dos 13 aos 18 anos me recriminei pelos meus instintos, ouvi de padres que o que eu sou, que ser gay, é algo pecaminoso e errado.

Por anos cogitei suicídio mesmo apavorado com o inferno que me era prometido pela mesma igreja que me destruía e me recriminava.

Demorei mais alguns anos para me recompor e não culpo apenas a igreja mas afirmo com toda certeza que ela teve papel fundamental para a culpa e medo dos meus familiares.

Afirmo a igreja católica com seus dogmas fizeram com que eu me sentisse um lixo.

Na semana passada fiz uma matéria sobre gays católicos e tive por missão falar com um padre, um único padre, sobre gays na igreja (apenas um simples: acolhemos a todos igualmente) e cerca de 18 párocos se recusaram a falar, 10 teólogos optaram não se expor, o assessor de imprensa da Arquidiocese de São Paulo passou a desligar o telefone na minha cara (juro), a assessoria de imprensa a Arquidiocese do Rio de Janeiro tampouco ajudou, assim como a CNBB e a organização da JMJ. Se me der alguns parágrafos dá pra citar todos que me falaram “não” medrosos.

Ate os que são a igreja temem a igreja, e isso além de perigoso é triste.

Ir pra rua contra a Dilma é fácil, agora ir pra rua contra igreja exige uma força e uma coragem que poucos tem. Parabéns vadias, vocês estão fazendo isso certo (só faltou mostrar o rosto).

Quem sabe, depois desse texto, eu também não quebre uma santa, afinal é algo infinitamente menos ruim do que a igreja fez comigo