Eu tinha coisa de 10 anos quando meu pai cantarolou pela primeira vez: “Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa pra cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni”, e ao contrário do que se espera, no lugar do choque me encantei. Imediatamente perguntei quem era a Geni.

A resposta, tipica de meu pai: “uma prostituta que todo mundo bate mas mesmo assim dá pra um cara pra salvar todo mundo, nessa hora todo mundo trata ela bem, mas depois voltam a bater” simples assim, sem nenhuma grande explicação, afinal meu pai é de poucas palavras e sempre me deixou tirar minhas próprias conclusões.

Com os anos conheci muitas Genis, conversei com as incansáveis meninas da Fernando de Albuquerque, estudei com outras na faculdade, dancei junto nas pistas e me encantei todas as vezes, como daquela primeira vez que ouvi o trecho da Ópera do Malandro.

Conheci também o feminismo, as feministas, ouvi meninas, mulheres, senhoras, me apaixonei pela figura da mulher e vejo que conheço delas muito pouco ainda.

Ai concluo, a Geni não é só a prostituta, a Geni é você.

O mundo está errado, e posso afirmar com toda certeza: enquanto Geni e o Zepelim não for só uma musica que representa um passado triste nada vai melhorar.

Ps: lindíssima interpretação de Leticia Sabatella

Geni e o Zepelim from Fernando Alves Pinto on Vimeo.

Anúncios