Ontem enquanto esperava para passar minhas compras em um mercado no centro da cidade presenciei mais um triste momento do que somos: um homem, cerca de 30 anos, bastante alcoolizado, talvez drogado, lutava para passar seu cartão e pagar sua própria compra.

O “fiscal” como é chamado o segurança do local o pressionava enquanto a fila crescia, depois de uma discussão de quase 10 minutos o homem agrediu o funcionário. Ai tudo começou: a correria, a luta, o sangue.

Depois de conseguir com a ajuda de dois colegas segurar o homem , o fiscal bradava, “você vai pro quartinho e sabe o que vai te acontecer”. O desespero do homem cresceu, e eu impotente liguei para a policia. Assim como o homem, eu sabia que a partir dali se iniciaria uma sessão de “correção”, de vingança, de violência extrema.

Por algum motivo que desconheço, enquanto eu telefonava o fiscal desistiu da coça e levou o homem para a calçada onde eu estava.

Com ambos mais calmos, pedi que o fiscal soltasse o homem e me falasse quanto era a conta dele, expliquei que me responsabilizaria por levar o homem ao hospital e depois à delegacia para que ele assumisse a agressão que havia cometido.

O fiscal nervoso me explicava que não era pelo dinheiro, era pela folga, era pelo soco que levara.

Ora, se você é fiscal, segurança, ou policial, sua função é assegurar, é fazer com que o ambiente esteja protegido e não educar alguém, e não agredir alguém.

Entendo que não são profissões bem remuneradas, que não são profissões fáceis mas deveriam em tese ser exercida por profissionais bem treinados, calmos, e humanos.

O homem fugiu poucos segundos antes da policia chegar ao ser atacado por mendigos que “protegiam” o mercado, a pauladas, literalmente – mais justiceiros da violência.

Demorei para escrever esse texto, reavaliei se fiz o certo e no fim das contas e mesmo insatisfeito sei que fiz o que me cabia fazer: chamei as autoridades, ,tentei solucionar o problema, controlei como pude a violência e principalmente, notei quantas vezes me vi diante da situação do terrorismo do quartinho e nada fiz.

Violência gera violência e enquanto a gente não colocar em xeque o uso dela, nada vai melhorar. Não fui corajoso, não fui heroico e não sou melhor do que ninguém, mas posso hoje afirmar que depois de muito exercício tenho olhado as situações com uma humanidade que falta no mundo. Se você puder fazer o mesmo fico feliz.

A proposito, 6 reais era a quantia que o homem havia gasto.