“Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico onde vítimas de sequestro começam por identificar-se emocionalmente com os raptores, a princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação e/ou violência.

Pequenos gestos gentis por parte dos sequestradores são frequentemente amplificados porque, do ponto de vista do refém é muito difícil, senão impossível, ter uma visão clara da realidade nessas circunstâncias e conseguir mensurar o perigo real.

É importante notar que os sintomas são consequência de um stress físico e emocional extremo. O complexo e dúbio comportamento de afetividade e ódio simultâneo junto aos raptores é considerado uma estratégia de sobrevivência por parte das vítimas.

É importante observar que o processo da síndrome ocorre sem que a vítima tenha consciência disso. A mente fabrica uma estratégia ilusória para proteger a psique da vítima”.

Essa é a explicação da Wikipédia para a Síndrome de Estocolmo. Peço desculpas por não conseguir uma fonte mais segura mas os sites da OMS  – Organização Mundial da Saúde e do Conselho Federal de Psicologia não são os melhores para busca de dados.

Da mesma Wikipédia temos a informação de que o Elevado Costa e Silva, também conhecido como Minhocão, uma via elevada que liga o centro à zona oeste, contém 3,4Km e nas minhas contas, 40 metros de largura, totalizando então 0,136 Km²

O minhocão está localizado na região central da cidade que tem 27 Km². Já a cidade como um todo, tem 1.523 km².

Ou seja, a região central ocupa pouco mais de um centésimo de toda cidade, enquanto o Minhocão 1 milésimo.

Bem, acredito que nesse ponto você esteja querendo saber a onde eu quero chegar com esse amontoado de dados. Calma, te prometo que já chegamos lá.

A questão é que aos domingos e feriados o tal Elevado Costa e Silva fica “livre” para a população e volta e meia grupos realizam pequenas festas, de juninas a blocos de carnaval.

Uma vez por ano, a nossa prefeitura também realiza um grande evento chamado Virada Cultural, onde praticamente todos os 27 Km² do centro acabam ocupados por pessoas em busca das atividades culturais divididas por diversos palcos. Outras áreas também recebem o evento, porém a grande concentração é na região central.

Nessas duas ocasiões tento estar presente: minhocão “livre” e Virada Cultura e noto a alegria das pessoas em estar nas ruas, em poder caminhar tranquilamente, em ocupar um espaço que é de todo mundo.

Acho muito bom estarmos na rua mas acho que nos falta reflexão, nem o Minhocão e nem a Virada oferecem estrutura mínima de ocupação. Nenhum dos dois espaços é 100% nosso. Porque estamos tão felizes?

Ai entra a Síndrome de Estocolmo. Nos habituamos a ficar presos em bares, baladas, ruas, avenidas e em nossas próprias casas que ao ter 1 centésimo da cidade com uma programação cultural ficamos felizes. Ficamos eufóricos com um milésimo de cidade composta de asfalto quente uma vez na semana. Não é muito triste?

Segundo o site da SVMA, a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, a cidade conta com 96 parques e praças divididos entre região centro-oeste (21), leste (32), norte (15) e sul (28). Essa mesma secretaria também afirma que a cidade conta com 2,6 m² de área verde por habitante, enquanto a recomendação da OMS é de 12 m².

Ok, temos uma descentralização do verde, mas então pra que mais um shopping na Av Paulista? Pra que tantos prédios? Porque continuamos a insistir? E mais, porque a gente se recusa a ver tudo isso?

Ah, segundo o site da prefeitura, temos 260 salas em 55 cinemas, 125 museus, 164 teatros,39 centros culturais, 184 casas noturnas, 146 Bibliotecas e 53 shopping centers, portanto se você tiver DINHEIRO e quiser ficar FECHADO, arrase, são 1.026 opções, 100 vezes que as de parques e praças.

Anúncios