O terrorismo do quartinho

Ontem enquanto esperava para passar minhas compras em um mercado no centro da cidade presenciei mais um triste momento do que somos: um homem, cerca de 30 anos, bastante alcoolizado, talvez drogado, lutava para passar seu cartão e pagar sua própria compra.

O “fiscal” como é chamado o segurança do local o pressionava enquanto a fila crescia, depois de uma discussão de quase 10 minutos o homem agrediu o funcionário. Ai tudo começou: a correria, a luta, o sangue.

Depois de conseguir com a ajuda de dois colegas segurar o homem , o fiscal bradava, “você vai pro quartinho e sabe o que vai te acontecer”. O desespero do homem cresceu, e eu impotente liguei para a policia. Assim como o homem, eu sabia que a partir dali se iniciaria uma sessão de “correção”, de vingança, de violência extrema.

Por algum motivo que desconheço, enquanto eu telefonava o fiscal desistiu da coça e levou o homem para a calçada onde eu estava.

Com ambos mais calmos, pedi que o fiscal soltasse o homem e me falasse quanto era a conta dele, expliquei que me responsabilizaria por levar o homem ao hospital e depois à delegacia para que ele assumisse a agressão que havia cometido.

O fiscal nervoso me explicava que não era pelo dinheiro, era pela folga, era pelo soco que levara.

Ora, se você é fiscal, segurança, ou policial, sua função é assegurar, é fazer com que o ambiente esteja protegido e não educar alguém, e não agredir alguém.

Entendo que não são profissões bem remuneradas, que não são profissões fáceis mas deveriam em tese ser exercida por profissionais bem treinados, calmos, e humanos.

O homem fugiu poucos segundos antes da policia chegar ao ser atacado por mendigos que “protegiam” o mercado, a pauladas, literalmente – mais justiceiros da violência.

Demorei para escrever esse texto, reavaliei se fiz o certo e no fim das contas e mesmo insatisfeito sei que fiz o que me cabia fazer: chamei as autoridades, ,tentei solucionar o problema, controlei como pude a violência e principalmente, notei quantas vezes me vi diante da situação do terrorismo do quartinho e nada fiz.

Violência gera violência e enquanto a gente não colocar em xeque o uso dela, nada vai melhorar. Não fui corajoso, não fui heroico e não sou melhor do que ninguém, mas posso hoje afirmar que depois de muito exercício tenho olhado as situações com uma humanidade que falta no mundo. Se você puder fazer o mesmo fico feliz.

A proposito, 6 reais era a quantia que o homem havia gasto.

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Pra ser o defunto mais rico do cemitério?

Essa expressão sempre me marcou e de certa forma sempre concordei, minha relação com dinheiro é complexa, como acredito, seja a de todo mundo.

Com o passar dos anos percebi que quero sim dinheiro, mas não o suficiente fazer o que for preciso ganha-lo. Minha moral e ética se fortaleceram, minha militância tomou corpo e principalmente a minha relação com o trabalho se mostrou fora dos padrões.

Tenho apenas 24 anos e estou encarando minha 5ª profissão, tais mudanças me permitiram conhecer mundos incríveis, viver coisas fodas e principalmente me fez ser eu mesmo.

Durante a adolescência e pós adolescência me peguei temeroso muitas vezes, vindo de uma família tradicional, com parentes que passaram a vida em uma única corporação e entendi desde cedo que eu não caberia naquela estrutura.

Precisava, portanto encontrar uma profissão, A profissão, aquela que iria me fazer feliz, bem sucedido e claro, rico. Ledo engano, não encontrei uma, mas cinco profissões que amo mesmo nenhuma delas dando dinheiro.

Poderia me conformar, poderia inclusive aceitar a máxima do “pra que dinheiro, pra ser o defunto mais rico do cemitério?” e ir levando a vida. Mas ai eu não seria eu.

Eu, Iran, quero viver intensamente essas cinco e as próximas cinco profissões (e as tantas outras que posso ter), mesmo que tome 10, 12 horas do meu dia, desde que me de prazer, e quero que a união delas me de dinheiro para que eu possa ter não só mil profissões, como mil obras de artes, mil carimbos no passaporte, mil projetos incríveis que mudem o mundo, para que eu tenha mil tudo.

Mas Iran, “quem muito quer nada tem”, bobagem, eu sei o suficiente para ser bom em tudo que eu faço, não ótimo, não um “especialista” mas amo isso, porque no fim das contas pra que? Para ser o especialista mais sabido do cemitério?

Geni foi minha primeira prostituta, Geni é você

Eu tinha coisa de 10 anos quando meu pai cantarolou pela primeira vez: “Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa pra cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni”, e ao contrário do que se espera, no lugar do choque me encantei. Imediatamente perguntei quem era a Geni.

A resposta, tipica de meu pai: “uma prostituta que todo mundo bate mas mesmo assim dá pra um cara pra salvar todo mundo, nessa hora todo mundo trata ela bem, mas depois voltam a bater” simples assim, sem nenhuma grande explicação, afinal meu pai é de poucas palavras e sempre me deixou tirar minhas próprias conclusões.

Com os anos conheci muitas Genis, conversei com as incansáveis meninas da Fernando de Albuquerque, estudei com outras na faculdade, dancei junto nas pistas e me encantei todas as vezes, como daquela primeira vez que ouvi o trecho da Ópera do Malandro.

Conheci também o feminismo, as feministas, ouvi meninas, mulheres, senhoras, me apaixonei pela figura da mulher e vejo que conheço delas muito pouco ainda.

Ai concluo, a Geni não é só a prostituta, a Geni é você.

O mundo está errado, e posso afirmar com toda certeza: enquanto Geni e o Zepelim não for só uma musica que representa um passado triste nada vai melhorar.

Ps: lindíssima interpretação de Leticia Sabatella

Geni e o Zepelim from Fernando Alves Pinto on Vimeo.

Eu poderia quebrar um santo, e seria infinitamente menos ruim do que a igreja fez comigo

Em uma manifestação na semana passada, duas mulheres quebraram imagens santas para criticar a visita do Papa ao Brasil e a igreja católica como um todo.

Imediatamente criticas e mais criticas: as vadias perderam a mão diziam (as duas faziam parte da Marcha das Vadias, movimento feminista que luta por direitos das mulheres). Horas depois longos textos falando sobre falta de respeito, de como elas ultrapassaram a linha tênue do protesto e afins.

Durante as manifestações do Movimento Passe Livre em São Paulo, me opus fortemente à depredação de prédios públicos pelo fato de não ver como aquilo ajudaria: lutávamos por voz, lutávamos por mudança e pagaríamos um preço.

Poderíamos nos ferir, sermos preso porque afinal estávamos cometendo um crime e geraríamos um custo para os contribuintes (nós mesmo) e mais, não ajudaria em nada para um possível dialogo.

Porém aqui a coisa muda e muda porque uma estatua santa é o ícone de uma religião opressora, desigual, assassina, que contribuiu enormemente para chegarmos nesse mundo que vivemos hoje. Ok, poderíamos dizer o mesmo dos prédios, mas…

A santa é gesso, um gesso que você pagou, um gesso que você faz o que quiser com ele, inclusive quebra em público para mostrar para o mundo que o que ele representa é o mal e não o bem como te condicionaram a acreditar.

A igreja católica não é o bem, não é acolhimento, não é amor. A igreja católica me fez viver em um lugar obscuro, dos 13 aos 18 anos me recriminei pelos meus instintos, ouvi de padres que o que eu sou, que ser gay, é algo pecaminoso e errado.

Por anos cogitei suicídio mesmo apavorado com o inferno que me era prometido pela mesma igreja que me destruía e me recriminava.

Demorei mais alguns anos para me recompor e não culpo apenas a igreja mas afirmo com toda certeza que ela teve papel fundamental para a culpa e medo dos meus familiares.

Afirmo a igreja católica com seus dogmas fizeram com que eu me sentisse um lixo.

Na semana passada fiz uma matéria sobre gays católicos e tive por missão falar com um padre, um único padre, sobre gays na igreja (apenas um simples: acolhemos a todos igualmente) e cerca de 18 párocos se recusaram a falar, 10 teólogos optaram não se expor, o assessor de imprensa da Arquidiocese de São Paulo passou a desligar o telefone na minha cara (juro), a assessoria de imprensa a Arquidiocese do Rio de Janeiro tampouco ajudou, assim como a CNBB e a organização da JMJ. Se me der alguns parágrafos dá pra citar todos que me falaram “não” medrosos.

Ate os que são a igreja temem a igreja, e isso além de perigoso é triste.

Ir pra rua contra a Dilma é fácil, agora ir pra rua contra igreja exige uma força e uma coragem que poucos tem. Parabéns vadias, vocês estão fazendo isso certo (só faltou mostrar o rosto).

Quem sabe, depois desse texto, eu também não quebre uma santa, afinal é algo infinitamente menos ruim do que a igreja fez comigo

O dia em que o invisível nos agrediu

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Em 10 de junho de 2013 recebi uma notícia: um companheiro de trabalho gay havia sido agredido por sua orientação sexual quatro dias antes, em uma balada da qual sou frequentador assíduo.

O local é o clube Yacht, uma das casas do grupo Vegas, lugares que venho frequentado há cerca de seis anos, e que me trouxeram muitos amigos e conhecidos, entre DJs, promoters, funcionários e público. Muitos, inclusive, se tornaram pautas do meu trabalho, que retrata comportamento LGBT.

A festa em que aconteceu a agressão é promovida por um conhecido, que já me chamou para discotecar em uma de suas festas e por quem tenho muito respeito.

Tive, portanto, a difícil missão de relatar e noticiar um fato extremamente desagradável onde eu tinha ligação com todas as partes, inclusive com o agressor, já que provavelmente, ele já me atendeu em algum momento.

Porém, não me lembro do agressor, porque ele é auxiliar de limpeza e, portanto, aos olhos de muitos de nós, invisível.

Tento constantemente prestar atenção em todas as figuras que me cercam, principalmente essas que desde sempre aprendemos a ignorar. Me esforço ao máximo para saber o nome e um pouco daquela vida e. Muitas vezes, meu trabalho ajuda.

Exemplo disso foi a matéria que fiz entrevistando seguranças de baladas gays. Propus essa pauta porque muitas vezes perguntei, curioso, o que aqueles trabalhadores, na maioria de suas vezes simples, pensavam ao estar em meio a um público considerado anormal por muitos.

A reposta sempre me deixava feliz: “Gostamos de trabalhar em balada gay porque aqui não tem briga, as pessoas são mais educadas, mais tranquilas”, afirmavam os seguranças.

Porém isso não é um censo comum e aquele auxiliar de limpeza do Yacht que agrediu meu colega de trabalho é a prova disso. Pelos relatos do agredido, um fundamentalismo religioso era fundo da homofobia que levou à agressão. Mas como um fundamentalista religioso homofóbico estava trabalhando em uma balada dedicada ao público gay?

A resposta é tristemente simples: assim como para mim, e certamente para você, essa pessoa é invisível aos seus contratantes.

O auxiliar de limpeza é um funcionário terceirizado, só é chamado quando a casa espera uma lotação maior que a habitual, e o dono do grupo, Facundo Guerra, estabeleceu uma política que em teoria é incrível, mas na prática, infeliz: “Assim como nós não perguntamos a orientação sexual dos funcionários, não perguntamos a orientação religiosa “.

Concordo que orientação religiosa não deve ser levada em conta, mas se um funcionário se sente constrangido ou é contra um determinado grupo de pessoas, não deve ser contratado.

Essa política de não falar sobre, e também uma postura das casas para com o público: o Yacht não se define como uma casa gay, apesar de contar com programação de quarta à sábado, e durante esses 4 dias apenas a sexta – feira ser dedicada a uma festa hétero.

A justificativa sempre foi de que ao “rotular” o clube, torna-se o espaço um gueto gerando assim preconceito. Entendo o ponto, e vendo os constantes discursos de Facundo tendo a acreditar, mas se tratando de negócios, pode-se desconfiar que é uma jogada de marketing: sem rótulos não se perde nenhum público. 

Infelizmente vivemos em um mundo em que é preciso se firmar, se firmar como gay, como negro, como mulher, porque existe SIM o preconceito, e enquanto não se confrontar, enquanto não se debater, escancarar essas feridas, essa herança patriarcal e escravocrata, nada vai mudar.

Chegamos então ao invisível: o auxiliar de limpeza é também o que vê duas pessoas entrando no banheiro para dar uma rapidinha (seja gay ou hétero), que vê gente usando droga, passando mal, ou simplesmente fazendo seu xixizinho, o que é por si só de uma intimidade absurda. Até por essa exposição absurda aprendemos a ignorá-los, o que é extremamente cruel.

Ninguém merece ser invisível, e essa anulação é tão perigosa que faz com que ocorra o que ocorreu: um indivíduo homofóbico foi contratado para trabalhar em um local gay.

Vale ressaltar que em nenhum momento defendo o agressor, essa invisibilidade cruel não é justificativa para homofobia, para agressão e não é passe para nenhum tipo de atitude escrota. 

Por fim, ficam os pedidos:

– Facundo, tire suas casas do armário, precisamos delas cada vez mais

– Equipe do Grupo Vegas, entendam que é preciso olhar humanamente para cada funcionário e sim, é preciso de treino para todos.

– Pessoas, olhem umas pras outras, agradeçam e tentem ao máximo perceber quem está no seu entorno. Não faça de ninguém alguém invisível

– Denunciem, reclamem, libertem-se!

Carta aberta a nós que vamos mudar o mundo

Nunca gostei muito do slogan “O Gigante Acordou”, sim, é um slogan, porque é tudo questão de publicidade, partidos e governos são baseados em ações e em publicidade. Não tenha medo disso, use-a a seu favor.

Quem acorda adormece, quem acorda não se lembra do que acontecia enquanto dormia, quem acorda esteve envolvido em sonhos e ilusões até o despertar.

Evoluímos muito em poucos dias, percebemos que mobilização pública é um caminho democrático e principalmente nos envolvemos um com o outro e encontramos semelhantes dispostos a mudar o mundo.

Agora precisamos cuidado, precisamos planejamento. Por sorte sempre tive na minha vida educação, daquela formal, estudando em bons colégios, lendo muito até aquela informal, com diálogos abertos sobre valores, ética e política e estimulo por parte dos meus familiares. Quantos de nós pode dizer o mesmo?

Temos um caminho longo a seguir, que só terá um bom resultado quando se entender que o que precisamos é de educação, respeito e informação. Indivíduos com referencias tem um potencial maior para mudar algo por ter maior chances de debater, defender seus pontos. Quem conhece algo consegue se articular melhor e propor coisas factíveis.

Não acho que falta de educação formal, que falta de dialogo a cerca de política e valores opostos aos meus tornem alguém menor ou que o desejo de mudança seja menos válido porém acredito piamente que unindo tudo o que sabemos podemos fazer algo, sempre estimulando um ao outro e trocando ensinamentos.

É preciso cuidado ao criticar o outro, as tentativas feita pelo que tem boa vontade mas pouco poder pratico ou do que tem poder prático mas menos vontade ou tempo. É preciso unir forças.

Estamos em um momento em que é preciso falar, em que é preciso ler, em que é preciso pensar para poder fazer algo.

Estamos em um momento em que muitos vão, não a voltar a dormir, mas perceber que existe um limite em sua força de vontade e uma limitação no seu repertório, e ai entramos: se você está lendo esse texto faça algo, debata, informe-se e informe ao outro, tenha boa vontade, se una a outras pessoas.

Estamos sim tentando mudar o mundo, e quem quiser o mesmo que você, mesmo que de outra forma deve ser respeitado, quem sabe juntos a solução não será muito melhor?

Não seremos gigantes enquanto não nos unirmos e principalmente enquanto não tivermos todos, acesso a educação e informação.

Jennifer Lawrence e a sociedade do espetáculo

Quando tomei conhecimento dos livros da série “Jogos Vorazes” dei pouca atenção, mesmo sendo leitor assíduo de livros adolescentes não entendi como aquela história poderia ser bem desenvolvida, mas como muitas vezes acontece, me surpreendi.

Meses depois começou a pipocar nas minhas redes sociais ótimas críticas em relação ao filme e resolvi vê-lo, curti e muito. Na história, o mundo passou por uma transformação em que o que restou foi um Estados Unidos dividido em 13 colônias, dominada por uma Capital opressora após o extermínio da 13ª. Para relembrar seu poder sobre as 12 colônias restantes, essa capital criou os jogos que dão nome à série.

Nos jogos vorazes, cada colônia é obrigada a enviar 2 jovens de 13 à 18 anos, para uma batalha televisionada. De lá, só sairá um vencedor, sim, o livro retrata uma sociedade que assiste o massacre de 22 jovens até o momento em que a protagonista, Katniss, inicia involuntariamente uma revolução.

Paro por aqui porque realmente acho a série de livros uma boa pedida de leitura e mesmo que você não se anime, pode pelo menos assistir aos filmes da franquia.

Quando Hollywood comprou os direitos do livro e o transformou em filmes não esperava que de certa forma estivesse também ajudando em uma revolução ao selecionar a atriz Jennifer Lawrence para interpretar a protagonista.

Jennifer, que havia concorrido ao Oscar pelo papel em “Inverno da Alma” (ótimo filme por sinal) e “X Men – Primeira Classe” no papel de Mística, interpretou com vontade o papel de Katniss e ganhou no ano seguinte um Oscar por “O Lado Bom da Vida”.

E foi neste Oscar que passei a dar atenção à atriz, Lawrence, linda em um vestido Dior tropeçou ao subir ao palco para receber a estatueta, fez uma singela piada e foi para sala de imprensa. Ao chegar por lá ouviu de um dos repórteres brincadeiras sobre o deslize e em resposta mostrou o dedo do meio.

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Para muitos aquilo foi considerado um ato deselegante, para outros apenas uma brincadeira, para mim foi um ato de rebeldia, a garota, afinal Jennifer tem apenas 22 anos, mostrou que não é preciso aguentar tudo com um sorriso no rosto, que não é preciso abaixar a cabeça para quem não te respeita. Foi um tombo em um dos maiores momentos de sua carreira, era preciso ainda ouvir piadas por parte de profissionais que dependem de você para exercer sua função?

Algum tempo depois, a Jana Rosa notou que a atriz tem o braço gordo, sim, Jennifer, magérrima, tem o “tchauzinho” que 99% da população, principalmente feminina reclama, e ao invés de tampar com mangas ou recorrer a processos cirúrgicos os exibe em lindos vestidos tomara que caia. Ponto para ela.

Ai tivemos o baile de gala do MET. Jennifer que é bastante fã de Sarah Jessica Parker resolveu brincar com o arranjo de cabelo da atriz, a imagem rendeu um maravilhoso GIF onde Lena Dunham (a suposta voz da nossa geração) e  Marion Cotillard começam a rir da cena. Assim como as atrizes, eu ri.

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O baile de gala do MET é considerado o evento do ano, onde celebridades da música, cinema, TV e moda se encontram em seus vestidos caríssimos para verem e serem vistos e grande parte das vezes é apenas isso que acontece, raramente em premiações ou eventos desse porte é possível ver figuras espontâneas, que quebram com a “santificação” do luxo e do mundo das celebridades.

Em “A Sociedade do Espetáculo” o filosofo e diretor de cinema Guy Debord fala sobre o termo cunhado para definir a sociedade que nos rege, ali espetáculo está relacionado a questões mercantis, filosóficas e também de imagem e é um termo certeiro para nossa atual situação.

“O espetáculo é o capital em tal grau de acumulação que se torna imagem” com essa colocação Debord define, pelo menos pra mim, o processo do que é Hollywood, as indústrias do cinema, moda e arte, tão evidente na cultura norte americana e também na nossa.

Ter dinheiro e ser famoso é praticamente o anseio de todos, ostentar isso tudo é o tornar imagem referido por Debord e esta ostentação vem com um preço: para uma atriz hollywoodiana, é ser impecável, bela, bem vestida, comportada, se tornando assim uma figura santificada (que além de reverenciada é pura) e Jennifer, com seus pequenos delitos rompe com isso e consequentemente passa uma mensagem para a geração que acompanha seu trabalho, que se espelha nessas figuras santificadas.

Meus agradecimentos a menina Jennifer e um sincero pedido de muitos mais dedos do meio.

Carta aberta à minha mãe

Oi mãe, tudo bom? Sei que a senhora ficou confusa com a Daniela Mercury que foi casada com homens, teve filhos e agora está com uma mulher, e essa mulher é feminina, sei também que ficou confusa com a Tammy, que tá na novela e quando a conhecemos era super mulherão, depois contou que era lésbica passou a se vestir de menino e agora pro papel tá mocinha de novo, então resolvi explicar pra senhora um pouquinho do que tem gente que passa a vida estudando.

Peço paciência e atenção e sei que é difícil, não conhecemos todas essas pessoas, mas te garanto, elas existem e são muitas, então cabeça aberta e vamos evitar julgamentos, não é o que a gente é mas tem muita coisa que não somos mas é normal, afinal não somos loiros, nem temos olhos verdes, não somos negros e nem temos olhos puxadas e nenhuma dessas coisas é ruim certo?

Já conversamos sobre sexualidade várias vezes e estou partindo do pressuposto de que você entende que tudo isso que vou falar é característica, nasceu com a gente, vamos lá?

LGBT

Essa sigla é o principio de tudo, ela foi a forma que estudiosos e políticos encontraram para tentar juntar todo mundo que não nasceu heterossexual (ou seja,  o homem que gosta de mulher e mulher que gosta de homem)

O L é de Lésbica (mulheres que gostam de mulheres)

Elas podem ser femininas como você ou gostarem de se vestir como homens, mas isso nada tem haver com o ato sexual, é como elas se sentem confortáveis no dia a dia, como toda mulher, algumas gostam de saia, maquiagem, salto alto, outras não.

Durante o sexo é tudo mais no tato, mãos, lábios, língua, às vezes rola um brinquedo, às vezes não, algumas gostam mais de sentir, outras de dar prazer, igual ao sexo homem e mulher, onde cada um tem sua preferência.

O G é de gay (homens que gostam de homens)

Existem vários tipos de gays, os mais afeminados e os menos afeminados, e de novo, isso não quer dizer nada na hora do sexo. O que chamamos de “Ativo” é o rapaz que vai penetrar o que é o equivalente ao homem no sexo homem e mulher, e o “passivo” é quem vai ser penetrado, o equivalente a mulher. Mas isso é ali, entre quatro paredes,o menino de voz fina, gostos femininos não necessariamente tem prazer sendo passivo ou o rapaz sem nenhum traço de feminilidade gosta de ser ativo por exemplo.

Para o sexo gay existe também os que gostam das duas coisas e temos uma série de nomes (alguns bem chulos) para descrever, o “flex” de flexível anda sendo o mais usado. Com a queda dos preconceitos cada vez mais se encontram gays que gostam das duas coisas.

O B é de bissexual (o que gosta de mulheres e homens)

É o caso da cantora Ana Carolina, que falou anos atrás na Veja que gosta dos dois e pode ser também o caso da Daniela Mercury, porém tudo indica que na verdade ela só goste de mulheres e até agora não tinha coragem de contar para todos.

Nesse caso está implícito né? A pessoa sente prazer com ambos os sexos e podem ser ativos, passivos, dar ou receber prazer, particularmente os considero os mais sortudos, afinal tem muitas opções.

O T é de transgénero (e não transgênico, essa palavra é para comida geneticamente modificada)

O transgénero engloba principalmente dois T’s:  o transexual e o travesti.

Travesti é a pessoa que se identifica com o gênero oposto e quer viver como tal mas sem necessariamente trocar seu sexo, o travesti homem pode colocar peitos mas manter seu pênis, assim como uma mulher pode tomar hormonios  para crescer barba e diminuir os peitos mas manter sua vagina.

Existem muitos estudos sobre os e as travestis mas pouco se sabe porque essas pessoas se sentem bem tendo características de ambos os sexos.

Já o transexual é o que sofre de um desvio de identidade de gênero ou seja, ele ou ela nasceu no corpo errado, alguns estudos falam que a identificação desse desvio se da por volta dos 4 anos de idade e hoje os país que percebem e não bloqueiam isso tem criado filhos mais felizes que trocam de gênero assim que possível por meio de operações.

E dentro desse universo chamado T existem ainda muitas outras variantes como :

Crossdresser, homens ou mulheres que gostam de se vestir como o sexo oposto, eles ou elas podem ser heterossexuais (que geralmente praticam o ato durante o sexo ou na privacidade da sua casa), gay, lésbico ou bissexual.

Transformista ou Drag Queen, existem várias nuances que separam esses dois nomes mas ambos representam homens ou mulheres que se vestem como o oposto para apresentações de humor, canto, dança, dublagem  ou tudo isso junto ou nada disso, se veste apenas para ser glamoroso ou glamourosa, de novo não tem haver com sexualidade, podem ser heteros, gays, lésbicas ou bissexuais.

Andrógeno, o homem ou mulher que não gosta de aparentar um gênero definido, ou seja, aquelas pessoas que você olha e não sabe se é homem ou mulher, não fazem nenhum tipo de modificação corporal como implante de seios, bunda ou exclusão de pênis ou seios por exemplo, está mais associado ao modo de se vestir, de falar, de se maquiar e assim por diante. É também um caso que engloba heterossexuais, bissexuais e homossexuais.

Acho que aqui tem um pouquinho de tudo e se tiver alguma dúvida é só me chamar e se quiser podemos marcar um jantar com amigos e conhecidos que se enquadram nessas variantes e lembre-se existem muitas outras, e isso é ótimo, afinal como você sempre me ensinou, desde que sejam pessoas boas, quanto mais diversidade melhor.

E claro, isso não é um artigo acadêmico, e pode existir erros de interpretação das nomenclaturas, mas é assim que eu vejo e tem funcionado super bem.

Bjs

Iran

Para saber como tudo começou só clicar aqui

Sim, a opinião da Joelma é importante

Em entrevista ao colunista Bruno Astuto a cantora paraense Joelma, reafirmou sua posição contrária a homossexuais, veja bem, não estamos falando sobre casamento e sim a figura do homossexual.

Sempre gostei da Joelma, sempre gostei da banda Calypso, já falei sobre o gênero neste post mas em setembro de 2012 resolvi que não mais ouviria o som da cantora ou faria qualquer menção ao seu trabalho, o motivo: um vídeo em que ela aconselhava o fã a “deixar” de ser gay, o caso foi nota na folha, mas sem o tom sensacionalista de Bruno Astuto e sem a visibilidade que a causa gay vem tendo em função do pastor Marco Feliciano passou batido.

Foi só com esse vídeo que descobri o lado evangélico da cantora, o que não seria problema, afinal, quantas figuras que admiramos tem alguma crença? O problema de Joelma é o que chamamos de fundamentalismo evangélico.

Curiosamente a vocalista do Calypso esquece outros dogmas fundamentalistas como o uso obrigatório da saia, o não uso de maquiagens ou corte de cabelo, a não exposição do corpo e muitas outras minucias, de corpo desnudo e rebolado caliente se foca no que não lhe atinge.

Mas isso não é apenas uma discordância em relação a Joelma, é também um alerta aos “engajados”, o comediante Rafinha Bastos em um único tweet transcreveu o que muitos falaram:

O país tá chocado com as idéias da vocalista da banda Calypso? É isso mesmo?

Esse tweet é de um perigo absurdo, esse tweet representa o porque estamos aqui, com um líderes políticos evangélicos extremistas, esse tweet é o retrato de uma classe média que vive na sua bolha e esquece que tem um Brasil inteiro no seu entorno.

A Banda Calypso contabiliza hoje 14 milhões de discos vendidos,mesma quantidade da “renomada” cantora Ivete Sangalo e lembrem-se que o orgulho da banda paraense foi ter feito sucesso através da pirataria, ou seja: grandes chances de Joelma contabilizar um numero muito maior de vendas do que a global Ivete se levarmos em conta a venda ilegal de discos.

Continuando a comparação entre Joelma e Ivete falemos em fãs, a comunidade gay é extremamente apegada aos seus ídolos. em especial, suas divas. Ivete mais de uma vez já disse ter fãs alucinados, que em parte vivem para ela, agora imaginem aquele menino gay do Pará, aquela menina lésbica do nordeste, aquele adolescente bissexual do interior que cresceu ouvindo a banda, em parte porque gostava, em parte pelos pais que ouviam. Imaginem como eles se sentiram ao ouvir que tem uma doença e que podem ser curados, e ouvido isso de alguém que é referencia para eles.

Joelma não me representa, mas tenho certeza que representa muita gente, para o bem, como uma figura que veio do nada e fez sucesso, tem uma carreira sólida, que é um ícone, ou para o mal, como uma ignorante fundamentalista religiosa, e todos nós deveríamos notar isso.

 

Mini guia: Belém do Pará

Coisa de 4 anos atrás me veio uma vontade de conhecer Belém do Pará, grande parte pela musicalidade do local não minto, uma das poucas coisas que tinha certa proximidade. Por conta do mesmo trabalho que me levou a Brasília e ao Rio de Janeiro (entre outras cidades) acabei desembarcando por lá em meados de outubro e foi amor a primeira vista.

Algo de muito especial acontece em Belém, não sei se é a simpatia ou simplicidade excessiva em meio ao clima quente e úmido ou se é o contraponto a minha vida extremamente urbana e dura, só sei que estar em Belém é ser dominado pela alegria.

Monto esse mini guia da mesma forma que venho estruturando meus outros textos: de forma rápida e prática, um singelo presente para os amigos que vão se aventurar pelo Brasil.

Seja paciente

Chegar em Belém não é a coisa mais prática do mundo, raramente é possível encontrar passagens que vão direto até a cidade e ninguém curte muito escala né? A maioria dos voos param em Brasília e as vezes uma ida ou volta demora até 8 horas (minha volta pra São Paulo contou com uma conexão e uma escala, somando quase 7 horas de transito) então prepare um bom livro, algumas revistas ou um tablet / smarthphone recheado de filmes e séries.

Ao pisar na cidade já se sabe o que esperar: um calor sufocante, molhado e intenso, mas prometo que com o passar das horas você se acostuma: carros, hotéis,lojas e pontos turísticos em geral contam com ar condicionado potente, o que ajuda bastante.

A quantidade de insetos é bizarra também então fora o protetor solar full time vale uma boa camada de repelente.

Hospedagem

Belém é relativamente pequena e conforto e luxo são palavras desconhecidas, portanto não espere nada de mais dos escassos hotéis da cidade, indispensável mesmo é só o ar condicionado então fique atento na hora de fazer sua reserva.

Como se locomover

Transporte na cidade é uma aventura a parte, regulamentação de transito não existe e é comum ver carros na contra mão, motocicletas carregando famílias inteiras ou bicicletas transitando em meio aos veículos. Por sorte os taxistas locais são extremamente simpáticos e eficientes, logo de cara já puxam papo e oferecem visitas guiadas pela cidade: Seu Mário, por exemplo perambulou pra lá e pra cá com a gente (fui com dois amigos) por dois dias e cobrou R$ 60,00 com direito a esperar nos ponto turísticos por horas ou buscar quando ligávamos. Se encarar o falatório todo não deixe de ligar pra ele e marcar pelo menos uma corrida [(91)8800-6007].

Não usei mas aparentemente os ônibus quebram um galho e se for passar mais tempo alugar um carro é uma ótima opção para visitar as praias de água doce que ficam próximas da cidade, mas lembre-se em Belém todo cuidado no transito é pouco

Taxi do Seu Mario

Taxi do Seu Mario

Passeie, e passeie muito.

Toda cidade tem suas obrigatoriedades e não poderia ser diferente em Belém, uma cidade extremamente pobre, mas uma pobreza de simplicidade, aparentemente pouco violenta ao contrário da pobreza paulistana ou carioca que é bruta, amedrontadora. Não estou enaltecendo condições de vida precárias ou dizendo que na cidade é 100% segura mas me senti muito acolhido por suas construções simplerrimas,  pessoas tranquilas, simpáticas e sem luxos permite o caminhar como de uma cidadezinha interiorana (sensação que só tive posteriormente em Natal).

Em contraponto é visível o esforço público em manter e/ou recuperar seus pontos turísticos, assim como a valorização da cultura local: pratos típicos presente em praticamente todos cardápios da cidade assim como a musicalidade constante.

Para começar a visita vá a nova orla da cidade, orgulho dos paraenses lota aos finais de semana com atividades esportivas, musicais e muita farra. De dia de semana é bem parada mas vale uma passada, o projeto apesar de ainda em construção é bem lindo.

Nova Orla de Belém

Nova Orla de Belém

Um dos pontos preferidos da cidade é com certeza o Mangal das Garças, parque beira lago com um dos paisagismos mais lindos que vi na vida. O espaço conta com museu, restaurante, deck para o lago passando pelo manguezal, borboletário e mirante, sem contar as plantas e animais soltos pelo local ( garças, patos, lagartos, entre outros) .

Mangal das garças visto de cima

Mangal das garças visto de cima

A entrada no manguezal é grátis porém reserve algo em torno de 30 reais (no máximo, chutando bem pra cima) para visitar o borboletário, museu e o mirante, vale super a pena.

Instalação artística no Mangal das Garças

Instalação artística no Mangal das Garças

De lá vá para a cidade velha, composta de forte, igrejas, ruelas e mercadores de rua o centro é uma atração a parte:

Forte do Castelo ou Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo do Presépio de Belém, (Forte do Presépio) é como o nome já  diz um forte, com sinalização, segurança, placas históricas e instalações o forte é uma delicia de se visitar, ali perto fica também ancorado um navio de guerra aberto ao público.

Instalação do Forte do Castelo

Instalação do Forte do Castelo

Dentre as muitas igrejas se destaca a Catedral Metropolitana de Belém, internamente está bastante prejudicada mas a imponente fachada é linda de ver, fica bem próxima ao forte cercada de praças e ruelas.

Caminhando mais um tanto você estará na maior feira de rua do Brasil, chamada Feira do Ver o peso: são barracas e mais barracas de frutas, peixes, comidas e bugingangas em geral, por lá é possível perder umas boas duas horas, a gente na correria infelizmente viu só de longe.

Feira do ver o peso por @descolex

Feira do ver o peso por @descolex

Pra finalizar não deixe de ir na Estação das Docas, antigo porto virou o grande centro comercial e cultural de Belém, com direito a cinema, pequenas exposições, lojas típicas e bons restaurantes. Aguarde até o por do sol, uma experiencia única.

Estação das docas, ponto obrigatório da cidade.

Estação das docas, ponto obrigatório da cidade.

A maioria dos restaurantes do local oferece as opções a la carte ou buffet livre a uma média de 40 reais, por lá vale comer os pratos tipicos como o  Tacacá (um caldo fino de mandioca + tucupi, caldo de cor amarelada e goma de tapioca, camarão seco e jambu, bem saboroso),  Pato-no-tucupi (o mesmo líquido de cor amarela extraído da raiz da mandioca brava, e  jambu, erva típica da região, de lamber os beiços), Maniçoba (também conhecida como feijoada paraense feito com folhas da mandioca moída e cozida, carne de porco, carne bovina e outros ingredientes defumados e salgados, bem amargo e para os de paladar forte) e o Filet de Filhote (peixe de água doce extremamente leve e gostoso).

Para sobremesa tem sempre alguma opção com cupuaçu, fruta rançosa e sem muito gosto, açai, que é bem diferente do industrializado, bastante amargo e com uma textura mais aguada, servida em geral com mel ou uma farinha grossa. Para os mais conservadores como eu a sorveteria Cairu oferece uma variedade gigante de sabores, a maioria local, é bem complicado escolher tendo em vista que você não conhece nenhum daqueles nomes mas vale o desbravar.

Do local saem também barcos de passeio para os mais animados.

Tacacá por @descolex

Tacacá por @descolex

Para quem vai em Outubro, especialmente no dia 14, rola a festa do Cirio de Nazaré (infelizmente não fui na data) e vi apenas uma exposição sobre o tema que me emocionou bastante, chegando inclusive entrar na minha lista de destino nas próximas viagens. Para saber mais só clicar aqui 

Tem mais um dia e quer pegar praia?

Como falei lá em cima, a melhor opção para pegar praia em Belém é alugando um carro, se não me engano a mais próxima fica a cerca de uma hora da cidade, lembrando que praia por ali é de água doce!

Caio Braz e Glauco Sabino no Paraiso do Mosqueiro, praia da região.

Caio Braz e Glauco Sabino no Paraiso do Mosqueiro, praia da região.

Infelizmente não fui a praia e nem aproveitei a fervida noite da cidade, mas não deixe de perguntar as opções para seu taxista ou o pessoal do hotel, lembre-se eles são os melhores guias que você pode encontrar.

Sentiu falta de algo? Só comentar que complemento aqui e claro, tenha uma boa viagem 🙂